Capítulo 63 — Minha mulher
Damien Knight
Por fora, eu me mantinha impassível, mas por dentro eu era um homem aos pedaços. Me despedir da Ellie e da Emma acabou comigo. A caminho do aeroporto, liguei para os caras, era cedo, eu sabia. Mas precisava mantê-los informados e deixá-los de prontidão para o que Emma e Ellie precisassem.
Eu não conseguia ainda digerir toda essa história, mas eu não queria que ela passasse por nada do que passou antes de mim. Por isso, ontem mesmo mandei uma mensagem para o John pedindo para que cuidasse de tudo e, hoje, assim que acordei, terminei de resolver as coisas.
Comprei uma boa casa para que ela e Ellie ficassem bem; iria manter todo o tratamento da minha princesinha, mesmo dando a ela o dinheiro que prometi, não queria que ela se preocupasse com nada. E tudo isso era temporário; eu sabia que, com o tempo, eu conseguiria lidar com toda essa situação.
Mas seria com o tempo. Não hoje. Não agora… mas em breve.
Só que nada saiu como planejei. John me disse que ela recusou a casa e minha ajuda, tentei falar com ela e fui ignorado e, para completar, recebi a mensagem mais cretina que meu primo poderia me mandar:
“Espero que esteja satisfeito. Ellie está destruída, seu filho (que, aliás, voltou a falar) está desesperado chamando por Emma. E sua mulher, lembra dela? A Emma? Aquela que você, ao invés de ouvir, preferiu dizer “Agora não consigo”? Pois bem, saiu daqui aos prantos. Mas sabe o que me tranquiliza? É que não saiu daqui sozinha. Simon Yates a levou.”
Já estava dentro do carro, a caminho do hotel, quando liguei para ele. E nossa conversa, além de piorar o meu humor com ele me dizendo: “A não ser… que você ligue para o Simon, já que foi ele quem a levou embora”, ela também me paralisou no instante em que ouvi:
— Agora diz, Luca, para o papai: o que você quer?
— Eu quero a Em…
— Luca?! — chamei, sentindo algo dentro de mim se quebrar.
— Papai… — meu menino disse. — Eu quero a Emma.
Elas vieram sem aviso; as lágrimas escorreram pelo meu rosto sem que eu pudesse controlá-las. Apertei o aparelho contra meu ouvido como se aquilo me levasse para mais perto do meu filho.
— Luca… — disse entre as lágrimas. — Você está falando, campeão. — Um soluço escapou da minha garganta. — Você está falando…
— Papai, eu quero a Em… ela foi embora.
Fechei os olhos por um instante. Era tão bom ouvir a voz do meu garoto, mas uma tristeza me atingiu. Dois anos… foram dois anos esperando por esse momento e foi diante dessa situação que ele falou. E, o pior: eu nem estou lá para abraçá-lo.
— Me desculpe por isso, campeão. Papai está voltando e… — parei por um instante, ponderando minhas próximas palavras. — Papai vai falar com a Emma, e veremos de ela voltar. — Isso era tudo o que eu podia prometer a ele neste momento.
John me ligou e disse que estava tudo certo; Noah Blake conseguiu um jato para mim. Um voo direto me daria algumas horas de vantagem e, antes das 20h, estaria em casa. Embarquei, esperei a decolagem e, assim que foi liberado, peguei meu telefone.
Fiquei encarando o aparelho por alguns minutos. O comissário perguntou se eu queria beber alguma coisa; pedi um uísque. Ele trouxe e virei o copo de uma vez. "Coragem líquida", como Stan chama. Disquei o número sentindo a raiva borbulhar dentro de mim. Ele atendeu no terceiro toque.
— Dam, esperava por essa ligação — Simon disse com um sorriso na voz.
— Já que me esperava, vou poupar as formalidades — respondi, seco.
— Justo — Simon rebateu no mesmo tom. — Então me diz, meu amigo Damien Knight, em que posso te ajudar?
— Quero falar com a Emma — falei firme, sem espaço para questionamentos, antes de concluir: — Quero falar com a minha mulher.
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Alexander Sterling, Noah Blake e Damien Knight. O que eles tem em comum?? 🤔🤔

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