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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 12

DAMIAN WINTER

O restaurante era elegante, como mandava o figurino. Sophie Pósitron já estava sentada quando cheguei. Ergueu o rosto para mim e esboçou um discreto aceno com a cabeça. Nenhum sorriso falso, nenhuma tentativa de parecer acessível demais. Vestia um tailleur azul escuro que contrastava com a pele pálida e os cabelos negros perfeitamente alinhados atrás da orelha. Tudo nela parecia comedido e sério.

Nada como a pirralha mimada que eu esperava encontrar.

— Senhor Winter — cumprimentou, estendendo a mão.

— Senhorita Pósitron.

— Sophie, por favor. Não estamos em uma sala de reuniões.

— Damian, então.

Sentamos. Pedimos vinho. O silêncio entre nós era confortável, o que era estranho. Não gosto de longas introduções nem de conversas vazias. Mas também não gosto de distrações mentais, e Stella Harper estava se tornando exatamente isso.

Ela estava estranha hoje. Não ergueu os olhos para mim nenhuma vez e até mesmo passou no meu escritório para perguntar se eu precisaria dela depois do trabalho.

— Você parece distraído. — A voz de Sophie me puxou de volta à mesa. — Espero que não seja um desses que finge estar interessado no encontro para ganhar pontos com a família.

— Não estou interessado em fingimentos, por isso serei direto com você — respondi, girando a taça entre os dedos. — Fui jogado nesse jantar sem escolha e não estou minimamente interessado em compromisso. E você?

Ela deu um sorriso discreto, quase sarcástico.

— Mesma situação. Minha mãe acredita que estou ficando velha demais para “esperar o homem certo”. O que ela realmente quer dizer é que não posso deixar passar uma chance de selar um contrato de fusão entre as famílias Pósitron e Winter.

— Pelo menos somos honestos.

— Essa será a melhor parte do encontro.

Dei uma risada e fiquei surpreso comigo mesmo. Se fosse escolher alguém para casamento por conveniência, ela definitivamente era uma opção viável.

— E então... — ela disse, erguendo a taça. — Agradável aos olhos, educado, financeiramente seguro, pouco dado a escândalos e... se não me engano, livre de vícios.

— Você fez sua pesquisa.

— Claro que fiz. Não sou do tipo que mergulha no escuro. Ainda assim... — Ela me encarou por um segundo mais longo. — Você não parece interessado em casamento.

— Porque não estou.

— Ótimo. Acho que acabamos por aqui. — Ela apoiou a taça e pegou a bolsa. — Mas se por algum milagre mudar de ideia e decidir que uma união fria, eficiente e sem complicações é o que procura... me avise. Ao que parece, somos surpreendentemente compatíveis.

Ela se levantou, ajustou o casaco e me lançou um último olhar antes de se despedir.

— Tenha uma boa noite, Damian.

— Igualmente, Sophie.

Observei-a se afastar. Confesso que gostei dela mais do que imaginava.

Peguei o celular no bolso assim que ele vibrou.

Pai.

Atendi com a voz ainda neutra.

— Sim?

— Venha me ver. Quero saber como foi o jantar.

— A essa hora?

— De novo essa conversa.

— Sim, e continuará até que haja resultado. — Sua voz se tornou maisirritada. — Você tem trinta anos.

— Vinte e nove. — Corrijo. Mas ele continua falando sem dar importância.

— Nenhuma noiva. Nenhum filho. Nenhuma mulher sequer com potencial. Enquanto isso, o mercado observa, os investidores especulam, e você brinca de executivo solteiro como se fosse eterno.

— Então é isso? A solução é casar com a filha de um parceiro de negócios e produzir um herdeiro como se estivéssemos no século 19?

— Sim. — Ele se inclinou para frente. — Porque é assim que o mundo ainda funciona, mesmo que você esteja distraído demais para enxergar.

Fiquei em silêncio, o maxilar travado. Ele deu um gole longo no uísque e então deslizou um envelope grosso pela mesa na minha direção.

— Você tem um mês.

— Um mês pra quê?

— Um mês para apresentar uma mulher com potencial. Que possa lhe dar herdeiros. Que se encaixe no que precisamos. Caso contrário, começaremos os preparativos para anunciar seu noivado com Sophie Pósitron.

Ri, mas dessa vez não havia humor. Apenas incredulidade.

— E se eu disser não?

— Então você não será mais CEO da Winter. Nem terá acesso ao nome, à fortuna, ou ao império que ajudei a construir. — Ele não precisou levantar a voz. A tranquilidade dos Winter era sempre mais ameaçadora do que qualquer grito. — Você será deserdado. E alguém mais competente será preparado para tomar seu lugar.

— Você me treinou para isso desde que nasci.

— E agora está desperdiçando tudo porque não consegue manter uma mulher ao seu lado por mais de uma noite. — Levantei, sem responder. Segurei o envelope, mas não abri. — Um mês, Damian. Ou escolhe... ou nós escolhemos por você.

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