STELLA HARPER
A sensação de voltar para casa foi mais estranha e doce do que eu esperava. Depois de todas as noites brancas no hospital, das dores que ainda latejavam nas costelas e no abdômen, do incomodo do braço engessado, atravessar a porta da nossa casa foi como atravessar para um outro mundo que eu achava que existia apenas nos meus sonhos.
Damian estava ao meu lado, atento e cuidadoso como nos últimos dias. Ele me ajudou a descer do carro, sua mão automaticamente segurou na minha cintura, o outro braço segurava minha bolsa. Meu corpo doía a cada pequeno passo, mas o desejo de entrar e ver meus filhos me dava coragem para ir mais rápido.
— Devagar — ele murmurou, controlando minha pressa. — Eu guio você.
Nós caminhamos pelo corredor e eu reconheci cada quadro, cada pequena imperfeição na parede que eu já nem notava. A casa parecia estar segurando a respiração e eu pude ouvir vozes abafadas vindas da sala. Um arrepio de expectativa subiu pela minha coluna.
Quando Damian empurrou a porta da sala, a luz se acendeu e um coro de vozes e risadas explodiu no mesmo segundo.
— Surpresa! — gritaram.
E ali estava uma mistura de aplausos, balões, um bolo pequeno e bonito sobre a mesa, Leah com o olhar marejado, Elaine segurando uma bandeja de coisas que eu mal reconheci de tão emocionada que estava, Lizzy fazendo uma pose engraçada com o celular na mão, e, claro, o que fez meu peito explodir de emoção, três pequenos corpos correndo na minha direção.
Apollo, Orion e Danian vieram em comboio, cada um com um abraço simultâneo, os braços apertando meu tronco com uma força que me fez rir e chorar ao mesmo tempo.
— Mamãe! — eles disseram juntos.
Sentei-me no sofá com o cuidado que meu corpo pedia, e Damian me ajudou, deslizando um travesseiro atrás das minhas costas. Quando as crianças pularam para cima de mim, as lágrimas desceram sem limites. Seria difícil dizer se eram da dor ou da alegria provavelmente ambas.
— Vocês estão bem? — perguntei, enquanto acariciava o cabelo de cada um com a mão que podia me mover.
— Sim! — responderam em coro.
— A gente cuidou um do outro. — Comentou Apollo.
Danian, com olhos grandes demais para a idade, ficou colado em mim, buscando aconchego em minha cintura como se eu fosse seu porto seguro definitivo.
— E o braço? — Ele perguntou, mais sério de repente, olhando o engessado.
— Está um pouco desconfortável — respondi sincera. — Mas é temporário. Vai melhorar com o tempo.
Orion franziu a testa como se estivesse fazendo contas, era a expressão que ele fazia quando tentava entender coisas de adulto.
— A gente vai te ajudar — disse com convicção. — Eu e o Apollo prometemos.
— Nós três, prometemos — acrescentou Danian, beijando minha barriga.
Aquela cena fez com que o nó no meu peito amolecesse de vez. Eu ri, e foi um riso encharcado de alívio.
Leah se aproximou com uma bandeja que tinha uma xícara de chá e um pratinho com uma fatia de bolo.
— Quer um pouco, Stella? — perguntou, já ajeitando uma manta sobre minhas pernas.
— Por favor — respondi.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!