DAMIAN WINTER
O restaurante era elegante, como mandava o figurino. Sophie Pósitron já estava sentada quando cheguei. Ergueu o rosto para mim e esboçou um discreto aceno com a cabeça. Nenhum sorriso falso, nenhuma tentativa de parecer acessível demais. Vestia um tailleur azul escuro que contrastava com a pele pálida e os cabelos negros perfeitamente alinhados atrás da orelha. Tudo nela parecia comedido e sério.
Nada como a pirralha mimada que eu esperava encontrar.
— Senhor Winter — cumprimentou, estendendo a mão.
— Senhorita Pósitron.
— Sophie, por favor. Não estamos em uma sala de reuniões.
— Damian, então.
Sentamos. Pedimos vinho. O silêncio entre nós era confortável, o que era estranho. Não gosto de longas introduções nem de conversas vazias. Mas também não gosto de distrações mentais, e Stella Harper estava se tornando exatamente isso.
Ela estava estranha hoje. Não ergueu os olhos para mim nenhuma vez e até mesmo passou no meu escritório para perguntar se eu precisaria dela depois do trabalho.
— Você parece distraído. — A voz de Sophie me puxou de volta à mesa. — Espero que não seja um desses que finge estar interessado no encontro para ganhar pontos com a família.
— Não estou interessado em fingimentos, por isso serei direto com você — respondi, girando a taça entre os dedos. — Fui jogado nesse jantar sem escolha e não estou minimamente interessado em compromisso. E você?
Ela deu um sorriso discreto, quase sarcástico.
— Mesma situação. Minha mãe acredita que estou ficando velha demais para “esperar o homem certo”. O que ela realmente quer dizer é que não posso deixar passar uma chance de selar um contrato de fusão entre as famílias Pósitron e Winter.
— Pelo menos somos honestos.
— Essa será a melhor parte do encontro.
Dei uma risada e fiquei surpreso comigo mesmo. Se fosse escolher alguém para casamento por conveniência, ela definitivamente era uma opção viável.
— E então... — ela disse, erguendo a taça. — Agradável aos olhos, educado, financeiramente seguro, pouco dado a escândalos e... se não me engano, livre de vícios.
— Você fez sua pesquisa.
— Claro que fiz. Não sou do tipo que mergulha no escuro. Ainda assim... — Ela me encarou por um segundo mais longo. — Você não parece interessado em casamento.
— Porque não estou.
— Ótimo. Acho que acabamos por aqui. — Ela apoiou a taça e pegou a bolsa. — Mas se por algum milagre mudar de ideia e decidir que uma união fria, eficiente e sem complicações é o que procura... me avise. Ao que parece, somos surpreendentemente compatíveis.
Ela se levantou, ajustou o casaco e me lançou um último olhar antes de se despedir.
— Tenha uma boa noite, Damian.
— Igualmente, Sophie.
Observei-a se afastar. Confesso que gostei dela mais do que imaginava.
Peguei o celular no bolso assim que ele vibrou.
Pai.
Atendi com a voz ainda neutra.
— Sim?
— Venha me ver. Quero saber como foi o jantar.
— A essa hora?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!