DAMIAN WINTER
Peguei a garrafa de água, junto com um copo descartável e um canudo. Me forcei a respirar fundo antes de voltar para o quarto. Eu não podia deixar a raiva de Sophie transparecer para Stella, não nesse momento. Ela deve se concentrar apenas em si mesma e em se recuperar.
Quando empurrei a porta e entrei, o que vi fez meu sangue correr de outro jeito.
Alexander estava sentado na beira da cama, com a mão dele enfiada entre os fios de cabelo de Stella, acariciando devagar como se tivesse algum direito de tocá-la assim. Ela sorria fraco, com sua voz suave falando sobre os gêmeos.
— Orion fez um desenho para entregar pra você quando voltasse. — a voz dela estava baixa, mas ainda vibrava com ternura. — E Apollo… disse que queria te dar um presente.
Alexander riu baixo.
— Eu quem deveria ter lembrado de trazer presentes para eles, mas acabei voltando na pressa.
Meu peito ardeu. Pigarreei alto, o bastante para quebrar o clima. Os dois se viraram. Alexander retirou a mão do cabelo dela lentamente, quase num gesto de desafio.
Caminhei até o lado oposto da cama, puxei a mesinha de apoio e abri a garrafa. Coloquei o canudo no copo e levei até os lábios de Stella, apoiando sua nuca com cuidado.
— Bebe devagar, amor. — murmurei.
Ela sugou o canudo em goles pequenos, com os olhos grudados nos meus. Quando terminou, ajeitei o lençol em volta dela e guardei o copo na mesinha.
— Alexander,acho que você já pode ir. — falei sem rodeios. — Tenho certeza que deve estar cansado de sua viagem. — Não que eu me importe com ele ou seu bem estar.
Ele se endireitou, cruzando os braços.
— Ainda não terminei de falar com a Stella. — respondeu num tom calmo, que só servia para me irritar ainda mais. — Seria de bom tom você esperar um pouco lá fora.
Ri sem humor, balançando a cabeça.
— Bom tom? Você está no quarto dela porque eu permiti, não se esqueça disso. Acredito que teve tempo o bastante para falar o que fosse necessário.
Ele estreitou os olhos, pronto para rebater, mas Stella ergueu a mão com esforço.
— Chega. — a voz dela saiu fraca, mas foi o bastante para nos calar. Ela respirou fundo, apertando o lençol entre os dedos antes de continuar: — Eu amo vocês dois. — Franzi o cenho para ela. — De formas diferentes. Então se vocês dois querem fazer parte da minha vida. E, principalmente, da vida dos meninos. Então precisam parar com essa disputa sem sentido.
Meu maxilar se contraiu. Eu odiei que ela estivesse me colocando no mesmo nível dele.
— Stella… — comecei, mas ela ergueu a mão outra vez, pedindo silêncio.
— Eu não tenho paciência pra isso. Alexander, eu já fiz minha escolha, não preciso da sua aprovação, eu amo o Damian e é com ele que vou ficar. — Ela disse olhando seriamente para ele.
— Eu sei, Stella. — Respondeu cabisbaixo. Não pude conter meu sorriso satisfeito.
— Não tem a menor graça, Damian. — Disse ela para mim e parei de sorrir na mesma hora.
— Desculpe.
— Para de ser infantil. Não sei se tem algum medo por saber que Alex tem muitas qualidades que te faltam, mas essas picuinhas não vão te fazer maior que ele ou algo assim. — Que qualidade o garçom gourmet pode ter que não tenho?
Meu maxilar voltou a se contrair.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!