Entrar Via

Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 115

STELLA HARPER

A claridade parecia queimar meus olhos. Eu me sentia muito fraca, como se meu corpo fosse feito de vidro prestes a se despedaçar. O rosto de Damian estava tão perto do meu que, por um segundo, pensei que estava sonhando de novo. Mas não… ele estava ali, de verdade. As lágrimas em seus olhos não deixavam dúvidas.

Tentei abrir a boca para falar, mas minha voz não saiu. Tudo o que consegui foi soltar um som baixo, um gemido. Ele imediatamente levou a mão à minha boca e sussurrou:

— Espera, eu vou chamar o médico. Fica acordada, Stella, só mais um pouco.

Minha cabeça girava, e, ao piscar, vi Leah parada alguns passos atrás dele. O olhar dela estava cheio de emoção, os olhos marejados, e quando me viu consciente levou a mão à boca, tentando conter o choro. Alexander estava ao lado dela, mais rígido, mas não conseguiu esconder o alívio. Os dois pareciam congelados, como se tivessem medo de se aproximar demais e me machucar.

Damian apertou o botão ao lado da cama e logo um médico entrou, acompanhado de uma enfermeira. Ele pegou uma pequena lanterna e se inclinou para mim.

— Senhora Harper, pode me ouvir? Se puder pisque duas vezes. — Consegui piscar lentamente. — Ótimo. Vou iluminar seus olhos, está bem? Pode ser desconfortável, mas é rápido.

Ele direcionou a luz primeiro para o olho direito, depois para o esquerdo. Eu queria desviar, mas meu corpo estava pesado demais.

— Pupilas reagindo bem — disse o médico, voltando-se para Damian e para os outros. — Isso é um bom sinal.

Damian soltou um suspiro, como se aquela frase fosse a primeira gota de esperança real desde que tudo aconteceu.

O médico ajustou alguns papéis na prancheta e continuou:

— Vou explicar novamente, agora que a senhora Harper está consciente. Como já informei antes, conseguimos conter as hemorragias e reparar as lesões mais graves. A senhora sofreu fraturas múltiplas no braço esquerdo por isso ele está engessado, duas costelas, uma delas perfurou parcialmente o pulmão. Também houve um trauma abdominal significativo, já tratado cirurgicamente.

A cada palavra eu sentia uma mistura de medo e incredulidade. Como eu ainda estava viva depois de tudo aquilo?

— Felizmente, não houve dano extenso ao cérebro, mas é preciso paciência. Vamos monitorar de perto as próximas horas para avaliar melhor o quadro neurológico. Isso significa que é importante descansar, não forçar nada e seguir cada instrução da equipe.

Fiquei olhando para ele, tentando processar. Minha garganta estava seca, mas consegui murmurar:

— Eu… vou… me recuperar?

O médico assentiu.

— Sim. Mas será um processo demorado. O braço fraturado exigirá imobilização por várias semanas, talvez cirurgia adicional dependendo da evolução. As costelas precisam de tempo para cicatrizar. Estimamos de dois a três meses para recuperação parcial, e de quatro a seis meses para recuperação total, dependendo da resposta do corpo e da fisioterapia.

Minha boca se abriu levemente. Quatro a seis meses… parecia uma eternidade. Mas eu estava viva e felizmente não parecia haver nenhuma sequela significativa.

— Não faz isso comigo nunca mais, Stella — ele murmurou, quase um pedido desesperado. — Eu não sei viver sem você.

Fechei os olhos, deixando as lágrimas escorrerem. Todo o medo que eu tinha sentido antes, toda a dor, parecia se dissolver no simples fato de estar ali, respirando, com ele segurando minha mão como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

A dor no corpo era real, latejante, mas naquele instante ela ficou em segundo plano. O que importava era que eu estava viva. Que Damian estava ali. Que meus filhos me esperavam.

Leah deu um passo mais perto, enxugando discretamente os olhos. Alexander também se aproximou um pouco, mas ficou em silêncio, respeitando o momento.

Damian não soltava minha mão. Pelo contrário, a cada segundo ele a apertava mais, como se quisesse cravar em mim a certeza de que eu não estava sozinha.

— Você nos deu o pior susto da vida, Stella — disse Leah, agora com um pequeno sorriso entre as lágrimas. — Mas acabou. Você está aqui, conosco.

Eu consegui mover os lábios, quase sem voz, mas o suficiente para que ele entendesse:

— Vocês... também estão... comigo.

Damian inclinou a testa contra a minha outra vez, fechando os olhos. Ficamos assim, os dois chorando em silêncio, como se aquela fosse a única forma de aliviar tudo o que tínhamos carregado até agora. Eu me sinto em paz. Não era a paz que me aguardava naquele sonho ao seguir com meus pais, mas era tão boa quanto. Porque era a minha paz, com as pessoas que amo e que me amam também.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!