STELLA HARPER
— Você disse a ele que descobriu onde eu moro? — minha voz saiu mais nervosa do que pretendia, e pude ver Elaine piscar, surpresa com a pergunta direta.
Ela negou com a cabeça rapidamente.
— Não, Stella. Eu não contei para o Damian. Não seria certo deixar ele vir a sua casa sem ter sua aprovação antes.
Suspirei aliviada, mas não deixei de franzir o cenho.
— Então, por favor, não conte. Não precisa desse agradecimento vindo dele ou de você. Eu teria feito o mesmo por qualquer um, o fato de ter ajudado alguém com tanto poder é só uma coincidência. Aceitar uma recompensa faria parecer que minha ação não foi genuína.
Ela me olhou com uma expressão quase triste, mas compreensiva.
— Entendo. Não quero te pressionar de maneira nenhuma e sei que você salvou minha vida sem nenhuma segunda intenção.
Olhei para o relógio na parede e percebi que estava passando da hora dos meninos jantarem.
— Já que veio até aqui e trouxe os presentes, quer ficar para jantar? — perguntei, quase por educação, tentando manter a situação sob controle.
Ela sorriu e acenou aceitando o convite.
— Aceito.
Voltei para a cozinha, pegando na geladeira tudo que havia preparado esta manhã: um arroz simples, frango assado e uma saladinha. Não era nada elaborado, mas era o que tinha à mão.
Coloquei tudo na mesa, organizando o mais bonito que pude. Meus olhos correram pelo ambiente, imaginando o contraste daquela simplicidade com a vida luxuosa que sabia que Elaine levava.
— Me desculpe pela simplicidade — murmurei, entregando os pratos. — Eu sei que você está acostumada a coisas bem melhores do que isso.
Ela sorriu, balançando a cabeça.
— Stella, não se preocupe com isso. Tudo parece delicioso e estou em ótima companhia.
Ela se sentou com graça. Eu sentei-me ao lado, enquanto os gêmeos foram chamados para a mesa. Antes mesmo de começarmos a comer, Apollo, que estava com os olhos curiosos e brilhantes, soltou:
— Mamãe, o papai não vai comer com a gente hoje?
— Não, ele está muito ocupado no trabalho. — expliquei, com um sorriso cansado.
Elaine sorriu, e notei um brilho aliviado em seus olhos. Ela evitou fazer perguntas mais pessoais, vi ela encarar discretamente meus dedos antes em busca de aliança e, obviamente, não tinha nenhum homem por perto.
— Aposto que os gêmeos são parecidos com o pai, não é? — comentou, se sentindo mais á vontade para abordar o assunto. — Porque eu não vejo muitas semelhanças com você.
Antes que eu pudesse responder, Apollo levantou a mão como se quisesse interromper o adulto e disse com orgulho:
— Eu tenho o cabelo castanho igual ao do papai. Bem, o nosso é um pouquinho mais claro, mamãe diz que misturou as cores do papai e dela. — Na verdade o cabelo deles tinha o mesmo tom do Damian, Elaine pode até notar a semelhança, mas sei que não vai associar eles.
Orion logo completou, apontando para os próprios olhos:
— Também temos os olhos dele.
— Queria ter olhos azuis igual a mamãe, é bem mais bonito e especial.
— Ah querido, tenho certeza que quando crescer vai ver que é tão bonito quanto seu pai. — Digo sem pensar e ouço a risadinha de Elaine.
— Oi, campeão! Estava me esperando? — Ele assentiu, exibindo um sorriso contagiante. — Sua mãe ainda não chegou?
— Não. — Ele balançou a cabeça repetidas vezes. Sophie deve estar na Pósitron ainda, acho que ela anda se enterrando no trabalho só para não voltar para casa e me enfrentar.
— Quer ouvir uma história antes de dormir?
— Quero! — respondeu animado, já se acomodando no meu colo enquanto o carregava para o quarto.
Comecei a contar uma história que inventei na hora. Danian ria, se perdia nos detalhes e fazia perguntas inocentes, que respondi com paciência e carinho.
Quando terminei, dei-lhe um beijo na testa, cobri-o até o queixo e apaguei a luz do quarto.
Assim que fechei a porta, meu celular vibrou com uma mensagem nova.
Era do segurança particular que eu havia contratado para seguir discretamente minha mãe que estava procurando a moça qque a salvou nas redondezas onde aconteceu o acidente, um funcionário que contratei discretamente sem que Sophie soubesse.
Abri a mensagem rapidamente.
“Ela entrou na casa de uma mulher e ficou lá por mais de duas horas. Acho que encontrou quem procurava.”
Abaixo, uma foto que ele mandou e mostrava claramente minha mãe e uma mulher, se despedindo no portão. Era ela. A Stella que salvou minha mãe era a minha Stella.
Não havia mais dúvida, eu a reconheci imediatamente mesmo depois de tantos anos.
Parece que nos encontraremos de novo muito em breve, Stella Harper.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!