DAMIAN WINTER
Atravessar a entrada principal do hospital pareceu diferente de todas as outras vezes. Geralmente, era só mais um ambiente frio e tranquilo que eu já tinha decorado, como se cada passo até o quarto da Stella fosse apenas parte da rotina cansativa de vê-la se recuperar. Mas, quando voltei, percebi que algo estava estranho. Havia guardas da polícia próximos à recepção, rádios chiando com frequência incomum e até mesmo visitantes murmurando uns para os outros, como se alguma notícia grave estivesse se espalhando pelo prédio.
A bolsa pendia do meu ombro, com as coisas que Stella havia pedido para a alta do dia seguinte, roupas confortáveis, alguns itens de higiene, e, escondido entre tudo, os dois brigadeiros que ela implorou com aqueles olhos azuis suplicantes. Eu devia ter dito não, mas não consegui negar.
Um enfermeiro murmurou algo para outro quando passei, e ambos me lançaram olhares tensos. Apertei o passo, sentindo meu coração acelerar. Não podia ser nada com ela. Não, não agora, não depois de três semanas exaustivas e faltando apenas um dia para irmos pra casa.
Quando dobrei o corredor do quarto da Stella, meu estômago se revirou. Dois policiais estavam posicionados à porta, observando com braços cruzados. A adrenalina me atingiu com força. Sem pensar, avancei.
— O que aconteceu com a Stella? — minha voz saiu mais grosseira do que eu pretendia, mas não havia espaço para amenidades.
O policial apenas fez um gesto de permissão, deixando-me entrar. E só me acalmei quando vi Stella estava sentada na cama, conversando com outro policial ao lado da enfermeira de meia-idade que eu já conhecia das últimas semanas. Ela me olhou no instante em que entrei, acenando brevemente.
Deixei a bolsa na poltrona sem tirar os olhos de Stella.
— Stella? — avancei até a cama. — O que diabos aconteceu aqui?
Ela respirou fundo, claramente tentando se recompor, mas sua mão ainda tremia sobre o lençol.
— Foi a Sophie. Ela entrou aqui disfarçada de enfermeira e tentou… tentou me sufocar.
Pörra! Fechei os punhos, controlando minha raiva. Essa mulher não tinha limites? Como ela pode continuar burlando os incompetentes dos seguranças tão facilmente?
O policial que estava com Stella completou:
— Senhor, a senhorita Harper relatou que uma mulher entrou no quarto se passando por funcionária do hospital. Ela apresentou sinais de estrangulamento e a enfermeira confirmou marcas recentes no pescoço. Estamos tratando o caso como tentativa de homicídio.
— E o que falta para prenderem a culpada? — murmurei com amargura.
Olhei para Stella, que sustentava meu olhar.
— Eu já disse a eles. — ela insistiu —Foi a Sophie. Eu a reconheci, porque ela tirou a máscara na minha frente
Claro que foi a maldita Sophie. Como eu podia permitir que ela chegasse tão perto outra vez?
O policial pigarreou, chamando minha atenção.
— Estamos organizando a verificação das câmeras de segurança agora mesmo. Se a senhora Harper estiver certa, teremos imagens para comprovar a entrada dessa mulher. Isso nos dará a prisão em flagrante.
Será que essas imagens poderiam ser relevantes? Ela deve ter entrado de máscara e saído da mesma forma.
— Eu vou acompanhar vocês — declarei de imediato. — Preciso ver isso com meus próprios olhos. — Me inclinei dando um beijo na testa de Stella. — Já volto, querida.
Dois oficiais permaneceram na porta do quarto, garantindo a segurança de Stella. Enquanto isso, segui com a equipe até a sala de monitoramento, cada passo tomado por uma fúria que só aumentava. Se finalmente houvesse provas, eu mesmo me certificaria de que Sophie fosse colocada atrás das grades.
A sala era pequena, abafada pelo zumbido dos computadores e monitores. Um técnico do hospital já estava conectado ao sistema. Os policiais explicaram o que buscavam e, em poucos minutos, começaram a retroceder as gravações do andar da Stella.
Cada segundo da imagem em preto e branco me deixando mais tenso. Primeiro, o corredor vazio. Depois, funcionários transitando normalmente. Até que… nada. O espaço de tempo simplesmente saltava. Quinze minutos de gravação, apagados.
— O que é isso? — perguntei.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!