Na adega, Richard se tranca com Madeline esperando que ela se acalme.
— O que foi que você acabou de fazer, Madeline? — pergunta, tentando manter a calma.
— Vim ver como vocês dois estão agindo como uns descarados na casa dos seus pais — responde, achando que está com toda a razão.
— Nós já terminamos e você ainda acha mesmo que pode fazer isso, hein? — contesta. — Acha que pode insultar a Alice como se nada fosse acontecer com você?
— Eu a insultei porque ela merece! Aquela mulher veio para cá apenas para tentar você.
— Para com isso, eu não admito que diga nada sobre ela, está me ouvindo? — adverte.
— Estávamos nos dando bem, tudo estava ocorrendo conforme o planejado, mas você se alterou completamente e esqueceu de tudo o que havia prometido.
— Tudo bem, é isso que você quer ouvir? — pronuncia. — Sim, eu me esqueci de tudo o que te prometi, me esqueci do que fizemos e de como isso afetou a sua vida. Estou ciente de todas essas coisas e assumo o meu erro, mesmo assim, não retrocederei na minha decisão. Eu não vou me casar com você, Madeline, de modo algum, porque eu não a amo! Não a vejo como mulher e, mesmo que a Alice não tivesse aparecido, creio que arrumaria uma desculpa apenas para fugir dessa farsa de casamento.
— Você é tão insensível, Richard, jamais esperaria isso de você.
— Se me acha insensível, serei insensível — replica.
— Você mudou, não é mais a pessoa que convivi desde a infância.
— As pessoas mudam Madeline e se a pessoa que me tornei é tão ruim para você, apenas suma daqui e não me veja nunca mais.
Madeline caminha de um lado para o outro da adega, tentando entender como Richard está tão obcecado por Alice.
— O que ela te deu que eu não te dei, me diz?
— Meu Deus, Madeline, sempre o mesmo? Muda a droga desse disco, que já estou cansado! — grita, sem paciência. — Sempre é a mesma história diversas e diversas vezes. Não há nada de novo que você me pergunte que já não saiba a resposta.
— Eu só estou tentando te fazer enxergar no meio desse caos. Sou uma pessoa de boa família e de boa índole, sou bonita, inteligente, tenho uma carreira promissora e pertenço à mesma classe social que a sua. Nossas famílias são conhecidas e todos adoraram a notícia do nosso noivado. Somos um casal perfeito, Richard.
— Você só está repetindo as coisas que os outros dizem, deveria olhar para nós dois. Madeline, toda vez que te vejo, perco a paciência e parece que estou num inferno. E isso é que nem nos casamos ainda, imagina como seria daqui para a frente se considerássemos dar continuidade com isso? Eu nem quero imaginar a que ponto chegaríamos. — Comenta, sentindo um arrepio no corpo por pensar nas coisas que poderiam acontecer com os dois morando sob o mesmo teto.
— Olha só para o que nos tornamos, Richard, nem nos meus piores sonhos pensei que chegaríamos a ter uma conversa tão desagradável feito essa. Estou me sentindo o pior ser humano do mundo com tudo isso.
— Você não é ruim, Madeline — se aproxima dela, querendo colocar um pouco de lucidez. Carinhosamente ele toca o rosto dela, tentando acalmá-la. — Volte para a sua casa e coloque a sua cabeça no lugar.
— Eu não consigo imaginar te perder, Richard — diz, entre lágrimas, ao sentir o toque da mão dele sobre a sua face. — Eu estava vivendo tudo o que sonhei há tanto tempo com você, que não consigo imaginar a minha vida depois que tudo isso acabar. Como ficarei, Richard? Como posso viver sem você na minha vida?
— Sua vida irá continuar comigo ou não. Tome o controle dela, faça as coisas que você mais ama, com o tempo voltará a se lembrar de como era antes de mim.
— Eu não consigo — diz, fechando os olhos e aproveitando o toque dele. — Eu não consigo imaginar não sentir seus beijos, seu toque — sussurra.
A fala de Richard lhe gera revolta, mesmo assim, Madeline já se expôs demais para retroceder.
— Tudo bem, eu vou, mas só após você fazer comigo o que estava fazendo com ela — sugere.
Richard nega com a cabeça, sem acreditar em que ponto Madeline havia chegado em sua vida para gostar tanto de se humilhar.
— Você não tem vergonha das coisas que anda fazendo? — questiona-a.
— Eu não tenho mais vergonha de nada — revela. — Foi você que me tornou a pessoa que sou hoje. — explica, sentando-se na mesa e o olhando fixamente. — Estou te dando uma saída rápida, Richard. Se me agradar, irei deixá-lo para sempre.
— Tenha mais amor-próprio, Madeline — pede, sentindo-se constrangido por ela.
— Não me diga o que devo ter — revida. — Estou ciente de que te perdi, então apenas me deixe sair desse relacionamento com dignidade — implora.
— Acha mesmo que o que está me pedindo é digno? Isso te deixa mais rebaixada.
— Não me importo! — grita, descendo da mesa. — Eu não me importo com mais nada. Já estamos aqui, Richard, e sei que você tem pressa para resolver isso, então faça amor comigo aqui e agora! — Se aproxima dele, tocando a sua camisa que já está meio desabotoada. Ela segura o colarinho de sua camisa e se aproxima de seu ouvido, sussurrando. — Prometo que, depois disso, saio da sua vida para sempre. Está nas suas mãos a decisão.
A proposta é atraente o bastante para despertar o interesse de Richard em terminar com tudo aquilo de uma vez por todas.

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