DAMIAN WINTER
Eu sempre fui um homem muito paciente. Não no sentido pacífico da palavra, mas no sentido mais perigoso. Paciente como um caçador, que fica imóvel no mato, esperando a presa dar um passo em falso antes de saltar.
Mas paciência não significa calma. E, enquanto descia os degraus da varanda de Stella, cada músculo do meu corpo vibrava com o que ela tinha acabado de me negar. Aqueles olhos que tentavam parecer seguros, mas tremiam no fundo.
Eu conheço a Harper. Melhor do que ela gostaria. E sei quando ela mente.
Entrei no carro e fechei a porta, mas não liguei o motor para ir embora. Fiquei ali, com as mãos no volante, observando pelo retrovisor a porta da casa.
Ela não abriu de novo. Nenhum movimento. Nenhum sinal de que viria atrás de mim ou sairia para trabalhar.
Peguei o celular e disquei um número que conheço de cor. Jonas atendeu no segundo toque.
— Preciso que venha para um endereço agora. — Vou direto ao ponto sem perder tempo com cumprimentos. — Traga mais dois homens da sua confiança. Quero turnos alternados, vinte e quatro horas por dia, até eu mandar parar. Ninguém entra, ninguém sai, ninguém chega perto dessa casa sem eu saber.
— Entendido, senhor. — a resposta veio imediata, sem hesitação ou questionamentos.
— Se a mulher na casa tentar fugir, não toque nela. Apenas me avise. Eu cuido disso pessoalmente.
— Certo. Me manda o endereço.
Enviei a localização pelo aplicativo e encerrei a ligação. Jonas era o único homem em quem eu confiava para esse tipo de trabalho. Ele não se vendia para ninguém, muito menos para Sophie.
Encostei a cabeça no encosto e fechei os olhos por um instante. A lembrança dela tão perto, tão quente, ainda queimava sob minha pele.
Seis anos.
Seis anos sem ouvir a voz dela, sem sentir o cheiro dela, sem… olhar para aqueles olhos azuis que sempre me diziam mais do que ela queria revelar.
E agora, depois de tudo, ela aparece com duas crianças que…
Droga.
Era como olhar para uma versão reduzida de mim mesmo. Tenho certeza que ela fugiu de mim porque estava grávida, nada me fará duvidar disso. Que outro motivo ela teria para sumir sem deixar rastros?
Eu não sou um homem de acreditar em coincidências.
O mundo não funciona assim.
O destino, se é que existe, não j**a dados.
Eu estou decidido a ter meus filhos de volta, e de bônus... a linda mãe deles.
Liguei o carro e parti, mas minha cabeça já estava a quilômetros dali, calculando movimentos, riscos e ganhos.
No escritório da Winter, tudo seguia no ritmo perfeito que eu exigia. Funcionários apressados, portas fechando rápido, relatórios sendo entregues antes mesmo que eu pedisse.
Mas, hoje, nada disso me importava tanto quanto o relatório que eu pedi essa manhã.
— Entre. — disse, sem levantar os olhos, quando ouvi baterem à porta.
Era Arthur, meu assessor pessoal. Um homem de fala mansa, mas olhos de predador. Eu o mantinha perto justamente por isso, ele via coisas que outros ignoravam, como Stella sabia fazer.
— Recebi o que o senhor pediu. — disse, colocando uma pasta grossa sobre a mesa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!