STELLA HARPER
— Sentiu minha falta, querida?
Meu corpo gelou. Mas meu instinto não foi de medo, foi de repulsa. Sophie estar aqui não poderia ser nada de bom e seu olhar maligno em minha direção confirmava isso.
— Não, nem um pouco. — respondi sinceramente, com o tom de voz seco. — Pode voltar para onde veio.
Ela riu, aquele riso debochado que sempre me deu nos nervos.
— Ora, não seja assim. Eu só vim fazer uma visitinha. Bater um papo de amigas. — deu de ombros, como se um "papo de amigas" entre nós fosse natural. — Afinal, aqui dentro não posso fazer nada contra você. O hospital é cheio de olhos, não é? Até precisei me disfarçar com essas roupas cafonas de enfermeira. Os seguranças que o Damian colocou na porta não teriam me deixado passar de outro jeito, se deixassem o informaram para Damian me encontrar e me fazer voltar.
— Então volte pelo mesmo caminho. — retruquei. — Eu não tenho nada em comum para falar com você.
— Como não? — Sophie inclinou a cabeça. — Nós temos muito em comum. O amor pelo mesmo homem… e, pelo que soube, você até roubou o afeto do meu filho.
Meu sangue ferveu.
— O seu filho? — perguntei, incrédula. — Damian me contou que depois de um mês longe de Danian você não pediu para vê-lo, nem ligou uma vez sequer. Então me diz, Sophie… desde quando você tem direito de chamá-lo de seu filho?
Ela riu, sarcástica.
— Isso é porque aquele bastardo não me interessa.
Minha respiração falhou por um segundo.
Bastardo.
A palavra ecoou nos meus ouvidos.
— Bastardo? Como ele poderia ser bastardo se ele nasceu dentro do seu casamento com Damian, ou... será que não? — arqueei uma sobrancelha, provocativa. Era óbvio que Danian era filho de Damian, a semelhança era clara.
A expressão dela se fechou por uma fração de segundo, mas logo retomou o sorriso falso.
— É só uma forma de falar, queridinha. Enfim, não é daquele pirralho que quero falar com você.
— Claro que não é. — comentei, com o olhar cravado no dela. — Nada relacionado com aquela criança é do seu interesse. Você drogou o Damian para engravidar na esperança de que isso o prendesse, mas não funcionou, não é?
Sophie se aproximou mais um passo e sua expressão se contorceu em puro ódio.
— Vim aqui te oferecer um acordo para salva sua vida, mas ao que parece você não é digna. Então durma de olho aberto, Stella. Porque na próxima vez, você não ficará com meros ferimentos.
Depois dessas palavras um raciocínio rápido me atingiu:
Foi então que senti os dedos dela apertarem meu pescoço. Não com força suficiente para cortar o ar de imediato, mas o bastante para me lembrar da fragilidade em que eu estava.
— Você devia pensar duas vezes antes de me provocar. — sua voz saiu baixa e o aperto em meu pescoço aumentou, me sufocando. — Isso é o que eu faço com baratas como você.
O ar começou a falhar. Eu tentei empurrá-la com o braço engessado, mas foi inútil. A pressão no meu pescoço aumentava a cada segundo.
— Você… — consegui sussurrar com dificuldade, a visão começando a ficar turva. — Você nunca vai tê-lo de volta. Ele é meu.
Os olhos dela se estreitaram, a raiva transbordando.
Ouvi barulhos de conversa na porta.
Sophie congelou, mas não soltou meu pescoço. Pelo contrário, seus dedos apertaram ainda mais, como se quisesse deixar uma marca.
Eu arfei, tentando desesperadamente respirar. Sentindo-me cada vez mais perto da inconsciência.
A maçaneta começou a girar.
E eu pensei, no último segundo antes de a porta abrir: Por favor, que seja o Damian.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!