STELLA HARPER
— Winter? — repeti, quase rindo, mesmo com a dor no joelho e o desconforto no ombro. — Olha só… é o mesmo nome da…
Ela abriu um sorriso como se já soubesse o que eu ia dizer.
— Winter Enterprises, sim. — falou com naturalidade, ajeitando a manta sobre as pernas. — Meu filho é quem está no comando agora.
Meu estômago se contraiu de um jeito que quase me fez perder o ar. A palavra “filho” pareceu se expandir na minha cabeça até ocupar todo o espaço. Por dentro, eu já sabia a resposta, mas ainda assim… precisei confirmar.
— Seu filho? Mas… — fingi uma confusão inofensiva — achei que o CEO da Winter tivesse uns trinta e cinco anos.
Ela soltou uma risada tão genuína que por um segundo me perguntei se estava debochando ou apenas se divertindo com a minha ignorância.
— Sim. Ele completou trinta e cinco anos. — Ainda estava confusa, a mulher em minha frente não aparentava ter mais que quarenta e cinco e isso sendo bem generosa.
— Me perdoe a curiosidade, mas, quantos anos a senhora tem? Olhando para a senhora eu não diria que tem mais que quarenta e cinco anos.
— Quarenta e cinco? Ah, querida… eu tenho cinquenta e nove. — disse, ainda rindo
Meu queixo quase caiu. Eu senti um pouco de inveja e também quero ser apresentada a esse cirurgião quando passar dos cinquenta.
— Cinquenta e nove? — repeti, como se precisasse confirmar para o universo que tinha entendido certo.
— Cinquenta e nove. — reforçou, piscando para mim. — Bons genes e bons cremes. E, bem… uma certa quantidade de procedimentos estéticos. Mas não conte para ninguém. — Ela colocou o indicador sobre os lábios me pedindo segredo e dei uma risadinha.
— Claro, fica entre nós. Mas a senhora ainda é muita jovem e bonita. — Elogiei sinceramente.
Ela levou a mão ao peito, rindo com gosto.
— Ah, minha querida, continue falando assim que vamos virar amigas rapidamente.
Eu também ri, e começamos a conversar sobre como ela estava se sentindo, sobre o acidente. Ela contou que tinha vindo para um evento beneficente e que não esperava encontrar uma estrada tão perigosa, por isso desviou caminho e acabou perdendo controle do carro quando outro veio na contramão. Não era de estranhar, já que a rua da minha casa não é uma via comum, os moradores das redondezas devem andar como querem. Não acredito que simplesmente foram embora sem socorrer.
Quando me dei conta ela já tinha mudado de assunto e estava falando tudo sobre a sua vida.
— Tenho uma filha mais nova também — disse ela, ajeitando-se na cama. — Lizz. Tem vinte e seis anos. Uma menina doce, mas tão teimosa e desobediente que... só jesus na causa.
— Deve ser tão linda quanto a senhora. — Vejo Elaine sorri timidamente e me surpreendo já que parece algo que alguém como ela ouve frequentemente.
— Você me lisonjeia, querida. — respondeu, com um sorriso que parecia carregar mais ternura que vaidade. — Mas não é só de beleza que vive uma mulher, não é? Tenho também um neto. Danian. Vai fazer quatro anos agora. É filho do Damian e da Sophie.
A imagem dele, surgiu na minha mente sem permissão. Quase quatro anos… ele seguia com a vida dele, construindo a família perfeita, com a esposa perfeita, o herdeiro, status e tudo que combinava com a imagem impecável dele.
Tentei sorrir, mas senti que meus lábios tremeram levemente.
— Deve ser uma criança adorável. — comentei, baixando o olhar para minhas mãos.
— É. — Ela suspirou, e um brilho suave passou pelos olhos dela. — Ele é esperto, curioso… e adora o avô. Acho que mimamos demais aquele menino.
Assenti, tentando manter a compostura enquanto minha mente girava. Eu me perguntei se ele algum dia tinha se lembrado de mim nesses anos. A resposta era óbvia: não. Damian Winter não era o tipo de homem que guardava na memória algo ou alguém, que não tivesse mais utilidade.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!