STELLA HARPER
O vento suave que soprava no campo agora parecia trazer um sussurro diferente, quase um chamado. Virei a cabeça, tentando entender de onde vinha aquele som. No início, era apenas um eco distante, como ondas quebrando num mar muito longe. Depois, começou a ganhar forma.
— …Stella… Fica comigo, Stella... Stella...
Meu nome, envolto em um timbre que eu conhecia muito bem.
Damian.
Olhei para meus pais. Eles sorriam, mas havia uma sombra suave de tristeza nos olhos deles.
— Vocês estão ouvindo? — perguntei, olhando em volta como se pudesse encontrá-lo ali.
Mamãe assentiu, acariciando minha bochecha.
— Sim, querida. É a vida te chamando de volta.
— Mas vocês… — minhas mãos apertaram as deles. — Eu não quero perder vocês de novo.
Papai segurou meu rosto com as duas mãos, firme e carinhoso.
— Você nunca nos perdeu. Estamos aqui, sempre estaremos. Mas o seu lugar, agora, ainda não é conosco.
— O amor que você deixou na Terra precisa de você. — disse mamãe, sua voz era doce como mel. — Parece que os meninos precisam da mãe deles. E aquele homem… ele precisa ainda mais. Mais do que jamais vai admitir para você.
— Ele é bobo teimoso. — Sorri entre as lágrimas.
— Sim, ele é. Mas te fará muito feliz.
Minhas lágrimas começaram a cair sem controle.
— Quando eu acordar vou lembrar que estive com vocês?
— Talvez você se lembre de alguma coisa, mas não será tão nítido. Mesmo assim, quero que lembre de uma coisa... — respondeu meu pai. — Não tema o caminho, Stella. Cada passo que você der, te levará onde deve chegar.
Mamãe sorriu e inclinou a cabeça.
— Quando chegar a hora certa, nós vamos estar aqui para recebê-la. Mas, por enquanto, viva, ame, lute. E encontre sua felicidade.
Olhei de novo para o horizonte. A luz atrás deles parecia crescer, como se me convidasse para atravessar. Mas, ao mesmo tempo, algo mais intenso, mais urgente, pulsava no fundo do peito. Vozes, barulhos e o chamado de Damian ficando mais claro.
Respirei fundo, tentando guardar aquele instante com meus pais no coração. Eles estenderam as mãos uma última vez, como se me abençoassem.
— Vá, filha — disse meu pai, emocionado. — Ainda não acabou para você.
Senti um calor suave envolvendo meu corpo e quando fechei os olhos, o campo desapareceu.
DAMIAN WINTER
O quarto da UTI parecia pequeno demais para a quantidade de gente que entrou de repente. O som dos alarmes era ensurdecedor. Enfermeiros e médicos se moviam rápidos, suas vozes firmes, lançando instruções:
— Desfibrilador, agora!
— Adrenalina, 1 mg, via intravenosa!
— Vamos, ritmo! Precisamos de pulso!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!