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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 20

O som da risada deles preencheu a sala logo cedo. Orion e Apollo tinham empilhado todas as almofadas do sofá e estavam saltando como se estivessem numa cama elástica improvisada. Um desenho passava na TV, mas era ignorado em favor da brincadeira que inventaram.

Mas eu não conseguia sorrir.

Desde a madrugada, aquela mensagem pesava na minha cabeça. E eu sabia que não podia guardar aquilo sozinha.

Alexander estava na cozinha, organizando as canecas no armário novo como se elas tivessem lugar certo já no primeiro dia. Leah, sentada à mesa com uma xícara de chá, mexia o líquido com uma colherzinha como se estivesse pensando em mil coisas ao mesmo tempo.

— Leah. Alex. — chamei baixinho, me aproximando da mesa. — Posso falar com vocês um segundo?

Ela ergueu o olhar, imediatamente. Alexander se virou no mesmo instante.

— Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou, já vindo na minha direção.

Respirei fundo, tirei o celular do bolso e coloquei em cima da mesa, com a tela acesa, mostrando a mensagem.

Leah leu primeiro. Franziu a testa.

— Quando você recebeu isso?

— De madrugada. Acordei com a notificação.

Alexander pegou o telefone em seguida.

— Número desconhecido. E só essa frase?

Assenti.

— Alguém sabe que você voltou. — ele disse, mais para si do que para mim.

Leah tomou a palavra:

— Pode ter sido algum número antigo, ou um trote... talvez alguém da cidade que não ficou feliz com a sua partida.

— Eu pensei nisso — murmurei. — Mas não consegui ignorar.

Alexander deslizou os dedos pela tela e soltou um suspiro pesado.

— E se for o Damian?

Meu estômago revirou.

— Não é ele — respondi, firme.

— Como pode ter tanta certeza? — ele insistiu, me encarando como se quisesse ter certeza junto comigo.

— Porque ele não se importa. — dei um passo para trás, abrindo espaço entre nós. — Não deve nem lembrar que eu existo.

Alexander franziu os lábios, mas não rebateu. Leah, por outro lado, balançou a cabeça e soltou um som de ceticismo.

— Se ele soubesse dos meninos... — ela começou.

— Ele não sabe. — respondi, seca.

— Mas se soubesse — ela repetiu com ênfase — você não acha que já teria dado um jeito de aparecer? Damian Winter nunca foi de ignorar o que considera "dele".

Fiquei em silêncio. Era verdade. Se ele soubesse sobre Apollo e Orion, não estaria quieto. Já não poderia exigir um aborto então provavelmente viria me pedir para ficar quieta e não divulgar a existência deles. Já que colocaria em risco sua imagem de "Familia perfeita".

Alexander se aproximou, com um olhar protetor que me deu vontade de chorar.

— Você quer que eu procure o número? Posso rastrear, ou pedir pro segurança do café entrar em contato com alguém da área de cibersegurança...

— Não. — interrompi. — Pode ter sido só uma brincadeira idiota. Ou um número errado. Talvez fosse pra outra pessoa.

Leah cruzou os braços, olhando para mim com aquele ar meio maternal que ela usava quando eu dizia que estava tudo bem, mesmo quando não estava.

— Tem certeza?

— Tenho. — forcei um sorriso. — E, de verdade, prefiro não alimentar isso. Se for algo mais sério, outra mensagem virá. Mas por enquanto... vamos fingir que não aconteceu.

Alexander respirou fundo e assentiu.

— Se for isso que você quer. Mas se mudar de ideia...

— Eu vou te falar. — respondi.

Na sala, Apollo começou a cantar a música de abertura do desenho que estava passando, desafinado e alto. Orion o acompanhou em seguida, ainda em cima das almofadas.

Leah tomou um gole do chá, fez uma careta porque estava frio, e se levantou.

— Bom, vou buscar minha mochila. Prometi que levaria os dois para conhecer o parquinho do bairro antes do almoço.

— Você vai se arrepender. — murmurei, rindo.

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