DAMIAN WINTER
Assim que a porta da UTI se fechou atrás de mim, respirei fundo. A imagem de Stella, imóvel entre fios e máquinas, continuava gravada na minha mente. Mas havia outra coisa me corroendo agora.
Peguei o celular e disquei para Jonas.
— Jonas.
— Estou ouvindo, senhor Winter.
— Preciso que descubra quem bateu no carro dela — disse caminhando em direção a área de espera. — Descubra o modelo, a placa e principalemente que era o nome do motorista.
— Já estamos levantando as informações, senhor — respondeu ele. — Também estou tentando acessar as câmeras de segurança da avenida. Mas pode demorar um pouco, alguns arquivos estão restritos.
— Não importa o trabalho, Jonas. Quero tudo. E veja se consegue as filmagens internas do carro da Stella. Preciso saber o que aconteceu antes da batida.
— Entendido, senhor. Assim que tiver algo, aviso.
Desliguei. Já podia sentir os músculos do meu pescoço duros, mas o estresse estava apenas começando.
Meu celular vibrou de novo. Um número conhecido piscou na tela: Sophie. Suspirei, relutante, antes de atender.
— Fala. — falei, seco.
A voz dela veio trêmula, cheia de falsa comoção.
— Damian… eu… eu soube do acidente. Sinto muito pela sua perda.
Meu corpo inteiro ficou rígido.
— Que perda, Sophie?
Do outro lado, houve um silêncio breve. Depois ela respondeu, hesitante:
— Eu vi na televisão… disseram que havia uma mulher no carro. E… era o carro que sempre leva Stella, não era? Eu imaginei que…
— Imaginou o quê? — interrompi, frio. — Que ela morreu?
— Eu só… pensei que… — a voz dela vacilou.
Endireitei-me, sentindo a raiva começando a atravessar o cansaço.
— Agradeço sua preocupação, Sophie, mas Stella está muito viva. — Fiz questão de enfatizar cada palavra. — Então, por favor, não jogue pensamentos negativos sobre a minha mulher.
Ela tentou balbuciar algo, mas eu já havia desligado.
Guardei o celular no bolso e voltei para a sala de espera, onde Leah e minha mãe estavam. Não disse nada, apenas sentei e fiquei observando a porta por onde eu queria entrar de novo.
Alguma coisa me dizia que aquela ligação não era só um telefonema inoportuno. Sophie parecia saber demais.
SOPHIE PÓSITRON
A ligação terminou antes que eu pudesse me explicar. Damian desligou na minha cara. Fiquei parada, segurando o celular, sentindo meu coração bater descompassado.
Ele disse que a vadia da Stella está viva. Viva.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!