Mesmo cansado, ele resolve ouvir o rapaz.
— O que quer?
— Quero te pedir desculpas por aquele dia — revela. — Eu jamais tocaria em você, mesmo com a ordem da Madeline. Eu o respeito muito — confessa.
— Eu sei, eu o conheço há um tempo e sei que me respeita.
— Não quero ser indiscreto, mas percebi que vocês estavam brigando. Por acaso aconteceu alguma coisa aquele dia? — insiste.
— A Madeline é teimosa e, quando quer, faz de uma simples conversa um campo de guerra. Foi o que aconteceu naquele dia, eu disse algo que ela não se agradou e por conta disso, começou com aquela histeria toda.
— É, eu já percebi que ela tem um gênio forte.
— O problema é que esse gênio dela está acabando com tudo. Eu só queria arrumar uma forma pacífica de resolver as nossas diferenças, mas ela insiste em ir para o lado desafiador.
— Vocês estão bem?
— Não, não estamos bem, mas parece que ela não compreende isso e insiste em continuar com esse relacionamento absurdo.
— Como assim? — questiona curioso.
Richard o encara, percebendo que Adrian quer saber demais. Por mais que Adrian fosse uma figura conhecida daquela casa e que ocasionalmente trocavam algumas palavras, sabia que não devia contar sobre as particularidades das coisas que aconteciam na casa da família Jones.
— Não se preocupe com isso, as coisas irão se estabilizar — toca o ombro do rapaz. — Tenho que ir agora, não se preocupe com aquele dia, eu sei que você não faria nada que me ofendesse.
Richard entra no carro e sai dali sob o olhar de Adrian, que fica reflexivo quanto ao que ele disse.
“Ele está tentando terminar o noivado?”, se questiona, caminhando pelo quintal fazendo a sua ronda noturna. Enquanto caminha pelo arredor da casa, ele vê a janela do quarto de Madeline e nota que a luz está acesa. Indiretamente, seus pensamentos vão em direção ao que aconteceu ali. Pensar que teve a oportunidade de beijar a sua boca e tocar naquele corpo que tanto almejou o faz sentir seu coração pulsar. Tudo que Adrian queria era mais uma oportunidade de poder repetir aquilo, mas sabia que o que aconteceu foi porque Madeline o usou. Talvez ela estivesse brigada com Richard e queria se vingar dele naquele dia. O problema é que, quando ela resolveu se vingar de Richard, acabou machucando o coração do rapaz, que era apaixonado por ela.
Os sentimentos de Adrian eram puros e cheios de boas intenções, seu erro foi cair rapidamente na lábia dela, sem pensar no que sentiria depois. Entretanto, ele não sentia raiva do que Madeline fez, no seu interior sentia que poderia ter uma oportunidade para mostrar e falar dos seus sentimentos abertamente.
Deixando de lado a vista para a janela do quarto, continua a sua caminhada. A mansão onde a família Jones mora é grande, cheia de plantas e árvores grandes em volta. Adrian caminha atento por saber que, desde que Donald se candidatou para concorrer a governador da Califórnia, a sua vida e de sua família podiam correr perigo por conta da oposição, que o considerava um oponente muito forte.
Enquanto caminha pelo segundo jardim, o qual é mais distante da casa, ele vê um vulto passando, segue rapidamente o vulto e vê para que direção ele está indo. Quando se aproxima mais, ele avista Madeline. Ela se senta num dos bancos do segundo jardim. Adrian a observa em silêncio.
Madeline está pensativa, olhando para o céu. Parece querer chorar, mas tenta segurar as lágrimas. Na sua mão, segura um terço branco feito de pérolas, presente de sua bisavó. Havia ganhado quando completou quinze anos.
— Como pode ser perigoso se o meu pai paga pessoas como você para cuidar da casa?
— Eu sei, não é isso que quis dizer — reponde sem jeito, percebendo que ela está de mau-humor. — Me desculpe. É que vi você aqui sozinha, pensei estar precisando conversar.
— Fiz questão de vir para cá para não ser incomodada. Faça apenas o seu trabalho e vá embora — ordena, sem demonstrar nenhum tipo de empatia.
Adrian olha para ela e percebe que Madeline está se fazendo de durona. Então se aproxima mais um pouco e se agacha, ficando na mesma altura que ela, sentada.
— Já faz uns dias que noto o quanto você anda triste e me dói muito te ver assim. Sei que estou sendo inconveniente, mas só estou fazendo isso porque gosto de você, Madeline. — Ela levanta a cabeça e o olha nos olhos. — Você é especial demais para sofrer por alguém, merece alguém que a ame e lhe trate como você merece.
— E por acaso essa pessoa é você? — Zomba, rindo com cinismo.
— Se você deixasse, sim. Faria de tudo para conseguir o seu amor se você me desse uma oportunidade.
Por mais que estivesse zombando do rapaz, Madeline nota o quanto ele é sincero nas palavras e nos sentimentos. Sabe que Adrian a ama de verdade e aquilo a constrange.
— Não deve gostar de mim, não sou a pessoa que imagina ser. Eu não tenho sentimentos por você e estou arrependida do que fiz naquele dia. No meu coração só tem lugar para o Richard e, embora não estamos nos dando bem agora, creio que iremos nos resolver em breve, então guarde os seus sentimentos para alguém que os queira — diz, levantando e saindo dali, deixando Adrian sozinho.

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