STELLA HARPER
Alexander não parava de falar do quanto fui impulsiva hoje e então começou um sermão sobre eu não ter esperado a alta do médico. Eu olhava pela janela, tentando controlar a respiração e ignorar o latejar no meu braço, e principalmente no joelho, onde o arranhão mais incômodo começava a arder agora que a adrenalina tinha passado. Minha manga estava manchada de sangue seco.
Alexander mantinha uma das mãos no volante e a outra descansando sobre a marcha, mas eu sentia o olhar dele no canto do meu rosto enquanto falava.
— Você deveria mesmo ter esperado pra terminar o atendimento — disse ele, virando o carro em um atalho. — E se fosse necessário algum outro exame? Quem sabe se você não machucou a cabeça ou algo assim.
Respirei fundo, evitando encarar.
— Eu não podia.
— Não podia ou você não quis? — Ele franziu o cenho. — Ainda não entendi porque a gente saiu correndo daquele jeito.
Olhei para minhas próprias mãos, que tremiam nervosamente, e engoli em seco.
— É que... eu vi o Damian lá.
O silêncio que se seguiu foi mais desconfortável do que qualquer ferimento que eu tivesse. Alexander não respondeu de imediato. O único som era o leve chiado do ar circulando.
— E ele viu você? — perguntou, enfim, com a voz mais baixa.
— Por sorte, não. Ele estava olhando para o celular e eu me escondi. — respondi, fechando os olhos por um instante. — Por isso eu saí antes que pudesse acabar esbarrando nele.
Alexander fez um som quase imperceptível, como se estivesse ponderando algo que preferia não dizer.
— Nesse caso você fez bem, mas talvez não dê para evitá-lo para sempre.
— Eu sei, e a mãe dele sabe meu nome. — murmurei. — Mas está tudo bem. Tenho certeza que ele não lembra de mim e se ela mencionar meu nome, vai passar despercebido.
— Não acredito que podemos seguir com essa hipótese. Stella, você não passaria despercebida para nenhum homem nesse mundo.
— Para ele sim! — respondi, mais firme do que pretendia. — Eu não tive nenhuma importância para ele, vamos esquecer esse assunto.
Ele olhou rapidamente na minha direção, depois voltou os olhos para a estrada.
— Ok. Mas você entende que, se ele vier atrás de você...
— Ele não vem. — cortei, para encerrar o assunto. Não queria ouvir em voz alta o que já me torturava por dentro. — Mas se esse dia chegar, vamos dar um jeito. Afinal, eu tenho você.
— Você está certa. Você me tem.
O restante do caminho foi feito em silêncio, cada um imerso nos próprios pensamentos.
Quando o carro parou na frente de casa, vi pela janela a cortina da sala se mover. A porta abriu antes mesmo de eu colocar o pé no chão.
— Mamãe! — Dois corpos pequenos correram em minha direção, soluçando.
Me agachei para abraçá-los, mas o movimento fez meu joelho reclamar, arrancando um gemido involuntário. Eles não notaram, agarrados ao meu pescoço com força.
— Calma, calma… a mamãe está bem. — sussurrei, tentando manter a voz estável enquanto as lágrimas deles molhavam meu ombro.
Leah surgiu logo atrás, com os olhos arregalados quando viu meus ferimentos. Confesso que eu parecia um pouco pior do que estava.
— Meu Deus, Stella… — Ela se aproximou rapidamente. — Como você está?
— Depois falamos sobre isso. — disse, sem querer assustar ainda mais as crianças.
Ela ajudou a levá-los para dentro, mas eles não desgrudavam de mim. Orion se agarrou à minha cintura, e Apollo segurava minha mão como se alguém pudesse arrancá-lo de mim a qualquer momento.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!