Cap.9
Selene entrou em casa sem fazer barulho, os saltos maltratando seus pés a cada passo. O batom borrado, os cabelos caindo dos grampos e o vestido vermelho colado à pele contavam uma história errada, a mesma que as amigas estavam prestes a acreditar ou deduzir, já que sabiam que ela havia saído com Mathias na noite anterior.
— Olha só quem resolveu aparecer! — Mima Lima, a melhor amiga que sempre trazia veneno disfarçado de sorriso, ergueu as sobrancelhas maliciosas.
Selene mordeu os lábios constrangida, afinal... raramente elas estavam acordadas tão cedo, e nem mesmo tinha dado sete horas da manhã, mas miseravelmente hoje, elas estavam de pé.
— E de vestido de matar… esse Mathias sabe mimar bem, hein? Está linda, mas o que aconteceu? Está só pó.
Katléia, deitada com um caderno sobre o colo, riu de canto, era a mais nova do grupo e normalmente ficava em casa enfiada no computador, escrevendo.
— Aposto que tem material para escrever um conto inteiro só olhando pra você agora, Selene. Essa cara de “noite intensa”… — piscou a outra amiga mais velha em provocação.
— Né, parece que Selene descobriu o melhor da vida! — mima brincou.
— Então é por isso que você não queria contar nada! A santinha não é tão santa assim! Não pode mais reclamar quando eu e a Mima vamos às festas.
Selene estacou, imóvel. O coração estava em pedaços, mas não tinha forças para explicar. Fingiu não ouvir; apenas ajeitou a alça caída do vestido e caminhou direto para o quarto, cambaleando sobre os saltos que agora se soltavam agressivamente dos pés a cada gesto, ela se perguntava porque não tinha os arrancado ainda.
— Ei, não vai contar nada? — insistiu Mima, com um tom ácido. — Ou será segredo de alcova?
Selene fechou a porta sem responder.
Dentro do quarto, a máscara caiu. O silêncio foi quebrado pelo som do zíper que puxou às pressas. O vestido deslizou pelo corpo e caiu no chão como um peso maldito.
— droga, o que vou fazer? — ela se perguntou mordendo a unha e olhando ao redor ate avistar aquele criado mudo onde ela mantinha seu segredo mais confuso.
Ela se ajoelhou diante a cômoda, abrindo a gaveta e com as mãos trêmulas agarrando a pequena caixinha onde guardava o anel.
— Por que eu pensei nesse anel? Será que posso tentar encontrar o dono? Ou vender? Ele parecia ser alguém importante... — apertou os lábios formando uma linha.
As lágrimas caíram sem controle em seguida.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!