STELLA HARPER
A maçaneta girou devagar e, no instante seguinte em que a porta se abriu, Sophie largou meu pescoço num movimento brusco, mas rápido o bastante para não levantar suspeitas de quem entrava. Colocou a máscara de volta ao rosto.
Deu dois passos para trás, ajeitando os cabelos com fingida naturalidade, e saiu apressada pela porta sem olhar para trás.
Eu fiquei ali, arfando, tossindo desesperadamente, o ar voltando aos meus pulmões como se tivesse acabado de emergir debaixo d’água.
A enfermeira verdadeira entrou apressada. Era uma mulher de meia-idade, com jaleco azul claro e crachá pendurado. Ao me ver sufocando, correu para o meu lado.
— Senhorita Harper! O que aconteceu? — perguntou, já checando minha pulsação e afastando os lençóis para verificar meu estado.
— Aquela mulher… — consegui dizer entre tosses fortes, minha garganta estava queimando. — Ela tentou me matar sufocada…
A enfermeira arregalou os olhos.
— Que mulher?
— A enfermeira que saiu daqui… — respirei fundo, tentando recuperar a voz. — É uma impostora. Ela entrou aqui disfarçada de enfermeira.
A enfermeira olhou em direção ao corredor, a confusão estava estampada no seu rosto.
— Sim estranhei a presença dela aqui. Ninguém me informou de outra enfermeira no quarto. Preciso acionar a segurança, a senhora pode ficar sozinha um pouco?
Segurei o braço dela com a mão trêmula.
— Posso. Por favor, precisam encontrá-la.
A enfermeira me ajudou a me recompor na cama, ajustando a cabeceira para eu ficar mais ereta. Depois de checar minha respiração e o oxigênio ligado ao monitor, disse:
— Houve marcas de pressão no pescoço, mas não parece grave. Fique tranquila, vou acionar o hospital agora.
Ela saiu rapidamente, falando algo pelo comunicador preso ao jaleco. Fiquei sozinha outra vez, com meu coração ainda martelando dentro do peito.
Minhas mãos tremiam sem controle. O medo e a adrenalina corriam pelo meu corpo ao mesmo tempo.
Sophie.
Não havia mais dúvida. Ela realmente tinha tentado me matar, pela segunda vez. Espero que consigam pegá-la, essa é a melhor chance de colocá-la na cadeia, seria uma prisão em fragrante.
Fechei os olhos por um instante, respirando com dificuldade. Eu precisava contar para Damian. Ele tinha que saber que me esconder o que Sophie estava fazendo não estava me protegendo. Eu também deveria manter minha guarda alta em qualquer situação.
As palavras dela continuavam na minha mente, zombando de mim, como ela estava fazendo.
“Ele nunca olhou pra você nem por um segundo.”
“Eu sou a mulher que ele ama.”
Bati no volante de novo.
— Ele é meu! — gritei, com raiva no carro fechado.
Meu peito arfava, e aos poucos, a lucidez retornava.
Eu sabia que precisava ser cuidadosa. A minha vantagem era que ninguém além dela tinha visto meu rosto descoberto. Ninguém. Eu tinha mantido a máscara o tempo todo até entrar no quarto.
E, se ela resolvesse abrir a boca, o que diria? “Ah, a Sophie Pósitron entrou no meu quarto vestida de enfermeira e tentou me sufocar”?
Sorri de lado. Passei a língua pelos lábios, sentindo o gosto metálico do batom misturado ao sangue que mordera. Tudo o que preciso é um álibe e claro, um pouco de dinheiro para sumir com as imagens das câmeras de segurança. Vai sair tudo do jeito que eu quero.
Eles não vão me pegar!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!