DAMIAN WINTER
A casa estava em silêncio quando entrei. Apenas uma luz fraca vinha do corredor que levava aos quartos. O relógio marcava quase nove da noite, mas eu precisava vê-los antes de voltar para o hospital.
Subi as escadas, indo direto ao quarto de Danian. Quando empurrei a porta do quarto, encontrei Apollo sentado na cama, abraçando o travesseiro. Orion estava ao lado dele, deitado, mas com os olhos abertos. Danian, encolhido no canto do colchão, parecia mais cansado do que sonolento.
— Papai! — Apollo pulou ao me ver, correndo até mim. — Você demorou.
Agachei-me para abraçá-lo, sentindo o coração apertar com a força com que ele se pendurou no meu pescoço.
— Eu sei, campeão. Tive que cuidar de algumas coisas antes de vir aqui. Preciso falar de algo sério com vocês. — Beijei o topo de sua cabeça e estendi o braço para Orion, que hesitou antes de se aproximar.
— Tá tudo bem? — Orion perguntou.
— Eu fiquei fora o dia todo porque a mamãe ficou doente, mas os médicos estão cuidando dela. Eles vão fazer com que ela fique boa de novo.
Apollo puxou meu braço.
— Mas… ela vai voltar pra casa logo, né?
— Vai demorar um pouquinho — respondi, escolhendo cada palavra com cuidado. — Por isso, vocês vão ficar com a vovó Elaine esses dias. Assim eu posso ficar no hospital cuidando da mamãe e vocês ficam seguros, entendem?
Danian ergueu o rosto, os olhos brilhando de preocupação.
— Papai, a mamãe Stella está com dor?
Sentei-me no colchão, puxando-o os três para perto de mim.
— Ela está descansando agora, filho. Dormindo, para que o corpo dela melhore mais rápido. Mas ela é muito forte.
Danian apoiou a cabeça no meu braço.
— Eu quero que ela acorde logo.
— Eu também. Mas, enquanto isso, preciso que vocês fiquem juntos, ajudando um ao outro. Vocês são os meninos mais corajosos que eu conheço.
Apollo enxugou os olhos com o dorso da mão.
— Eu vou cuidar do Orion e do Danian, papai.
— E eu vou cuidar do Apollo — disse Orion.
— Continue assim mesmo.
Ele assentiu.
— Também consegui algo do interior do carro da senhora Harper. Não há áudio, apenas o vídeo. O carro parece ter seguido eles por vários minutos antes de bater, acredito que estavam fazendo eles seguirem para a estrada do acidente de propósito por ter poucas testemunhas e camêras.
Apertei o punho sobre o joelho, contendo a raiva. Alguém tinha tentado tirar Stella de mim. E o único nome que me veio na cabeça foi Sophie Pósitron. Esse deve ter sido o jeito dela de tentar se vingar por estar afundando, junto com a empresa da sua família.
O carro seguiu pela estrada enquanto eu assistia mais uma vez às imagens. Minha mente dizia que Sophie tinha o objetivo de eliminar Stella, ficou bem óbvio com aquela ligação e se ela foi capaz dessa tentativa de assassinato, não demoraria até tentar outra vez. Preciso achar uma forma de protegê-la dentro do hospital 24 horas por dia.
Quando chegamos ao hospital o motorista abriu a porta para mim. Jonas ficou no carro, prometendo continuar rastreando qualquer pista e que manteria seguranças do lado de fora.
Caminhei pelo saguão iluminado. Passei pela recepção e segui em direção à ala onde Stella estava.
Foi então que vi uma silhueta parada ao lado da porta da UTI.
Franzi o cenho e avancei alguns passos. A pessoa se virou lentamente, revelando um rosto que me fez parar no meio do corredor.
— O que você está fazendo aqui?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!