O pecado original romance Capítulo 68

A porta se abriu para revelar o salão do terceiro piso. As mesas, dispostas e forradas com toalhas e decorações em branco e dourado, ao contrário das mesas no piso inferior, distanciavam-se muito umas das outras, a iluminação geral era clara e convidativa, lançada por lustres dourados e repletos de prismas de vidro. Um pianista tocava suas sinfonias em um piano de cauda, trajado em um fraque escuro a um dos cantos e um maître os esperava à porta do elevador. No bar, um bartender esculpia um diamante de gelo para a bebida de algum empresário excêntrico de alguma das mesas enquanto um garçom depositava taças com líquidos de diferentes cores à uma bandeja para entregar os coquetéis que já haviam sido preparados.

— Boa noite ao casal, o cavalheiro gostaria que eu levasse seu paletó? – O maître falava com um forte sotaque que Eva deduziu ser francês.

Marcos, auxiliado pelo homem, despiu-se do paletó, mostrando seu largo peito coberto por uma camisa azul marinho.

— Por favor, me sigam. – Ele chamou, guiando-os até uma mesa para dois. – Eu me chamo Jean. Eu serei seu guia por essa noite.

Ao chegarem à mesa, Marcos puxou a cadeira para que Eva se sentasse e, então, sentou-se ele mesmo do outro lado.

Eva esperou que o maître os desse as boas vindas e depositasse os cardápios com a capa decorada em tecido pérola e arabescos em fios dourados, explicasse os pormenores e se retirasse polidamente.

— Eu não imaginava que o Jack Stakehouse tivesse um salão tão requintado. – Ela comentou. – Eu mal sei como me comportar aqui, Marcos.

Ele sorriu, levando a mão até a dela, apertando-a entre os dedos enormes.

— Tenho certeza de que está em seu habitat natural. – Ele lhe deu uma piscadela.

Eva sorriu de maneira tímida antes de puxar sua mão e, então, tomou um dos cardápios, transcorrendo os olhos pelos itens ali descritos, sentindo-se brevemente intimidada pelos preços exorbitantes.

— Eles têm foie gras. – Eva comentou, surpresa, levando a mão à boca e falhando em disfarçar o entusiasmo quase infantil. – Eu quero foie gras.

Marcos sorriu, encarando-a por sobre os olhos, claramente divertido com o ar inocente que ela exalava.

— Pois vamos pedir, então. – Os dentes de Marcos eram brancos e perfeitamente alinhados. – O pãozinho que eles trazem para comer com o patê é maravilhoso.

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