STELLA HARPER
— Pode se sentar — eu disse, indicando o sofá para ele. — Quer algo pra beber?
— Não, obrigado.
Sentei-me na frente dele e cruzei as mãos no colo para disfarçar caso elas começassem a tremer de novo.
— Não faço ideia do que nós teríamos pra conversar, senhor Winter. — comecei, buscando um tom que não soasse como medo. — A menos que você queira me mandar para a prisão por ter entrado na sua empresa com aquele curriculo e diploma falso há seis anos.
Ele ergueu a sobrancelha, e a expressão no rosto dele não me prometia nada bom.
— Quem era aquele cara? — perguntou direto.
Por um segundo pensei que tivesse ouvido errado e olhei para ele confusa.
— Que cara?
Ele inclinou o corpo para frente, me encarando fixamente.
— Aquele que levou seus filhos.
Ele queria saber minha relação com o Alex? O que isso tem a ver com ele?
— Você esqueceu? — forcei um sorriso curto que não chegou aos olhos. — Ele se chama Alexander Hampton.
— Não é isso que estou perguntando. — respondeu, e a voz tinha agora uma camada dura. — Não se faça de boba, Stella.
A cara de “não entendi” que eu mostrava por auto-preservação murchou. Ele não me vê a seis anos, porque acha que tem direito de perguntar assuntos pessoais como se eu fosse obrigada a lhe dar satisfação?
— Por que isso importa pra você? — tentei contornar. — Que eu saiba não há nenhuma razão para lhe contar sobre minha vida pessoal.
Damian me olhava como se pudesse atravessar minha pele, encontrar o que estava por baixo e arrancar para fora sem um pingo de pena. Aquela mesma frieza que me fez tremer anos atrás estava ali novamente, intacta.
— O tal do Hampton — disse ele devagar, quase como se o nome fosse nojento — é mesmo o pai deles?
Ele estava suspeitando. Eu não podia me permitir reagir. Não podia mostrar nada.
— Não te devo satisfações. — respondi, o mais calma que consegui.
A sobrancelha dele arqueou, e ele se recostou no sofá se dando todo o tempo do mundo para me desmontar.
— Isso quer dizer que não?
— Quer dizer que não é da sua conta. — rebati, e por mais que quisesse manter meus olhos nos dele, senti minha atenção deslizar para o canto da sala, como se fugir do contato visual pudesse diminuir aquela pressão.
— Você não sabe de nada sobre mim, Damian. — minha voz saiu rouca e odiei isso.
— Sei o suficiente para apostar que aquele homem não é o pai deles. — Ele se inclinou um pouco mais, e o espaço entre nós ficou sufocantemente pequeno. — E também posso apostar que, se eles não forem meus, você deve ter me odiado tanto na gravidez que fez os dois nascerem com a minha cara. Essa é a única explicação provável.
Meu peito subiu e desceu mais rápido.
— Isso é só uma superstição idiota.
— Hum... Então acho que vamos com a opção de que eles são meus. — Ele sorriu de lado, como se estivesse saboreando minhas respostas. O polegar dele subiu pela minha cintura, pressionando levemente a base do seio, e meu corpo reagiu antes que minha mente mandasse recuar.
— Afaste-se. — falei, mas não dei um passo para longe.
Ele baixou o rosto devagar, o suficiente para que eu sentisse a respiração quente tocar minha pele.
— Só fale a verdade Stella. São meus ou não?
— Não são. Eu sou a mãe deles e Alex é o pai. — Minha resposta pareceu bastante verdadeira, minha voz nem tremeu. No entanto, ele nem piscou, era como se soubesse a verdade e nada do que eu dissesse importaria.
— Ainda poderia dizer isso se eu exigisse um teste de DNA? — perguntou, roçando meus lábios com os dele, minha respiração ficou presa ao receber o contato.
Deus, o que diabos ele está fazendo?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!