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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 105

DAMIAN WINTER

O fim de semana parecia se aproximar na velocidade de uma tartaruga. Cada hora que eu passava ao lado de Danian só aumentava a vontade de ver Apollo e Orion correndo pelo apartamento, enchendo aquele silêncio de risos. Eu precisava daquele barulho, também precisava ter a chance de ao menos olhar para Stella. Falar com ela no telefone não ajudava em nada.

Na sala, Danian estava deitado no tapete, montando uma pista de corrida com peças coloridas. O sol da manhã entrava pelas cortinas, criando desenhos quentes sobre o chão.

— Papai, olha! — ele exclamou, mostrando como o carrinho fazia uma curva perfeita.

Sorri, sentado no sofá com um notebook no colo.

— Impressionante, campeão. Vai me ensinar depois?

Ele assentiu com entusiasmo e voltou à brincadeira.

Voltei a atenção para o trabalho. As pastas abertas no notebook mostravam gráficos, contratos e uma série de mensagens codificadas. Depois de dias de coleta silenciosa, eu finalmente tinha material suficiente para expor a fraude que a Pósitron tinha.

Era irônico: ela tinha usado esse argumento para nos difamar, mas esqueceu que tinha telhado de vidro. Agora, era só colocar as provas certas nas mãos certas.

Cliquei em “anexar arquivos” e escrevi um texto simples: “Provas de fraude interna. Fontes pedem anonimato. Chequem imediatamente.”

Revisei o material mais uma vez. Não havia nada que pudesse ser ligado a mim. Tudo só apontava diretamente para Sophie e para quem quer que estivesse por trás dela.

Era mais meu contra-ataque. Enviei o arquivo para três veículos especializados e um jornalista financeiro que eu sabia ser implacável com fraudes. O sistema acusou envio bem-sucedido.

Sorri fechado o notebook e Danian levantou o rosto curioso.

— Papai, acabou?

— Acabei, sim. — Deixei o computador sobre a mesa de centro. — Agora é só brincar com você.

Ele bateu palmas, comemorando. Eu me joguei no chão ao lado dele, ajudando a encaixar mais uma curva na pista improvisada.

Quando o céu começou a ganhar tons alaranjados, a notícia da fraude que a Pósitron havia cometido estava em todos os lugares e eu não poderia estar mais satisfeito.

SOPHIE PÓSITRON

A taça de cristal estava quase vazia, e eu girava o vinho lentamente, observando os reflexos carmesins contra a luz que entrava pelas cortinas abertas. O apartamento estava preenchido pela música suave que Nathan colocara, um ritmo lento, que me dava preguiça.

Nathan estava encostado na bancada da cozinha, com a camisa branca aberta e mangas dobradas até o cotovelo.

— Ele ainda não ligou. — Minha voz saiu mais azeda do que eu pretendia.

Nathan ergueu os olhos, e aquela expressão meio divertida apareceu.

— Você está falando do seu querido marido? — disse, apoiando o cotovelo no balcão. — Sophie, por que você ainda se importa com o que Damian faz ou deixa de fazer?

Bebi um gole demorado antes de responder. O vinho estava na temperatura perfeita, mas não me relaxava como deveria.

— Não é que eu me importe. É que ele saiu e ainda levou o pirralho com ele como se tivesse a última palavra. Parece que gosta de me provocar. — Revirei os olhos.

Nathan riu baixo, aquela sua risada que sempre soava um pouco insolente.

— Você devia parar de perder tempo tentando entender o Damian. — Ele pousou o celular na bancada e se inclinou. — Devia deixar esse casamento morrer de vez. Ficar comigo e pronto.

Arqueei uma sobrancelha, divertindo-me com a ousadia dele.

— Você fala como se tivesse algo realmente tentador a me oferecer, Nathan.

Ele se aproximou, deslizando a mão pelo meu quadril.

— Eu tenho. — Seus dedos fizeram um caminho lento pela seda do meu vestido. — Atenção, calor, prazer. Coisas que esse cara nunca vai te deu nem vai te dar.

Deixei escapar um sorriso irônico.

— Ah, Nathan… você é um fofo. Mas sejamos honestos... a única razão de eu ter olhado duas vezes pra você foi porque você lembra um pouco o Damian.

Ele franziu o cenho, ofendido. Mas não era mentira, ele tinha todos os traços, cabelo, olhos, corpo. Foi o amante perfeito.

— Isso magoa o meu coração, princesa.

— Não magoa nada. — Ri, balançando a cabeça. — Você sabe que é verdade. Se não tivesse esses traços parecidos com os dele, eu nem teria notado você na festa da empresa.

Nathan soltou uma gargalhada curta, inclinando a cabeça.

— Então eu sou só uma sombra do seu marido?

— NÃO BANQUE SONSA COMIGO! — gritou ele. — Você já viu as manchetes? Estão divulgando provas de fraude na Pósitron! Documentos e relatórios, tudo assinado por você!

Meu coração deu um salto tão violento que quase deixei o celular cair.

— Como assim provas? Que provas?

— NÃO SE FAÇA DE IDIOTA! — A raiva na voz dele era assustadora. — Quero você aqui AGORA, Sophie! — Ele encerrou a chamada sem se despedir.

Fraude! Documentos assinados por mim? Como diabos aquilo foi parar na imprensa?

Nathan me observava, apoiado no balcão.

— Parece que alguém está encrencada.

— Cale a boca, Nathan.

Ele ergueu as mãos, fingindo rendição.

Afastei-me dele, indo até o quarto pegar minha bolsa. Pensamentos caóticos se atropelavam na minha mente. Damian. Tinha que ser ele. Quem mais teria interesse em me expor? Ele estava se vingando, pagando na mesma moeda. O problema é que o nosso era verdadeiro. Aquele filho de uma puta!

Voltei para a cozinha, peguei o celular e enfiei na bolsa.

Nathan segurou minha mão por um instante.

— Quer que eu vá com você?

— Não. — Soltei-me delicadamente. — Isso é entre mim e a empresa.

Deixei o apartamento com passos rápidos, atravessando o corredor enquanto tentava organizar minha mente. A brisa da tarde era quente, mas eu sentia frio.

Entrei no carro, liguei o motor e respirei fundo. Se ele realmente tivesse conseguido me cercar com essas tais “provas”, eu e a empresa não conseguiríamos sair inteiras dessa.

Tenho a sensação de que ele estava sorrindo, em algum lugar, satisfeito por finalmente ter encontrado a brecha perfeita para me derrubar.

E, se fosse mesmo obra dele, eu prometi a mim mesma enquanto acelerava que essa guerra ainda não tinha acabado. Fiquei sabendo que ele deixou a empresa, então eu o acertaria onde mais dói. Na vagabunda da Stella Harper.

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