DAMIAN WINTER
— O que você está fazendo aqui?
Alexander parecia cansado, com o blazer amarrotado e o cabelo bagunçado de quem passou horas dentro de um avião. Mesmo assim, me encarou com desdém por um segundo, antes de suspirar.
— Leah me ligou. Contou o que aconteceu com Stella, por isso peguei o primeiro voo para cá.
Dei um passo mais perto, cruzando os braços.
— Você atravessou o país inteiro assim, sem nem pensar duas vezes?
— E você não faria o mesmo? — respondeu, sorrindo com ironia. Ignorei a provocação. Olhei para a porta fechada atrás dele e depois de volta para seu rosto. — Onde estão os meninos? — perguntou, mudando o assunto.
— Meus filhos estão na minha casa. — Fiz questão de dar ênfase ao “meus”.
Ele assentiu devagar, mas um sorriso quase imperceptível apareceu no canto da boca.
— Entendo.
Silêncio. Eu realmente não gosto desse cara.
Cruzei os braços e Alexander enfiou as mãos nos bolsos, balançando o corpo, como se estivesse avaliando se valia a pena dizer o que queria.
— Você já sabe se… foi um acidente mesmo? — perguntou por fim.
Meu maxilar travou.
— Foi planejado. Mas tenho gente trabalhando nisso.
— Gente trabalhando nisso? — Ele inclinou a cabeça, com aquele tom meio divertido, ficou claro que ele queria me provocar. — O que você e sua turma estão fazendo? Vai me dizer que você está caçando pistas com uma lupa?
Revirei os olhos.
— Alguém precisa levar isso a sério. Que bom que ela escolheu a mim.
— Ah, claro. Porque você é o bastião da seriedade — retrucou, erguendo as mãos. — Mas, honestamente, Damian, Stella nunca correu perigo enquanto estava comigo.
Aquilo fez meu sangue ferver. Eu já estava cansado, preocupado, e o comentário caiu como gasolina em brasa.
— Você realmente disse isso? — perguntei, rindo sem humor. — Você acha que é algum tipo de herói que a mantém a salvo do mundo? Está dizendo que é culpa minha?
Alexander não recuou.
— Só estou falando a verdade. Comigo, ela estava bem. Você tem um talento incrível para colocá-la no centro de confusões.
— Você está insinuando que isso aconteceu porque ela está comigo? — Dei um passo à frente, minha sombra cobrindo a dele. — Você não tem ideia do que está falando.
— Tenho mais do que você imagina. Ela nunca foi machucada nos seis anos que passou longe de você, e olha que só tinha a mim e os meninos. Aliás, ela também nunca precisou de seguranças armados na porta da casa dela.
— Você acha que ela precisa de você? — Esbocei um sorriso frio. — Porque, pelo que lembro, quando você tentou beijá-la, ela deixou bem claro que não queria nada com você.
O golpe acertou em cheio. Ele respirou fundo, mas não perdeu o tom calmo, apenas um músculo em sua mandíbula tremeu.
— Isso foi um mal-entendido. — Seu olhar ficou mais sério. — Eu admito que errei naquele dia. Mas não tente usar isso como desculpa para o que aconteceu agora.
— “Mal-entendido”? — Ri, incrédulo. — Forçar um beijo em alguém não é um mal-entendido, Alexander. É falta de respeito.
Ele deu uma risada sonora.
— Você quer dar lição de moral sobre forçar alguém a fazer algo? Justo você? — Juro que vou matar esse cara. — Já esqueceu dos seus grandes feitos na vida dela? Acho que deve haver algum problema com a sua memória.
— O que eu fiz, não invalida o que você fez. — retruquei. — Sim, você está certo, fui um babaca sem escrúpulos, mas isso está no passado, ela me perdoou e por isso tenho direito de defendê-la de abutres como você.
— Ah, claro, você é o principe em um cavalo branco. — ironizou, dando um pequeno riso. — Só que, pelo visto, a donzela continua em perigo.
Respirei fundo, tentando manter o controle.
— Ótimo! — Leah ergueu as mãos, exasperada. — Dois imbecis competindo pelo troféu de quem é mais infantil. Parabéns, vocês ganharam juntos. Fim da briga.
Alexander abriu a boca, provavelmente para retrucar, mas Leah ergueu um dedo em sua direção, impedindo qualquer tentativa.
— Você, Alexander, vai descer agora para a cafeteria. Pega um café, um chá, um copo d’água, qualquer coisa. Mas fica lá até lembrar que está num hospital e que a Stella não precisa de dois idiotas gritando no corredor.
Ele bufou, mas não ousou responder. Passou as mãos pelos cabelos, respirou fundo e começou a andar na direção do elevador.
— Isso não acabou, Winter — murmurou ao passar por mim.
— Nem começou, na verdade — murmurei de volta, mas Leah me lançou um olhar tão afiado que engoli o resto.
Quando Alexander sumiu no final do corredor, Leah voltou-se para mim.
— Quer me dizer o que foi aquilo?
— Ele não sabe ficar no lugar dele. — Minha voz saiu mais defensiva do que eu gostaria. — Eu estava tentando conversar e ele começou com provocações.
— Claro, e você, respondeu com filosofia budista, não é? — Leah arqueou uma sobrancelha. — Damian, sério, Stella está ali dentro, desacordada. Ela não precisa que vocês dois façam um show de testosterona no corredor, tentando ver quem é expulso primeiro.
Passei a mão no rosto, soltando um suspiro pesado. Ela estava certa, mas eu não estava pronto para admitir isso em voz alta.
— Sinto muito. — murmurei.
— Ok. Agora, faça o favor de respirar fundo, ajeitar essa sua cara de quem vai morder alguém e entrar para ver a Stella. E, pelo amor de Deus, sem mais brigas até ela estar curada.
Assenti, enquanto eu me virava para a porta da UTI.
Atrás de mim, ouvi-a murmurar:
— Homens… nunca sabem quando parar.
Ela não estava errada, aquilo ainda não tinha acabado.

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