DAMIAN WINTER
O motor do carro ronronava baixo enquanto eu cruzava a cidade ainda coberta pela luz azulada do amanhecer. Jonas tinha enviado a rota provável do veículo de Stella, mas antes de qualquer coisa eu precisava confirmar se ela havia passado a noite em algum outro lugar seguro. Leah era a primeira possibilidade.
Estacionei diante da casa dela, toquei a campainha e esperei, impaciente. Alguns segundos depois, Leah apareceu na porta, enrolada num roupão claro, o cabelo preso num coque displicente. Ela segurava uma caneca de café fumegante.
— Damian? — A surpresa estampou-se em seu rosto. — O que você quer?
— Stella passou a noite aqui? — perguntei sem rodeios.
— Não. — Ela franziu o cenho, apoiando-se no batente. — Ontem falamos rápido por mensagem, mas depois disso não tive notícias. Por quê?
Respirei fundo, tentando organizar as informações.
— Ela deixou os meninos comigo e não voltou pra casa. Nem ela, nem os seguranças que estavam com ela. Ninguém consegue contato desde ontem.
Leah arregalou os olhos, apertando mais forte a caneca.
— Meu Deus… você acha que aconteceu alguma coisa?
Antes que eu pudesse responder, o noticiário da TV ligado na sala capturou nossa atenção. A apresentadora falava com expressão grave:
“E agora, mais informações sobre o acidente registrado ontem à noite, na avenida central. Três pessoas estavam no SUV atingido por outro carro. Duas ficaram gravemente feridas e uma morreu no local. As autoridades ainda não divulgaram oficialmente os nomes, mas fontes dizem que um dos ocupantes era uma mulher jovem e outros dois homens.”
Meu corpo inteiro ficou rígido. Leah levou a mão à boca, derramando café no chão sem perceber.
— Damian… — murmurou, pálida.
A imagem que surgiu na tela seguinte era de um veículo tombado à beira da estrada. O capô amassado, vidros estilhaçados, luzes de emergência refletindo no asfalto úmido. Mesmo sem ver detalhes, reconheci o modelo do carro que costumava levar Stella e os meninos. Minha garganta se fechou.
— Preciso descobrir para onde os feridos foram levados — falei, já me virando para sair.
— Eu vou com você — Leah se adiantou, mas levantei a mão.
— Sinto muito mas é melhor você ficar aqui. Ainda nem sei para onde estou indo, quando souber onde ela está te aviso.
Ela hesitou, mas concordou com um aceno rápido. Andei até meu carro rapidamente.
As ruas estavam começando a encher-se de movimento, mas eu avançava decidido, com o olhar fixo à frente. Depois de informar Jonas sobre o acindente ele me atualizava por mensagens, repassando fragmentos de informações e me orientou a procurar nos hospitais mais próximos do local do acidente.
Estacionei em frente ao primeiro hospital da lista. Entrei apressado e me dirigi direto ao balcão de informações.
— Procuro por Stella Harper. Ela pode ter sido trazida ontem à noite, envolvida num acidente de carro.
A atendente digitou algo no computador, examinou a tela e franziu o cenho.
— Não temos esse nome no sistema. O senhor tem certeza do hospital?
Agradeci rapidamente e voltei ao carro, com meu coração batendo tão rápido que doía. Parti para o segundo endereço, a poucos quilômetros dali.
Senti o chão escapar por um momento. As mãos fecharam-se em punhos ao lado do corpo.
— Ela… ela vai bem? — minha voz saiu vulnerável.
O médico não respondeu de imediato, e esse silêncio bastou para acender um fogo de pânico dentro de mim.
— Estamos estabilizando o quadro. Ainda é cedo para qualquer prognóstico definitivo. Ela está recebendo todos os recursos disponíveis.
Fechei os olhos por um instante, lutando para controlar o ímpeto de invadir qualquer porta até vê-la.
— Quero que façam tudo para salvá-la, não importa o preço. — exigi, endireitando os ombros.
— Claro, senhor Winter. Manteremos o senhor informado — garantiu o médico, antes de se afastar.
Fiquei parado no corredor, observando-o desaparecer atrás de uma porta. O hospital tinha aquele cheiro característico de limpeza misturado com algo metálico, frio, que parecia se infiltrar nos ossos.
Passei a mão pelos olhos, respirando fundo.
Apoiei as costas na parede e deixei a cabeça pender para trás. Eu estava completamente impotente, tudo o que podia fazer era esperar, mas esperar nunca foi algo que eu soubesse fazer bem.
Isso não era justo, ela não pode ser tirada de mim. Ainda não tivemos tempo para nada. Não disse que a amo o suficiente, não a beijei o suficiente, não a vi sorrir o suficiente. Ainda devemos nos casar, criar nossos filhos juntos, talvez ter mais alguns, uma garotinha parecida com ela...
Deus, eu quero passar o resto da minha vida com ela. Eu faço qualquer coisa para ter isso, então não a tire de mim, eu imploro.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!