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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 276

Capítulo 83: O Resgate do Caos

(Ponto de Vista: Maju)

O chão do hotel era frio, mas nada se comparava ao frio que subia pela minha espinha enquanto eu via aqueles homens enormes nos cercarem. Eu estava encolhida, sentindo o ardor no meu rosto onde o tapa de Rose havia pousado. Minha visão estava embaçada pelas lágrimas, e eu soluçava, segurando Mima com toda a força que minhas mãos pequenas podiam reunir.

Ela estava sendo arrastada, se debatendo, gritando para que me deixassem em paz, mas ninguém se metia.

Os hóspedes desviavam o olhar; para eles, éramos apenas parte de uma briga de gente importante.

Eu pensava, entre um soluço e outro, que nunca mais passaria por isso. Desde que fui vendida pelos meus pais, achei que o pior já tinha ficado para trás.

Na mansão, apesar de tudo, ninguém nunca tinha levantado a mão para mim. E agora, ali, eu me sentia aquela mesma menina indefesa de novo.

Chorei mais forte quando um dos seguranças segurou meu braço com força, apertando o osso, pronto para me jogar para fora como se eu fosse lixo.

De repente, uma voz cortou o corredor. Uma voz que não era alta, mas que fez o chão tremer sob meus pés.

— Quem se atreve?

O homem que me segurava foi puxado bruscamente. Eu vi apenas um vulto escuro, um sobretudo longo e pesado, e então o impacto.

Axel desferiu um soco tão pesado no rosto do segurança que o som do osso batendo contra o punho ecoou pelas paredes.

O homem caiu instantaneamente, inconsciente, antes mesmo de tocar o chão. Eu pisquei, sem acreditar na força bruta que emanava daquele homem.

Rose recuou, o rosto pálido de puro medo. Mima aproveitou o choque para se recompor, ajeitando o cabelo com as mãos trêmulas. Ela se levantou rápido e me puxou para longe do círculo de violência.

— Vem, Maju! Levanta! — ela sussurrou com urgência.

Tentei ficar de pé ate conseguir dá alguns passos para longe, mas um dos homens de Rose havia pisado no meu tornozelo durante a confusão. Senti uma pontada aguda e soltei um grito de dor, caindo de novo no carpete. Meu pé estava latejando. Enquanto isso,

Encarei Axel não tinha terminado. Ele parecia um demônio furioso disfarçado em um homem elegante, rose ainda estava no chão após o tapa.

Ele não parecia que estava perto de parar, pelo que me lembro... bom... eu não cheguei a ver exatamente o que aconteceu naquele beco, mas sempre que ouço os dois irmãos dele comentar algo é sempre sobre seu descontrole e poder destrutivo quando estar descontrolado e que mesmo axel sendo o mais de sorriso solto, ele poderia ser realmente problemático e... isso estava acontecendo na minha frente.

os punhos cerrados, avançando sobre os outros seguranças que tentavam conter sua fúria, piorou quando ele tirou um canivete do bolso e se aproximou de um dos homens que mesmo sem forças tentou se afastar em pânico.

Rose gritava para ele parar, mas ele só parou quando finalmente viu meus olhos assustados o assistindo.

— Axel! — Gritei... mas travei sem saber o que dizer, ele não podia matar aquelas pessoas... no final... só eram seguranças trabalhando... e obedecendo ordens, ele não podia.

Axel congelou. Ele virou o rosto em minha direção e o fogo em seus olhos mudou para algo que eu não soube decifrar. Ele caminhou até mim, ignorando os homens e Rose completamente, e se ajoelhou, guardando o canivete.

— Você está bem? — ele perguntou. Sua voz estava diferente. Ainda era Axel, mas não era o Axel que dava ordens.

— Meu pé... eu machuquei o pé. Está doendo muito — eu solucei, cobrindo o rosto, admito que estou sendo um pouco mais dramática só por ele ter se controlado quando viu minha situação, pode ser que seja melhor para ele, já que estamos no Hotel do próprio pai dele isso pode acabar manchando sua imagem.

Sem dizer uma única palavra de aviso, ele passou os braços por baixo de mim e me levantou. Senti o cheiro de couro e algo fresco vindo dele. Eu me senti minúscula em seus braços, mas, pela primeira vez em minutos, o tremor no meu corpo começou a diminuir, mas também de alivio do perfume dele não ter resquício de sangue.

— Onde está o Átila? — ele perguntou, olhando para Mima com um olhar inquisidor.

Mima olhou para mim e balançou a cabeça bem devagar, um sinal quase imperceptível para que eu não contasse sobre o que estava acontecendo na suíte. Ela sabia que, se Axel entrasse lá agora, o segredo de Katleia estaria exposto.

— Ele... ele já foi levado para o médico — Mima mentiu, a voz ainda um pouco trêmula. — Ele não estava bem, nós conseguimos tirá-lo de perto daquela mulher.

Axel estreitou os olhos, processando a informação. Ele olhou para a porta da suíte e depois para mim, aninhada em seu peito.

— Sério? — ele murmurou, parecendo desconfiar, mas sem querer pressionar. — Então... tudo bem. Vou levar vocês à enfermaria do prédio. Eles podem examinar o seu pé rápido e garantir que voces não tenham nada quebrado.

Ele começou a caminhar, me carregando como se eu não pesasse absolutamente nada. Mima vinha logo atrás com a mao do lado, com certeza ela tinha machucado a costela enquanto me protegia das agressões daqueles homens, ainda assim, mesmo machucada ainda lançava olhares de ódio para Rose, que ainda estava parada no corredor, humilhada.

Eu escondi meu rosto no ombro do sobretudo de Axel. Ele era assustador, sim, e eu sabia que ele era um homem que ainda era cheio de segredos que eu não tinha ideia, mas naquele momento, enquanto ele me levava para longe da dor, eu só conseguia pensar que ele tinha me salvado de novo.

— Obrigada, Axel — sussurrei baixinho, quase sem voz.

Ele não respondeu com palavras, mas senti seus braços me apertarem um pouco mais firme, um gesto silencioso de proteção que eu nunca esperei receber de alguém como ele. Seguimos pelo corredor, deixando o caos para trás, rumo ao silêncio seguro da enfermaria.

O cheiro de antisséptico da enfermaria do complexo Felix era sufocante, mas eu mal conseguia me concentrar nisso.

Meu tornozelo pulsava em uma batida rítmica de dor, e o lado do meu rosto, onde a mão do segurança de Rose havia estalado com tanto ódio, parecia estar pegando fogo. No entanto, o que realmente me deixava atordoada era a presença de Axel.

Ele estava parado ao pé da maca, com os braços cruzados sobre o peito e aquela expressão gélida que parecia esculpida no mármore. O médico, um senhor de cabelos brancos que já devia ter visto de tudo naquela organização, estava visivelmente nervoso. E o motivo era Axel.

Toda vez que o médico movia as mãos para ajustar a faixa no meu pé, Axel dava um passo à frente, estreitando os olhos.

Quando o doutor, por puro reflexo profissional, tocou minha panturrilha para estabilizar a perna e examinar os arranhões, Axel soltou um som baixo, como um rosnado contido.

— Você está me dizendo o que eu devo fazer para quando você for embora? — perguntei, a voz um pouco trêmula.

— Estou dizendo o que você deve fazer quando eu estiver longe — ele corrigiu, o olhar fixo em algum ponto acima da minha cabeça. — Porque eu não vou estar aqui para te proteger. Você precisa aprender a não ser um alvo.

— Você tem mesmo que ir? — As palavras saíram antes que eu pudesse contê-las. — Não pode ficar aqui? Na mansão Felix?

— Preciso ir. Eu não quero ficar em Monselha, Maju. De jeito nenhum.

A raiva me deu um estalo de coragem. Eu bati o pé no chão, esquecendo completamente da lesão.

— Mas eu não quero que você vá! Ai! — O grito de dor veio logo em seguida. Meu tornozelo protestou violentamente e eu vacilei.

Axel me segurou pelos ombros antes que eu caísse, um sorriso curto e quase imperceptível surgindo no canto de sua boca.

— Claro. Quem manda agir como uma criança mimada fazendo birra? B**e o pé logo o que está machucado.

Eu abaixei a cabeça, tentando segurar as lágrimas que eram metade de dor, metade de tristeza. O corredor estava gelado, o ar-condicionado do hotel parecia soprar inverno diretamente na minha pele. Comecei a tremer, meus ombros subindo e descendo.

Axel olhou ao redor, notando o frio.

— De fato, aqui está bem frio por ser uma enfermaria — ele murmurou.

Então, ele fez algo que eu nunca vou esquecer com certeza. Ele abriu os botões do seu sobretudo escuro e o afastou, como se estivesse abrindo as asas. Eu o encarei sem reação, paralisada. — O que você está fazendo?

Antes que eu pudesse recuar, ele me puxou. Senti seus braços fortes me envolverem e, de repente, eu estava escondida dentro do seu sobretudo, prensada contra o seu peito quente. O tecido era pesado e cheirava a ele — um perfume amadeirado, caro e másculo, misturado com o cheiro da noite de Monselha.

Ergui o rosto para olhá-lo, mas Axel mantinha a cabeça erguida, encarando o teto com uma expressão de quem estava fazendo um sacrifício imenso, mas o abraço dele... o abraço era firme. Era protetor. Era quente de um jeito que eu nunca tinha sentido antes.

Eu não pensei duas vezes. Passei meus braços em volta da cintura dele e o apertei também, escondendo o rosto em sua camisa. Quando eu vou ter a chance de novo?, pensei, sentindo as batidas do coração dele ecoarem contra o meu ouvido.

— Sabe, Axel? — sussurrei contra o peito dele.

— O quê? — a voz dele vibrou dentro da caixa torácica, profunda e baixa.

— Eu vou esperar — eu disse, fechando os olhos e me deixando levar por aquele calor proibido. — Eu vou esperar até o dia que você volte para Monselha.

Senti um suspiro longo dele, e por um momento, apenas por um momento, a mão de Axel pousou no meu cabelo, escondendo-me ainda mais sob seu casaco. Ele não prometeu voltar, mas naquele abraço, ele me deu um motivo para acreditar que, talvez, o predador tivesse encontrado algo que valesse a pena resgatar.

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