STELLA HARPER
CINCO ANOS DEPOIS
Cinco anos. Parece impossível dizer isso em voz alta e acreditar que realmente se passou tanto tempo. Às vezes, quando estou sozinha, ainda me pego olhando pela janela e me perguntando se tudo foi um sonho. Se algum dia estive mesmo na Califórnia, se algum dia trabalhei na Winter Enterprises, se algum dia me apaixonei pelo homem errado e se algum dia fugi com dois corações batendo dentro de mim, desesperada por salvar o pouco de sanidade que me restava.
Mas então ouço as risadas.
— Mamãe, o Apollo me empurrou! — grita Orion do corredor, correndo desajeitado, com os cabelos escuros completamente desgrenhados.
— Não foi de propósito! — retruca Apollo, logo atrás, com a cara mais inocente que já vi.
— Foi sim! Só porque eu não quis ajudar a embalar as coisas dele.
— Eu sou o mais velho, você devia me obedecer. — Apollo retruca, a resposta de Orion é mostrar a lingua.
Eles invadem meu quarto como um furacão, pulando na cama, disputando espaço ao meu lado, com aqueles olhos castanhos brilhando como o céu quando o sol atravessa nuvens densas.
Apollo e Orion. Meus pequenos universos se parecem com furacões.
E aí eu sei. Nada foi sonho. Tudo foi real, desde a dor até a cura.
Quando cheguei em Wethersfield pela primeira vez, parecia que o mundo havia encolhido ao meu redor. Permaneceu encolhido por muitos meses, até que ouvi o choro deles pela primeira vez. Primeiro Apollo, depois Orion. Foi quando tudo se expandiu outra vez e eu desejei conquistar esse mundo enorme para eles.
Alexander ficou ao meu lado em cada segundo.
Ele dizia que estava ali para ajudar, que não queria que as crianças sentissem falta de uma figura paterna, principalmente quando fossem para a escola. A verdade é que ele estava ali por mim. Eu sabia. Sentia.
Nunca me pediu nada em troca. Nunca atravessou a linha.
Permiti que os meninos o chamassem de pai. Por gratidão, por culpa... talvez por não saber dizer não. E com o tempo, ele se tornou isso para eles. Um pai. O melhor possível. Amoroso, presente, protetor.
Os anos passaram em um piscar de olhos. Entre mamadeiras, choros noturnos, desenhos animados e passos vacilantes, os meninos cresceram, e com eles, cresci também. Voltei a estudar à distância, cursei administração para ajudar Alexander com a expansão do Fox & Maple.
Aprendi a sorrir de novo. A respirar com leveza. Não voltei a amar. Mas aprendi a me amar. A me respeitar. A entender que o amor verdadeiro era aquele que tinha pelos meus filhos e eles por mim.
Os negócios de Alexander cresceram como um incêndio em campo seco, rápido, imprevisível e impossível de conter. O que começou como um café pequeno, preenchendo as manhãs de Wethersfield, virou uma rede que se espalhou por todo o estado de Connecticut em menos de três anos.
Alexander tinha uma mente afiada para negócios, mesmo fingindo despretensão. Quando dizia que estava “só testando uma ideia nova” ou “improvisando um cardápio mais atrativo”, eu sabia que, na verdade, ele estava elaborando um plano detalhado para abrir mais uma filial, conquistar outro público, fazer o nome Fox & Maple soar como música entre os apaixonados por café artesanal. E conseguiu.
Com o tempo, ele começou a viajar mais. Primeiro uma semana em Hartford, depois dez dias em New Haven, depois três semanas inteiras no norte do estado para garantir que o padrão de qualidade fosse mantido em cada novo café.
Mesmo longe, Alexander sempre dava um jeito de estar presente.
Chamadas de vídeo antes de dormir, caixas misteriosas chegando com presentes exatamente no dia em que os meninos estavam tristes ou doentes, cartas rabiscadas por ele e guardadas com cheiro de canela entre os cadernos escolares deles. Nunca, nem por um segundo, ele permitiu que Apollo e Orion sentissem sua ausência como abandono. Ele os fazia sentir falta com carinho, não com dor.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!