DAMIAN WINTER
Stella finalmente adormeceu. Sua respiração estava calma, embora ainda um pouco irregular por causa da dor. Toquei suavemente seu cabelo, afastei uma mecha que caía sobre o rosto e fiquei ali alguns instantes, observando o quanto ela parecia vulnerável e, ao mesmo tempo, absurdamente forte.
Não havia como negar que ela tinha sobrevivido milagrosamente. E eu era muito grato por isso.
Levantei-me em silêncio, deslizando para fora cama e sai do quarto. No corredor, o som abafado da televisão na sala denunciava que os meninos já estavam jogando videogame. Eu já esperava por isso. Encontrei os três esparramados no tapete.
— Papai! — Orion foi o primeiro a me notar. — Você vai jogar com a gente?
Sorri com carinho, mas balancei a cabeça.
— Agora não, campeões. Eu preciso sair por um instante. Fiquem quietinhos com as tias e a vovó.
Apollo fez cara feia.
— Mas você disse que ia brincar quando a mamãe voltasse!
Ajoelhei-me diante deles, um braço em cada ombro dos dois gêmeos, enquanto Danian me encarava em silêncio, mais observador que os irmãos.
— Eu vou voltar a tempo de jantar e brincar com vocês. Prometo. Enquanto isso, obedeçam a tia Leah, tia Lizzy e a vovó Elaine. Nada de bagunça demais, entendido?
Eles assentiram com a relutância típica de crianças, e eu beijei o topo da cabeça de cada um. Danian segurou minha mão um pouco mais forte.
— Vai demorar? — perguntou.
— Não. Só o suficiente para resolver um problema. — respondi, apertando os dedos dele de volta. — Quando eu voltar, vou querer todos prontos para me derrotarem no videogame.
Eles riram, e isso me deu combustível. Peguei as chaves sobre o aparador e saí.
A noite estava fria quando entrei no carro. Dirigi sem pressa até minha antiga casa.
Estacionei perto da entrada, desliguei o carro e fiquei observando por alguns segundos. As janelas estavam iluminadas, e eu podia ouvir música abafada vindo de dentro. Apertei o maxilar, respirei fundo e atravessei o portão.
A empregada abriu a porta depois da terceira batida. Seus olhos se arregalaram ao me ver.
— Senhor Winter… não sabia que viria.
— Ninguém sabia. — respondi secamente, passando por ela sem pedir licença.
O cheiro de vinho e perfume caro me atingiu de imediato. A sala estava aquecida demais, e a cena diante de mim fez meu estômago se revirar de desprezo. Essa mulher é realmente maluca.
Sophie estava no sofá, sentada no colo de um homem que eu nunca tinha visto. As mãos dele estavam na cintura dela, e eles riam e se beijavam. Olhando bem, fazem um ótimo casal, bem que ela podia mudar o alvo da sua obsessão e me deixar em paz, seria pedir muito?
Antes que ela pudesse notar minha presença, tirei o celular do bolso e capturei uma foto. Nunca se sabe quando poderia ser útil. Depois de confirmar que a foto estava boa, guardei meu celular novamente e pigarreei alto o bastante para atrair suas atenções.
Sophie virou-se, ainda sorridente, mas o sorriso se desfez instantaneamente quando me viu. O sangue deixou seu rosto pálido, e ela se levantou apressada, ajeitando a saia curta.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!