SOPHIE PÓSITRON
O relógio marcava quase onze da noite, meu escritório no prédio da Pósitron parecia uma ilha isolada, eu era a única ainda tentando achar uma brecha para escapar. Meu pai estava furioso e pretendia jogar toda a culpa em mim para tentar salvar a empresa o máximo possivel. Tudo está dando errado!
Pilhas de pastas se acumulavam sobre a mesa, cada uma mais urgente do que a outra. Meu telefone não parou de tocar o dia todo e agora finalmente me deram sossego. Eu estava exausta, e, para piorar, Nathan tinha desistido de me esperar para jantar.
Revirei os olhos ao lembrar da voz magoada dele quando eu disse que ficaria até tarde. Amantes… sempre querendo atenção na hora errada.
Foi então que meu celular vibrou. Um número desconhecido apareceu na tela. Toquei para abrir a mensagem.
“Missão cumprida.”
Só duas palavras. Mas suficientes para aquecer meu peito como um gole de vinho bem servido.
Finalmente, um ponto positivo naqueles dias miserável. Stella Harper estava fora de cena.
Um sorriso lento se formou em meus lábios. Eu até teria brindado, se não estivesse cercada de papéis e planilhas. Lamentei não poder comemorar com um bom Bordeaux, mas a enxurrada de problemas na empresa não permitia luxos.
Bem, tudo bem. Só de saber que aquela pedra havia sido removida do meu caminho já valia por uma taça inteira.
Respirei fundo, recostando-me na cadeira. Talvez, quando essa tempestade corporativa passasse, eu me desse o prazer de um fim de semana longe daqui, só eu, Nathan e paz. Uma pequena folga antes de Damian voltar rastejando para mim. Posso até aceitar criar os bastardos dele, será divertido.
DAMIAN WINTER
O apartamento estava barulhento pelos risos baixos vindos do quarto. Eu tinha conseguido que Danian, Apollo e Orion vestissem os pijamas depois de uma pequena batalha. Agora os três estavam aninhados na cama de Danian, folheando um livro de figuras enquanto discutiam qual dinossauro era o mais assustador.
— Prontos para dormir, guerreiros? — perguntei, apoiando-me no batente da porta.
— Só depois de dar boa-noite pra mamãe! — Orion disse, erguendo a mão como quem faz uma exigência importante.
Sorri. Parece que eles tinham essa necessidade de fechar o dia com a voz dela, assim como eu. Peguei o celular no bolso e disquei o número de Stella. A chamada tocou uma, duas, três vezes… nada.
— Mamãe não atende — expliquei, tentando manter o tom leve. — Talvez esteja cansada.
Apollo franziu a testa.
— Liga de novo, papai.
Obedeci. A segunda chamada também caiu na caixa postal. Suspirei, passando a mão pelos cabelos.
— Ela deve estar dormindo, meninos. Foi um dia longo pra todo mundo.
Danian, que até então observava em silêncio, falou baixinho:
— A mamãe Stella sempre me dá boa-noite na ligação…
Sentei-me na beirada da cama e envolvi os três com o braço.
— Você está dizendo que ela não chegou em casa e não sabem onde ela está?
— Exatamente, senhor. E, para piorar, nenhum dos seguranças atende ao telefone.
Levantei-me de um salto, já procurando as chaves e o relógio.
— Desde quando vocês sabem disso?
— Recebemos o alerta por volta da meia-noite, mas achamos melhor esperar até de manhã, caso ela tivesse ido para outro lugar, alguns ouviram ela falar sobre ficar o fim de semana com a amiga, mas ainda assim os seguranças dela teriam se reportado.
Caminhei até o quarto ao lado. Os meninos ainda dormiam, tranquilos, alheios à onda de preocupação que me invadia. O coração batia tão forte que senti o eco nos ouvidos.
— Jonas, quero todos os detalhes agora. Última localização, rota prevista, quem estava no carro, tudo. E mande alguém aqui imediatamente para ficar com as crianças. Eu vou sair pra encontrá-los.
— Sim, senhor. Estamos reunindo as informações.
Desliguei, respirando fundo. Por um instante, fiquei imóvel, observando Apollo, Orion e Danian espalhados na cama, cabelos desalinhados e rostos serenos.
Afastei todos os pensamentos ruins. Eu precisava agir, não ceder ao pânico. Peguei o celular novamente e enviei outra mensagem para ela, mesmo sabendo que provavelmente não seria lida: “Me ligue assim que receber isso. Estou preocupado.”
Passei mais alguns segundos junto aos meninos antes de sair do quarto. O dia mal começara, mas eu sabia que não terminaria até encontrá-la.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!