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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 29

DAMIAN WINTER

Fiquei na sala, sentado em uma poltrona de couro escuro, com o olhar fixo na porta da frente. Estava determinado, essa noite a Sophie não escaparia de mim, não importa a hora que ela chegar. O relógio avançava lentamente, as horas se arrastavam como se conspirassem contra minha paciência.

Quando o ponteiro finalmente marcou 2h03, a chave girou na fechadura e Sophie entrou. Ela parecia exausta, os ombros caídos de cansaço e o cabelo levemente desgrenhado.

— Você chegou tarde. — Levantei-me e cruzei os braços, bloqueando a passagem dela para a escada. — Precisamos conversar.

Ela me olhou, exausta, e deu um suspiro resignado.

— Damian, eu estou cansada. Podemos falar amanhã? — disse, já virando para dar a volta.

Mas antes que pudesse se afastar, coloquei a mão em seu braço.

— Amanhã você foge de novo. Por isso, hoje você vai ficar exatamente onde está e conversar comigo.

Ela parou, desviando o olhar.

— Ok. O que quer falar?

Olhei fixamente para ela, avaliando sua aparência bagunçada demais para alguém que estaria sentada atrás de um computador.

— Você estava até essa hora na empresa? — perguntei direto, sem rodeios.

Ela me fitou, com uma ponta de irritação.

— Não é da sua conta onde eu estava.

— É engraçado — falei, recostando-me na parede, sem desgrudar os olhos dela. — Você vive desconfiando de cada movimento meu, sem que eu tenha feito absolutamente nada que levantasse suspeita. — Inclinei a cabeça, observando sua reação. — Será que, por acaso, toda essa desconfiança é medo de eu estar fazendo… o que você faz?

Ela franziu o cenho, como se tivesse sido atingida de surpresa.

— O que eu faço? — repetiu, com a voz carregada de uma incredulidade que não me pareceu verdadeira.

— Me diga, Sophie… — dei um passo lento na direção dela e baixei meu tom. — Você tem um amante?

O rosto dela ficou vermelho num instante, com os olhos faiscando de raiva.

Na manhã seguinte, deixei Danian na creche logo cedo. Peguei o endereço que tinha recebido do segurança e segui direto até lá, sem hesitar.

A rua era simples, tranquila, o tipo de lugar que eu não esperaria encontrar ela. Stella não estava tão longe quanto pensei, levou cerca de trinta minutos da minha casa para a dela. Estacionei e caminhei até a porta. Bati duas vezes, firme o suficiente para ser ouvido, mas sem pressa.

Quando a porta se abriu, a pessoa que eu esperava apareceu. Ela continuava tão linda quanto eu me lembrava, não, na verdade ela estava muito mais bonita. Seus olhos se arregalaram, como se tivesse acabado de ver um fantasma. Vi também o leve tremor nos dedos que seguravam a maçaneta.

Inclinei um pouco a cabeça, analisando cada detalhe da expressão dela.

— Parece assustada… — minha voz saiu baixa, quase como uma constatação. — Não esperava me ver aqui senhorita Harper?

Ela abriu a boca, mas antes que pudesse responder, uma voz infantil ecoou lá de dentro.

— Mamãe! Estou pronto! — O som dos passos apressados no chão veio antes de eu ver o dono da voz. — O Orion tá calçando o sapato. Foi o papai que chegou? — Um menino surgiu na porta, com uniforme escolar, mochila nas costas e um sorriso inocente no rosto… que desapareceu assim que me viu, se tornando uma expressão curiosa.

Olhei para ele, depois para Stella, e voltei ao menino que me olhava atentamente e era extranhamente parecido comigo.

— Ele… é seu filho?

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