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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 279

Cap 86.

A manhã na mansão dos Félix não trazia o frescor habitual do orvalho, trazia o cheiro pesado de tabaco caro, café amargo e uma tensão que ameaçava explodir as paredes de carvalho do escritório.

O patriarca, Alex Félix, havia convocado seus três herdeiros.

Adon, Átila e Axel estavam sentados à mesa de reunião. Três homens que carregavam o sobrenome que fazia a cidade tremer, mas que, naquele momento, mantinham as cabeças baixas, inquietos, como predadores encurralados pela própria linhagem.

Alex bateu com as mãos na mesa, fazendo as xícaras de porcelana tilintarem. Seus olhos injetados de fúria fixaram-se em Átila.

— O que foi aquilo, Átila? — a voz de Alex era um rosnado contido. — Com quem você passou a porcaria da noite?

Átila nem sequer se deu ao trabalho de empertigar a postura. Deu de ombros, a arrogância fluindo por seus poros.

— Não passei a noite com ninguém que interesse ao conselho, pai. E já vou avisando, eu não vou me casar com a Rose. Podem riscar meu nome desse convite.

— Vocês querem me ferrar com o embaixador? — Alex levantou-se, contornando a mesa como um lobo prestes a atacar. — Agora, mais do que nunca, eu preciso entrar no meio político por causa dos Bertans! Estamos em contagem regressiva. Se eu não consolidar essa aliança, o domínio dos Corvos vai cair. Só falta mais uma parte da cidade para tomarmos o controle total, mas se os Bertans começarem a agir antes da minha posse, como vamos continuar escondendo nossas atividades? O embaixador é a nossa chave, e a filha dele é o preço!

Átila levantou o rosto, um sorriso amargo distorcendo suas feições.

— Então o preço está inflacionado. Eu não vou me casar com aquela marmita. Ela se vende como moça pura para o senhor e para a imprensa, mas por trás das cortinas, passa as noites com o amigo de infância e metade da equipe de segurança. Você quer me jogar no colo dessa mulher? Você já considerou que sou seu filho?

— Por Deus, Átila! — gritou Alex, socando a mesa novamente. — Neste momento, a castidade dela não é a questão! Alguém vai ter que se sacrificar pela família. É uma transação comercial, não um conto de fadas!

— Pois que não seja eu! — Átila gritou de volta, levantando-se parcialmente da cadeira.

Axel, por sua vez, mantinha a cabeça baixa, mantendo-se como uma incógnita na conversa, enquanto Adon observava tudo com uma neutralidade fria. Alex parou diante de Átila, os olhos estreitos.

— Você acha que eu não sei, Átila? Acha que sou cego? Eu sei que você está se aproximando daquela garota... a Katleia. Dezenove anos? Não acha que já está grandinho demais para esses joguinhos de sedução com crianças?

Átila bufou, ajeitando o paletó.

— Desde quando na máfia temos preconceito com idade? Ela é mulher o suficiente para o que eu pretendo.

Adon, que até então estava em silêncio, encarou o irmão com uma severidade gélida.

— Eu te disse para não se aproximar dela, Átila. Não misture os negócios com a Katleia. Você já viu como ela é arredia com questões masculinas, ela tem traumas e a proteção de Selene, e você sabe como Selene é quando é para proteger as amigas. Deixa essa menina em paz.

Átila soltou um sorriso cínico, olhando para Adon e depois para o pai.

— Relaxa, irmãozão. Eu quero aquela menina para mim, e eu sempre consigo o que quero. Só não conta para a Selene ainda... ela não lida bem com a concorrência.

— O que você quer com aquela menina? — Alex perguntou cético.

— eu disse, como ser mais claro, eu quero aquela menina para mim! Ah... quer saber? — atila se levantou como se tivesse tido uma boa ideia. — porque não tenta conhecer ela? Katleia é o tipo de garota que é impossível não amar, quando você conhecer ela... será como uma filha, estou falando muito serio, Katleia é um tipo de mulher completamente amável.

— Seu desgraçado, você quer matar toda a nossa família com essa conversa patética? Você ainda é mafioso? Ainda sabe pegar em uma espada?

— por ela eu levanto uma bandeira branca! — ele disse de forma sínica, provocando alex.

— Adon... — Alex suspirou massageando a tempora. — você já sabe algo? O que Selene estava procurando nos bertans? O que eles podem ser mais útil que os Felix?

— Parece que... era ajuda judicial, algo esta acontecendo, mas ela não quer contar, nem parece que somos casados, mas todas as amigas delas já estão sob investigação, mas isso não vem ao caso, como vocês sabem, não existe possibilidade de eu me casar com rose isso já faz tempo, por enquanto eu sou quem mantem o império Felix de pé e sucedo a Don futuramente, mas... atila ainda tem que fazer a parte dele.

— Minha parte será sair daqui e ir encontrar a única mulher que estou interessado. — ele disse indiferente cruzando os braços.

Alex apontou o dedo em acusação para Átila, mas logo desviou o foco para Axel. O filho mais novo tossiu, desviando o olhar para a janela, tentando desesperadamente não ser o próximo alvo.

— E você, Axel? — perguntou o Don. — O que tem a dizer sobre o seu futuro?

Axel virou o rosto lentamente, a expressão sombria.

— Se você me enfiar nessa roubada, eu prometo uma coisa, a Rose não dura quinze minutos viva após o anúncio de que eu sou o próximo na linha de sucessão. Ninguém vai me obrigar a casar com uma fachada.

Alex cambaleou para trás, chocado com a rebeldia unânime.

— Ela foi criada pela mãe e pelo padrasto, não foi?

— Sim — respondeu Adon. — Ainda estou investigando os detalhes, tentando localizar o paradeiro do padrasto. É um rastro difícil de seguir, como suspeito, ele pode não ser alguém comum, atila acha que não percebi, mas depois que ele começou o tratamento de Katleia, ele parece que descobriu mais coisas do que aparenta, afinal... ele aumentou a segurança da mansão além do planejado e atila não é de se precaver de forma tao meticulosa se não tiver acontecendo algo realmente serio.

— então é provável que esse homem vá atrás dela na mansão? — Alex perguntou.

— É bem provável que ele já esteja atrás dela, apenas esperando uma brecha na nossa segurança — Adon cruzou os braços. — O problema é que não conseguimos encontrar nem ele, nem a mãe. Eles sumiram do mapa de forma profissional demais para civis comuns, estou me sentindo amador, mas... tenho suspeitas que ele sabe exatamente em qual parte da cidade não é domínio dos corvo.

Alex franziu o cenho, o instinto de proteção falando mais alto.

— Isso pode ser perigoso para a Selene também, se esse homem aparecer e houver um confronto.

— Sim — confirmou Adon. — O padrasto tem uma rede de apoio suspeita, há pessoas poderosas escondendo a localização dele. Alguém não quer que ele seja encontrado, descobri que ele fazia bastante dinheiro de forma ilegal na época, eu tenho suspeitas que o que ele fez com Katleia seja algo que ele já tinha costume de fazer anteriormente.

— Precisamos saber o quanto antes que tipo de pessoas são essas — Alex bateu com o copo na mesa. — Vou dar um jeito de descobrir através da Katleia com que tipo de gente estamos lidando. Talvez ela saiba de algo, algum detalhe da infância...

— Ela não vai lembrar, pai. Nem tente perguntar isso, o problema é esse, perguntar qualquer coisa disso a ela. — Adon interveio rapidamente. — A menina tinha entre dez e onze anos na época. Ela não entendia a gravidade do que acontecia ao redor dela. Para ela, eram apenas sombras. Se você pressionar, só vai causar algo pior.

Alex suspirou, recostando-se na cadeira com uma resiliência cansada.

— Vou apenas observá-la. Quero ver com meus próprios olhos essa influência que ela exerce.

Adon deu um meio sorriso, algo raro e breve.

— Átila tem melhorado as atitudes dele, por incrível que pareça. Afinal... ele não matou a Rose, nem a levou para um cativeiro para torturá-la de novo após o último incidente. Pode ser que a Katleia seja a influência positiva que ele precisa, Você sabe que, mais do que a menina, é o Átila quem precisa de tratamento, de certa forma. A Katleia é o seu calmante natural, mas sei que isso não vai durar muito,

Adon caminhou até a porta, mas parou antes de sair, olhando para o pai sobre o ombro. — Olha... amanhã as meninas começam a estudar. Pelo que sei, apenas a Katleia vai ficar em casa pela manhã. Normalmente, ela fica no computador, escrevendo. Você poderia ir até a mansão amanhã cedo, dar um passeio pela casa e tentar conversar com ela. Como ela já te conhece de vista, não ficará tão receosa.

Alex assentiu, um plano se formando em sua mente.

— Ok... amanhã.

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