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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 11

STELLA HARPER

A luz da manhã filtrava pelas frestas da cortina como se quisesse me forçar a abrir os olhos, mas eu já estava acordada fazia tempo. Não conseguia dormir. Meu corpo ainda doía, não só fisicamente, mas num lugar muito mais fundo. A noite anterior grudava na minha pele como algo que eu não conseguiria lavar.

Damian estava de pé, ao lado da cama, abotoando a camisa branca. Ele sequer olhou para mim quando falei bom dia. Na verdade, ele só respondeu com um murmúrio ininteligível, seco, como se qualquer palavra a mais fosse desperdício de tempo.

Sentei devagar, puxando o lençol para cobrir o corpo. Não que isso importasse, ele já tinha me visto de todas as formas possíveis.

— Eu... vou tomar um banho. — murmurei.

— Faça isso. Mas não demore — ele respondeu sem qualquer emoção, ajustando os punhos da camisa e checando o relógio. — Você vai para o trabalho, certo?

— Vou.

— Ótimo. Nos vemos lá.

Ele saiu do quarto sem mais uma palavra. Nenhum olhar, nenhum traço de preocupação. Como se a noite passada tivesse sido uma transação qualquer. Como se eu não tivesse me partido inteira por dentro enquanto ele parecia se manter perfeitamente intacto.

Quando ouvi a porta se fechar, deixei o lençol cair. Caminhei até o banheiro com os pés descalços e a pele arrepiada. A água do chuveiro escorria quente, mas não o suficiente para desfazer o nó na minha garganta.

Tomei o tempo que precisava. Eu precisava me recompor antes de voltar à rotina como se nada tivesse acontecido. Como se minha dignidade ainda estivesse inteira. Me vesti devagar, prendi o cabelo em um coque apertado e passei o mínimo de maquiagem. O suficiente para esconder o que eu sentia, mas não o suficiente para fingir que eu estava bem.

Peguei minhas coisas e chamei um carro. Damian havia saído com o dele, obviamente. E eu nem esperava que fosse diferente.

Cheguei ao escritório cinco minutos antes do horário. Meu crachá passou pelo sensor com o mesmo som neutro de sempre. Caminhei entre as mesas com passos calmos, cumprimentei quem me olhou e entrei na sala como se fosse só mais um dia comum. A dor nos meus quadris e o desconforto entre minhas pernas estavam bem escondidos por trás da minha postura profissional.

Ele já estava lá. Sentado, como sempre, diante do computador.

— Bom dia, senhor Winter. — minha voz saiu firme e segui dizendo a ele qual seria a agenda do dia. — Isso é tudo senhor.

— Harper. — ele chamou, sem me encarar. — Organize a reunião com o conselho para as quinze horas e envie o memorando do jurídico até o meio-dia. Preciso disso antes do almoço.

— Está bem. Mais alguma coisa?

— Não.

Assenti e saí da sala.

Cumpri todas as minhas tarefas. Almocei sozinha na copa, respondendo e-mails no celular. Voltei para a sala. Digitei relatórios, agendei compromissos. O dia inteiro se arrastou como uma encenação de normalidade.

Quando o relógio marcou 18h, recolhi minhas coisas e saí. Não esperei por ele, nem me despedi, se fossemos ter outro encontro ele teria me avisado. Além disso, estou exausta. Peguei o elevador e pedi outro carro.

Assim que a porta da minha casa se fechou atrás de mim, encostei as costas nela e respirei fundo. Eu precisava de um banho, de silêncio e de tempo. Precisava encontrar alguma parte de mim que ainda não tivesse sido esmagada.

A bolsa caiu da minha mão e deslizou pelo chão. Meus dedos estavam gelados, apesar do calor abafado de Los Angeles.

DAMIAN WINTER: Considere o valor ajustado. Como pode ver, fui mais generoso do que o previsto. A noite passada valeu cada centavo.

— Desgraçado...

— O que foi? — Leah perguntou, se afastando apenas o suficiente para olhar meu rosto.

Mas eu já não conseguia responder. Eu soluçava. O choro voltou com força bruta, arrancando de mim tudo o que restava. Raiva. Vergonha. Dor. Um nojo tão profundo de mim mesma que era quase físico. Eu me sentia suja.

Leah pegou o celular do chão. Leu a notificação e a mensagem.

— Filho da puta... — ela murmurou, fechando a mão em volta do aparelho. — Esse cara é pior que um cachorro... Você não é o que ele quis fazer parecer, Stella. Isso não te define.

— Não... ele está certo, Leah. — Digo me afastando dela e enxugando as lágrimas. — Ele me colocou um preço e eu aceitei. E o meu valor é tão barato que ele pagou um bônus. — Dou uma risada amarga.

— Não diz essas coisas amiga. Você não parece bem, é melhor não ir trabalhar amanhã.

— Eu vou trabalhar, Leah. Amanhã, eu vestirei meu melhor sorriso, darei a Stella que ele quer até se cansar de mim e me jogar fora.

Eu o odeio. Deus, como eu odeio. Eu também quero destruí-lo. Juro que se me der a chance de machucá-lo não irei disperdiçá-la.

Não importa quanto tempo demore. Viverei tempo o bastante para ver Damian Winter tão infeliz e miserável quanto estou agora. Isso acontecerá um dia ou eu farei acontecer...

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