STELLA HARPER
Eu estava no quarto, ajudando Orion a calçar o sapato. Ele estava meio atrapalhado, tentando se equilibrar e puxando o tênis com cuidado para não estragar a meia.
De repente, ouvi a batida na porta e pensei imediatamente que fosse Alexander, que tinha avisado que passaria para levar os meninos à escola, já que não pôde vê-los ontem.
— Já vou atender! — disse, me levantando rápido.
Abri a porta com um sorriso esperando ver Alexander, mas quem estava parado ali me deixou sem reação. Meu coração acelerou. Um choque gelado percorreu a espinha enquanto ele me fitava.
Senti os dedos ainda segurando a maçaneta tremerem.
— Parece assustada… — Disse baixo, em provocação. — Não esperava me ver aqui senhorita Harper?
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, uma voz infantil de Apollo se espalhou pela sala.
— Mamãe! Estou pronto! — Meu corpo inteiro congelou em pânico. O que eu faço? Bato a porta na cara dele e espero até que vá embora? — O Orion tá calçando o sapato. Foi o papai que chegou? — Ele olhou para Damian com curiosidade.
Vi como ele olhou para o Apollo, depois para mim, me encarando com uma expressão intensa, meio atordoado, e que me fez prender a respiração.
Eu preciso dizer alguma coisa, fazer algo, sei que preciso, mas estou congelada.
— Ele… é seu filho? — Damian faz a temida pergunta. Preciso me livrar dele o quanto antes.
Enquanto Damian ainda estava parado na porta, com aquela pergunta que me congelava por dentro, ouvi o som familiar de um carro se aproximando pela rua. Era Alexander. Respirei fundo, tentando recuperar o controle da situação. Meus dedos pararam de tremer e voltei a firmar a postura.
— Olá Damian. Já faz um tempo que não o vejo. — disse, tentando soar casual, como se aquela surpresa fosse comum. — E sim, eu tenho dois meninos. São gêmeos na verdade.
Damian pigarreou, claramente tentando processar a informação.
— Hum... bem, quem é o pai deles? — perguntou, sem esconder a curiosidade.
Nesse instante, Alexander entrou no portão entendendo meu olhar seguiu com passos firmes e um sorriso largo. Ele logo se abaixou para pegar Apollo no colo ignorando o visitante.
— Ei, garotão! — chamou, e Apollo respondeu animado, com um grito feliz.
— Oi, papai!
Alexander depositou um beijo na minha bochecha em seguida.
— Oi, querida — disse ele, sorrindo para mim. Então olhou ao redor rapidamente ainda ignorando Damian. — Onde está o Orion? — perguntou, olhando o relógio como se estivesse preocupado com a hora. — Não podemos nos atrasar para a aula.
— Ele está quase pronto
Assim que respondi, Alexander virou-se para Damian e fingiu surpresa.
— Uau, Devo estar vendo coisas, Stella. — Sorriu para mim. — Mas esse homem parece muito com o CEO da Winter Enterprises. Muito prazer senhor, sou Alexander Hampton. — Alexander sorriu gentilmente enquanto estendia a mão para Damian.
Eu observava aquela cena, ainda tentando me recuperar da surpresa com Damian na minha porta, quando ele cumprimentou Alexander com uma expressão séria e até um pouco irritada.
A tensão no ar parecia crescer, e eu respirei fundo, tentando manter a calma e raciocinar. Seja lá o que for que Damian tenha para falar é melhor resolver de uma vez e garantir que ele nunca mais venha me procurar.
— Vou falar com ele. Está tudo bem, Alex. — garanti, olhando nos olhos de Alexander.
Ele me fitou com atenção, com uma expressão séria, e então perguntou baixinho:
— Tem certeza?
Assenti, embora não tivesse certeza alguma dentro de mim, só dúvidas e mais dúvidas. Como ele chegou aqui? Por que está aqui? Por que ele ainda lembra de mim? Ele sabe de algo?
— Ok então, te vejo no trabalho. — Alexander me dá outro beijo na bochecha e sai com os meninos.
— Pode entrar, senhor Winter. — Damian passa por mim, fecho a porta, respiro fundo e me viro.
Olho para Damian parado na minha sala, com os braços cruzados e o olhar fixo em mim.
Minha mente girava, tentando organizar as palavras, as emoções, a raiva, o medo e a curiosidade que sua presença despertava.
Ele parecia diferente, não era mais aquele homem de um passado distante, mas ainda parecia intenso e misterioso como eu me lembrava.
— Acho que temos muito o que conversar, Stella. — ele disse, sem tirar os olhos dos meus.
Ele tinha razão. O tempo de fugir tinha acabado.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!