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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 106

STELLA HARPER

O relógio marcava sete da noite quando terminei de fechar o zíper da segunda mochila. A luz do abajur iluminava o quarto suavemente, fazendo brilhar os detalhes dos pequenos dinossauros estampados no tecido azul-marinho. Suspirei, passando a mão pelos cabelos para afastar o cansaço que me perseguia desde cedo.

Apollo e Orion estavam na sala, terminando de colocar os tênis. As risadinhas deles me acompanharam pelo corredor e sorri. Eles estavam empolgados para passar o fim de semana com o pai e com Danian.

Peguei as mochilas e respirei fundo antes de sair do quarto.

— Prontos, rapazes? — perguntei, em tom alegre.

— Sim, mamãe! — Orion respondeu, já correndo até mim.

Apollo veio logo atrás, segurando o boné que Damian havia dado a ele algumas semanas antes.

— O papai vai gostar que a gente levou isso — disse, orgulhoso.

— Com certeza vai — garanti, apertando com carinho o ombro dele. — Vamos então.

Os seguranças já esperavam na entrada. Um deles abriu a porta traseira do carro, e os meninos entraram animados, disputando quem ficaria perto da janela. Acomodei as mochilas ao lado deles e sentei no banco do meio.

O motorista arrancou suavemente, e logo estávamos a caminho do apartamento de Damian. O céu já estava escuro e as luzes da cidade começavam a brilhar.

Apollo encostou a cabeça no meu ombro.

— Você vai sentir saudade, mamãe?

— Sempre sinto — admiti, beijando seus cabelos. — Mas vocês vão se divertir tanto que nem vão lembrar de mim.

— A gente lembra, sim! — disse Orion, com aquela doçura que era só dele.

Aquele comentário aqueceu meu peito.

Quando chegamos à frente do prédio de Damian, ele estava parado na entrada, segurando a mão de Danian. Os dois esperavam, e Danian acenou assim que nos viu, me arrancando um sorriso involuntário.

Desci do carro e peguei as mochilas. Damian caminhou até mim, parecendo lindo e atraente como sempre.

— Aqui estão as coisas deles — falei, entregando as mochilas. — Tem pijamas, roupas extras, um livro que Apollo quer terminar de ler… e os remédios para alergia do Orion, caso precise.

Ele assentiu, pegando tudo.

— Sem problema.

— Eles já jantaram, mas talvez aceitem um lanche se dormirem tarde — acrescentei, tentando manter a voz neutra, mesmo que meu coração tivesse disparado ao vê-lo tão perto.

Damian estudou meu rosto por um instante, como se quisesse dizer algo além do necessário, mas apenas respondeu:

— Vou cuidar bem deles.

Apollo e Orion correram para abraçá-lo. Ele deixou as mochilas no chão para receber os dois, enquanto Danian observava, sorrindo tímido.

— Não parece, senhora — disse o motorista. — Vamos tentar despistar.

Ele dobrou à direita numa rua menos movimentada e o sedã imitou o movimento.

Meu coração começou a martelar contra as costelas. Apertei as mãos sobre o colo, tentando me concentrar na respiração.

O carro fez mais duas curvas rápidas, mas o outro continuou atrás, mantendo-se inquietantemente próximo.

— Eles não desistem — murmurou o segurança no banco de passageiro, agora com a mão discretamente apoiada no coldre.

— Talvez devêssemos ligar para o senhor Winter — sugeri, mas o motorista não respondeu, focado em ganhar distância.

A rua seguinte era estreita, margeada por árvores. O carro acelerou, mas o sedã emparelhou de repente, tão perto que consegui ver o reflexo dos faróis no vidro do nosso SUV.

— Segurem-se! — gritou o motorista.

Tudo aconteceu rápido demais, eles dobraram ficaando ao nosso lado e o carro recebeu um impacto lateral, o SUV foi lançado para fora da pista com força. Senti o corpo ser jogado contra o cinto de segurança enquanto o mundo girava numa sequência confusa de luzes e barulho.

Um segundo depois, o carro parou de repente, e tudo ficou silencioso, silencioso demais. A dor latejou nos meus braços, no ombro e no lado da cabeça. Tentei abrir os olhos, mas a visão estava turva.

A última coisa que consegui pensar, antes que a consciência me abandonasse, foi em Damian segurando a mão dos três pequenos na porta do prédio. O sorriso deles. E no quanto me arrependia por não ter ficado com eles ao invés de me importar com o que as pessoas pensariam.

"Por favor, que eles fiquem bem". pensei, enquanto a escuridão me engolia.

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