DAMIAN WINTER
Fiquei na sala, sentado em uma poltrona de couro escuro, com o olhar fixo na porta da frente. Estava determinado, essa noite a Sophie não escaparia de mim, não importa a hora que ela chegar. O relógio avançava lentamente, as horas se arrastavam como se conspirassem contra minha paciência.
Quando o ponteiro finalmente marcou 2h03, a chave girou na fechadura e Sophie entrou. Ela parecia exausta, os ombros caídos de cansaço e o cabelo levemente desgrenhado.
— Você chegou tarde. — Levantei-me e cruzei os braços, bloqueando a passagem dela para a escada. — Precisamos conversar.
Ela me olhou, exausta, e deu um suspiro resignado.
— Damian, eu estou cansada. Podemos falar amanhã? — disse, já virando para dar a volta.
Mas antes que pudesse se afastar, coloquei a mão em seu braço.
— Amanhã você foge de novo. Por isso, hoje você vai ficar exatamente onde está e conversar comigo.
Ela parou, desviando o olhar.
— Ok. O que quer falar?
Olhei fixamente para ela, avaliando sua aparência bagunçada demais para alguém que estaria sentada atrás de um computador.
— Você estava até essa hora na empresa? — perguntei direto, sem rodeios.
Ela me fitou, com uma ponta de irritação.
— Não é da sua conta onde eu estava.
— É engraçado — falei, recostando-me na parede, sem desgrudar os olhos dela. — Você vive desconfiando de cada movimento meu, sem que eu tenha feito absolutamente nada que levantasse suspeita. — Inclinei a cabeça, observando sua reação. — Será que, por acaso, toda essa desconfiança é medo de eu estar fazendo… o que você faz?
Ela franziu o cenho, como se tivesse sido atingida de surpresa.
— O que eu faço? — repetiu, com a voz carregada de uma incredulidade que não me pareceu verdadeira.
— Me diga, Sophie… — dei um passo lento na direção dela e baixei meu tom. — Você tem um amante?
O rosto dela ficou vermelho num instante, com os olhos faiscando de raiva.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!