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Proibida para Mim: Apaixonado pela filha do meu amigo romance Capítulo 127

Aurora Rossi

Voltar pra Toscana foi como abrir um livro antigo, daqueles que a gente sabe decorado, mas evita reler porque cada página ainda machuca.

Eu não queria voltar.

Mas o corpo pediu pausa. A alma, então, já estava em coma. Foi minha mãe quem insistiu, com aquela voz entre o cuidado e a ordem: "Aurora, você precisa descansar. Isso não é só cansaço, é tristeza demais pro coração aguentar sozinho."

Ela não estava errada.

Depois que tudo desabou com o Lorenzo, eu fiquei… pequena. Invisível até pra mim. No começo, tentei seguir a vida em Veneza como se ele não tivesse deixado um vazio nos cantos da casa, nos detalhes da rotina. Mas a ausência dele era um grito em cada silêncio.

E foi assim, entre febres e lágrimas contidas, que voltei pra Toscana. A contragosto, mas sem escolha.

A casa dos meus pais parecia intocada. Os mesmos móveis, os mesmos cheiros, o mesmo quintal onde a gente corria de bicicleta fingindo que o mundo era nosso. Mas nada era igual. Porque eu também não era mais.

Durante os primeiros dias, evitei sair. Dizia que era devido à recuperação, mas a verdade é que tinha medo de encontrar ele. Medo de ver aqueles olhos que, por tanto tempo, foram meu abrigo… e agora seriam meu castigo.

Me escondi por semanas atrás de xícaras de chá e janelas embaçadas. Inventei ocupações, ajudei minha mãe com coisas que ela nunca pediu. E, em segredo, perguntava aos céus se ele ainda pensava em mim — mesmo sabendo que as respostas divinas não vinham com nomes.

Ouvi falar que ele tinha voltado. Primeiro pelos sussurros. Depois, pelos olhares carregados quando eu passava. A cidade é pequena, e os sentimentos maiores ainda. Mas não o procurei. Nem uma vez. Porque parte de mim ainda sangrava, e a outra parte... temia voltar a viver.

Até que naquela tarde, tudo mudou.

Estavam todos empolgados com o novo vinho. Era tradição: a primeira prova da safra reunia os amigos, os vizinhos, os curiosos. E minha mãe, claro, arrastou-me junto com um sorriso que não admitia recusas.

O campo estava cheio de gente. Risos, taças sendo erguidas, o cheiro doce da uva misturado ao calor da tarde. Eu tentava me distrair, fingir que estava bem. E, por alguns minutos, quase consegui.

Até que olhei pro lado.

E os olhos dele encontraram os meus.

Foi como levar um soco no peito e um afago na alma ao mesmo tempo.

Lorenzo.

Quase um mês sem o ver. Quase um mês evitando pensar no que sentiria se isso acontecesse. Mas ali estava ele. Os cabelos um pouco mais bagunçados, a barba por fazer, o olhar cansado… e absurdamente intenso.

Meu corpo congelou. A taça escorregou um pouco nos meus dedos, mas segurei. Não podia vacilar. Não ali. Não na frente de todo mundo.

Ele não se aproximou.

Nem eu.

Mas o mundo pareceu silenciar ao redor. Como se todos os sons tivessem se recolhido pra escutar o que nossos olhos diziam — e calavam.

Havia dor ali. Tanta.

Mas também havia algo mais. Algo que não tinha morrido. Que talvez nunca morra.

Desviei o olhar primeiro. Virei o rosto devagar, como quem guarda uma arma que não pretende usar. E fui embora alguns minutos depois, com o gosto do vinho misturado ao velho conhecido sabor da saudade.

Naquela noite, deitada na cama antiga do meu quarto de infância, fiquei olhando pro teto, lembrando do olhar dele. Do jeito como me viu, como se ainda me enxergasse por dentro.

E pela primeira vez em semanas, não chorei.

Não porque doía menos.

Mas porque, de algum modo… doía diferente.

Mais leve. Mais real. Mais vivo.

Como se aquele encontro silencioso tivesse reacendido algo.

Não esperança. Ainda não.

Mas talvez… a possibilidade… de um recomeço.

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