DAMIAN WINTER
Minha mão ainda estava tremendo quando puxei o telefone do bolso. Liguei primeiro para Leah. Ela atendeu quase de imediato, com sua voz cheia de preocupação.
— Damian? — disse, sem fôlego.
— Estou no hospital. Encontrei Stella. Quer dizer… ela está aqui, mas ainda na cirurgia. Foi um acidente grave, nenhum dos seguranças resistiu. — Engoli seco, tentando manter a voz estável. — Vou te passar o nome do hospital, Leah. Mas vem com calma e dirija devagar.
— Meu Deus… — ouvi o barulho de algo caindo do outro lado, talvez a caneca dela. — Eu vou agora. Você está sozinho?
— Estou. Vou avisar minha mãe, ela pode ficar com os meninos mais tarde, caso precise.
— Também posso ficar com eles se precisar, já estou indo.
Desliguei antes que minha voz vacilasse. Respirei fundo, procurando forças que pareciam não existir, e disquei outro número.
— Damian? — a voz de minha mãe soou alerta. — Está tudo bem?
— Não. — A palavra saiu áspera. — Aconteceu um acidente ontem à noite. Stella está no hospital, em cirurgia.
Houve silêncio do outro lado, depois o som de uma respiração pesada.
— Vou agora. Até mais.
Guardei o telefone e comecei a andar pelo corredor, sem rumo. O hospital era um labirinto de portas fechadas e placas indicando alas que eu não queria conhecer. Me dava vontade de sair correndo, mas correr para onde, se o que mais importava estava atrás de uma porta que eu não podia atravessar?
Minutos depois, Leah apareceu no final do corredor. Ela veio apressada, com o cabelo cacheado solto caindo pelos ombros e os olhos arregalados de preocupação. Assim que me viu, acelerou o passo.
— Onde ela está? — perguntou, quase sem fôlego.
— Ainda na cirurgia. — Falei baixo, como se qualquer som mais alto pudesse atravessar as paredes e atrapalhar os médicos.
Leah mordeu o lábio, segurando as próprias mãos. Havia lágrimas ameaçando, mas ela respirou fundo e se manteve neutra. Ficamos lado a lado, calados, por alguns segundos que pareceram eternos.
Logo depois, vi minha mãe surgindo no corredor. Ela avaliou rapidamente a cena, depois pousou uma mão sobre meu ombro.
— Vamos esperar juntos — disse apenas.
E foi isso que fizemos. Esperamos.
Os ponteiros do relógio pareciam andar mais devagar ali dentro. De vez em quando, eu me levantava, caminhava até o balcão, perguntava se havia notícias. A resposta era sempre a mesma: “Ainda estão operando, senhor.”
Leah tentava distrair a mente mexendo no celular, mas eu sabia que ela não lia nada. Minha mãe, ao contrário, permanecia ereta, com os olhos fixos na parede, como se quisesse manter todos nós em pé só com a força da presença dela.
Depois de uma eternidade, o médico voltou. Reconheci-o imediatamente, era o mesmo que me abordara antes. O olhar dele parecia menos fechado, mas não era um olhar tranquilo.
— Senhor Winter? — chamou, e eu me pus de pé no mesmo instante.
— Fale. — A palavra saiu mais ríspida do que eu pretendia.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!