DAMIAN WINTER
Morales fez um gesto rápido, e naquele instante tudo pareceu parar. O ar ficou suspenso em meus pulmões, os segundos se alongaram, e cada fibra do meu corpo só tinha um foco: Danian. O rosto dele marcado pelo medo, os olhos arregalados pedindo socorro e o corpo trêmulo com medo da própria mãe.
O som do movimento tático que veio em seguida quebrou essa suspensão no tempo. Dois agentes surgiram pelas laterais, luzes cruzaram a escuridão, e Sophie se agitou. Seu braço tremeu, a lâmina ameaçando se aproximar demais da pele delicada do meu filho. O grito de Danian cortou meu peito como uma faca.
— Fiquem longe! — berrou ela. — Eu já disse!
Um dos policiais lançou uma granada de luz pela lateral. O clarão explodiu em branco, e Sophie instintivamente fechou os olhos. Foi o segundo exato que a equipe precisava. Morales avançou com um movimento limpo, derrubando a faca da mão dela. Outro agente puxou Danian para trás com rapidez, e o meu filho se soltou num choro estrangulado.
— Papai! — ele gritou, correndo na minha direção.
Não senti meus pés se moverem, mas de repente ele já estava nos meus braços, se agarrando ao meu pescoço como se quisesse fundir o corpo dele ao meu. Segurei firme, esmagando-o contra o peito, protegendo-o com cada músculo, cada osso e cada respiração.
— Tá tudo bem, filho, tá tudo bem — sussurrei com a voz falhando, enterrando o rosto no cabelo dele.
Mas Sophie não estava acabada. Quando os agentes a empurraram contra a parede, ela se retorceu como uma fera acuada, e do bolso do casaco tirou algo que brilhou. Uma arma.
A mira dela veio na minha direção, a minha mão empurrou a cabeça de Danian contra o peito para que ele não visse e virei de costa para protegê-lo, só ouvindo o grito de Morales:
— Arma!
Dois estampidos ecoaram quase ao mesmo tempo. Olhei por cima do ombro e vi o corpo dela sendo jogado para trás pelo impacto, o revólver caiu com estrondo no chão. O sangue se espalhou pelo tecido da blusa enquanto ela caía de lado, com o olhar ainda fixo em mim.
O barulho dos tiros ecoou por segundos intermináveis dentro do meu crânio. Danian soluçava baixo, escondido no meu peito, os bracinhos presos ao redor do meu pescoço. Eu o balancei, instintivamente, como se pudesse apagar aquele som, como se pudesse blindá-lo do mundo.
— Já passou, filho, já passou... você está com o papai agora.
Morales aproximou-se, com arma ainda em punho e olhar sério. Ele verificou Sophie no chão, os agentes se movimentaram rápido, revistando a área, mas a ameaça estava neutralizada.
— Ela... — comecei, mas a voz saiu áspera.
— Dois disparos certeiros — confirmou Morales, baixo. — Ela não levanta mais.
Olhei por cima do ombro, por um segundo apenas, e vi o corpo dela imóvel. O rosto pálido, os olhos abertos e vazios. Era o fim de Sophie. O fim da mulher que já foi a mãe do meu filho, e também o pesadelo que ameaçou nos destruir.
Mas eu não consegui sentir nada além do calor frágil de Danian contra o meu corpo.
Ele tremia, os soluços entrecortados. Eu o puxei ainda mais para mim, quase sufocando-o nos meus braços, e saí dali, ignorando a movimentação dos policiais, ignorando a algazarra de ordens e confirmações pelo rádio. O mundo podia desmoronar, mas o que realmente importava estava seguro comigo.
Morales veio atrás, tocando meu ombro.
— Winter... precisamos levar vocês para a ambulância. Ele precisa ser examinado.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!