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O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio! romance Capítulo 46

Enquanto eu olhava para ele ali, sentado na beira da cama como uma estátua paciente, percebi que minha madrugada havia se tornado uma das coisas mais surreais que já experimentei. Primeiro, o pesadelo. Depois, Alexander, me observando como se estivesse em missão — não para me proteger de monstros sob a cama, mas talvez dos meus próprios. Quando chequei o relógio, já passava das três da manhã. A insônia não me incomodava tanto quanto o fato de Alexander ainda estar ali, imóvel, como uma estátua preocupada.

— Parece que você não consegue dormir — ele disse, quebrando o silêncio. — Quer que eu traga um copo de leite morno?

Eu franzi o cenho, confusa.

— Espera… você está aqui esperando eu dormir?

Ele assentiu, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Sério, como funciona a mente desse homem? Ele não poderia simplesmente dizer: “Charlotte, vou ficar aqui até você adormecer. Quer que eu apague a luz?” Porque, convenhamos, ninguém dorme bem com a luz acesa, brilhando mais que o sol.

Mas não, ele escolheu sentar-se ali em silêncio, me observando, enquanto eu me perguntava o que se passava naquela cabeça enigmática.

Ainda assim, não pude evitar sentir algo aquecer dentro de mim, uma pontada de ternura que eu preferia ignorar. Suspirei e respondi:

— Não. Se vai ficar comigo até eu dormir, faça direito. Deite aqui e apague as luzes.

Ele concordou sem hesitar. Levantou-se, apagou as luzes e, com passos firmes no escuro, deitou-se ao meu lado na cama, sem nenhuma cerimônia.

Se você está pensando por que ele aceitou minha sugestão tão... direta, sem qualquer interpretação secundária, bem, bem-vindo ao mundo de Alexander. Ele simplesmente não captava nuances ou insinuações. Era preciso ser clara ou tomar a iniciativa.

Alguns minutos se passaram desde que ele se deitou, e eu ainda encarava o teto, os pensamentos girando. Finalmente, virei-me na direção dele, a escuridão nos envolvendo como um manto.

— Você ainda está acordado?

— Sim — sua voz soou próxima, talvez ele também estivesse olhando para mim.

Esperei um pouco antes de arriscar:

— Alexander, o que eu estava dizendo durante o sono?

Ele hesitou.

— Acho que você não vai querer saber.

Rolei os olhos, mesmo sabendo que ele não veria.

— Só me diga.

Ele suspirou, e por um instante, pensei ter ouvido um traço de emoção em sua voz.

Ontem à noite, eu finalmente cheguei ao meu limite. Olhei para aquela refeição monumental e declarei:

— Não vou te ajudar a terminar isso. Coma sozinho. Não estou com fome.

Alexander não questionou, mas também não parecia satisfeito. Então, sim, minha decisão de cozinhar hoje era uma combinação de gratidão e medo de que ele pedisse um café da manhã para o prédio inteiro. Eu precisava equilibrar as coisas.

Peguei um pijama limpo no armário e fui para o banheiro. Durante o banho, acabei me encarando no espelho.

E, como sempre, meu cérebro decidiu que era o momento perfeito para reflexões existenciais.

“Eu não sou atraente como mulher?”, perguntei ao meu reflexo. Não era uma questão nova. Sempre que ficava sozinha com Alexander, ela ressurgia, me perseguindo como um eco.

Veja bem, estamos morando juntos. Sozinhos. Em um espaço pequeno. Legalmente casados. E, ainda assim, vivemos como dois irmãos — irmãos que mal se falam, diga-se de passagem. Eu chutaria e empurraria qualquer avanço indesejado, mas a questão é que ele nem tentou. Desde aquele beijo… aquele beijo impulsivo e desajeitado que trocamos e eu disse para esquecer, ele parecia ter colocado uma barreira invisível entre nós. E, por algum motivo, isso me incomodava.

Olhei novamente para meu reflexo. Não sou uma femme fatale. Meu rosto não é delicado, nem minha pele levemente dourada pelo sol. Tenho um corpo pequeno, o tipo que as pessoas não chamam de “fofo”, nem “tentador”. Talvez eu devesse me conformar com isso. Talvez o problema fosse simplesmente eu.

E foi assim que, em pleno sábado de manhã, nua no banheiro, acabei revisitando a mesma espiral de insegurança que me consumiu no primeiro ano de casados. Naquela época, cada dia que Alexander não me tocava me deixava mais ansiosa, mais incerta. Eu queria ser uma boa esposa, cumprir meu papel. E o silêncio dele, o distanciamento, apenas alimentava minha sensação de fracasso.

Respirei fundo e sacudi a cabeça, como se pudesse espantar esses pensamentos.

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