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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 278

Cap.85...

POv. Katleia.

Entramos na mansão como três sombras em retirada.

O sol ainda era apenas um risco pálido no horizonte, mas para nós, cada segundo contava. Subimos a escada de serviço em um silêncio absoluto, interrompido apenas pelos nossos arquejos abafados e o som irregular de nossos passos.

Quando finalmente cruzamos o batente do meu quarto e trancamos a porta, o mundo pareceu, por um instante, voltar ao eixo.

Nos três desabamos na minha cama como se tivéssemos acabado de sobreviver a um naufrágio.

— Meu pé... eu sinto como se um elefante tivesse dançado em cima dele — Maju choramingou, esticando a perna com cuidado sobre a colcha, o rosto ainda marcado pelo cansaço da noite.

— Não reclama... — Mima resmungou, segurando a lateral do corpo com uma careta. — Minha costela parece que foi usada como saco de pancadas por aqueles brutamontes da Rose.

Eu não disse nada. Apenas comprimi os lábios em um sorriso cínico, sentindo uma dor que era completamente diferente da delas.

Meu corpo todo latejava, uma mistura de exaustão e uma sensibilidade nova que me fazia consciente de cada centímetro da minha pele.

Mima virou o rosto para o lado, me encarando com aqueles olhos que sempre pareciam ler minha alma. Ela notou o meu silêncio.

— Você vai contar, então? — Mima perguntou, a voz subindo um tom na curiosidade. — Vocês... vocês tiveram mesmo um momento? Quero dizer... aquele momento?

Eu senti minhas bochechas esquentarem instantaneamente, mas não desviei o olhar. Confirmei com a cabeça, balançando as pernas animada, sentindo um frio na barriga que nem a dor conseguia apagar.

Mima ficou sem reação por um segundo, a boca levemente aberta.

— E você... você não sentiu medo? Katleia, depois de tudo o que você passou... como conseguiu?

Eu suspirei, olhando para o teto de gesso.

— Sabe, Mima... parece que o Átila fez algo. Eu me sinto confortável com ele de um jeito que não consigo explicar. O medo ainda está aqui, eu sinto ele no fundo da garganta toda vez que alguém estranho se aproxima ou tenta me tocar... mas quando estou com ele? Eu me sinto realmente segura. É como se o mundo lá fora não pudesse me alcançar enquanto eu estiver nos braços dele.

— O amor faz coisas estranhas com a gente — Maju comentou, com aquela inocência que às vezes me assustava. — O romance que você está escrevendo agora... é inspirado nele, não é? No Átila? Você contou para Mima?

— Minha Nossa senhora! — Mima bateu na testa.

Mima suspirou pesadamente, ajeitando-se na cama com um gemido.

— Pra mim, ainda vem bastante problema por aí. Os Bertans trabalham ao lado da justiça, da lei, da ordem. E os Felix... bom, vocês já sabem como a organização Corvo opera as atividades criminosas que são um problema para a cidade. É o gelo contra o fogo. Mas não devemos nos meter nisso agora.

— É — Maju concordou, fechando os olhos. — Agora, a única coisa que eu quero é dormir dez anos seguidos e torcer para que, quando eu acordar, meu pé não esteja roxo.

— E eu — sussurrei, puxando o lençol para cima — também so quero dormir...

Ficamos ali, as três, unidas pela dor, pelo segredo e por uma lealdade que ia além dos muros daquela mansão.

Em Monselha, o amor era perigoso, mas a amizade era o que nos mantinha vivas no final.

Mas de certa forma nem consegui descansar, minha ansiedade estava em começar a criar novas cenas para minha nova historia, queria escrever criar novos momentos, é diferente quando vivemos a experiência e conhecemos a sensação.

Além de que parece que realmente consegui um novo fã masculino, nem acredito nisso! Ele vai de contra a qualquer contraste daquele Hater.

Que mais uma vez me enviou e-mail tentando negociar o inegociável, uma vez que os Bertans colocar as mãos nele, ele vai lidar com a justiça sem usar o poder seja lá do que for para ficar adiando, ele vai saber o que é uma pessoa que não pode ser comprada.

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