DAMIAN WINTER
DIAS DEPOIS...
Os dias passaram em um piscar de olhos. Depois da visita do meu pai, as coisas ficaram um pouco estranhas com minha mãe também, mas ela continuava nos visitando todos os dias.
Não falei em detalhes com Stella sobre isso, apenas comentei que tive uma conversa definitiva com meu pai, tentando não angústiá-la porque ela precisava de paz, e eu também. Mantive-me focado nela e nos meninos, recusando qualquer ligação ou mensagem que não fosse totalmente urgente. Leah esteve mais presente do que nunca, e eu a agradeci em cada vez que a via ocupando as crianças para que Stella pudesse descansar.
Hoje, no entanto, eu não podia estar em casa.
Deixei Stella sentada no sofá, que agora era seu lugar preferido, cercada por almofadas, o braço engessado apoiado cuidadosamente. Os gêmeos corriam pela sala, brigando por um carrinho, e Danian já estava pronto para pular no meu colo e implorar que eu não fosse.
— Eu volto logo. — garanti, abaixando-me para beijar a testa dele. — Fique com Stella e os seus irmãos.
— Mas eu quero ir com você! — protestou.
Stella colocou a mão livre sobre a perna dele e sorriu.
— Hoje você tem que ser meu incrível assistente, não do papai.
Ele suspirou, concordando a contragosto.
Foi difícil sair. Mas era necessário.
O julgamento de Sophie começaria naquela manhã, e mesmo que eu não fosse chamado para testemunhar, eu precisava estar lá. Precisava olhar nos olhos dela quando ouvisse cada acusação, cada palavra que a prendia contra a parede. Precisava ver, com os meus próprios olhos, a máscara dela se desfazendo.
[...]
O tribunal estava lotado.
A imprensa se aglomerava nas escadarias, flashes disparando a cada segundo, repórteres gritando perguntas que ninguém respondia. Passei direto, ignorando as vozes que tentavam me arrastar de volta para aquele circo. Ao entrar, notei que ali dentro reinava um silêncio pesado, quebrado apenas pelos passos no piso de e pelo ranger das cadeiras de madeira.
Os bancos estavam quase todos ocupados. Vi alguns rostos conhecidos de acionistas, jornalistas, até advogados que trabalharam comigo no passado. Sentei-me nas fileiras de trás, em um ponto estratégico de onde eu podia observar tudo sem ser o centro das atenções.
A promotoria rebateu com calma usando prints de mensagens, cópias de e-mails, reuniões gravadas. Cada prova era um tijolo a mais selando o destino dela.
Eu observava cada detalhe, os sussurros entre os advogados dela que estavam cada vez mais perdidos, a postura enrijecida de Sophie, a maneira como ela apertava os dedos um contra o outro. Mas não vi nenhum arrependimento em seus olhos, apenas medo de perder.
A audiência se estendeu por horas. Houve depoimentos de ex-funcionários, contadores, até de acionistas que foram prejudicados. Alguns a apontavam diretamente, outros se limitavam a confirmar a cadeia de eventos que comprovava a fraude.
Enquanto isso, minha mente divagava. Pensei em Stella em casa, nos meninos, na vida que eu estava construindo longe de toda aquela sujeira. Pensei em como era quase irônico estar ali, assistindo Sophie responder por fraudes financeiras, quando eu sabia que o verdadeiro crime dela ainda estava impune. Ainda não consigo acreditar que Jonas não conseguiu nada que provasse que ela era a culpada em um mês de busca.
Engoli em seco, mantendo o controle. Esse dia ainda chegaria.
O relógio marcava quase quatro da tarde quando o juiz anunciou que daria sua decisão.
O murmúrio se espalhou pela sala, abafado mas ansioso. Eu cruzei os braços, mantendo os olhos fixos no magistrado. Sophie se remexeu na cadeira, os lábios contraídos, como se a maquiagem não fosse suficiente para segurar a máscara por muito mais tempo.
— Após analisar todas as provas apresentadas, ouvir os depoimentos e avaliar a consistência dos argumentos... — começou o juiz, com sua voz ecoando no salão que ficou em absoluto silêncio para ouvi-lo. — Este tribunal chega à seguinte conclusão, Sophie Pósitron foi considerada...

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