STELLA HARPER
Eu estava andando pela sala de um lado para o outro como uma leoa presa em uma jaula, o celular colado à orelha e as mãos suadas. A cada volta que dava, sentia o coração bater mais rápido, como se pudesse me denunciar para qualquer um que estivesse por perto.
— Leah, eu não estou exagerando. — minha voz estava estridente e desesperada. — Ele apareceu aqui… de repente e fez várias insinuações. Ele me encurralou, fez perguntas sobre os meninos… Eu sei que ele suspeita. Na verdade, ele tem quase certeza, até sugeriu um teste de DNA.
Do outro lado da linha, Leah soltou um palavrão abafado.
— O que exatamente ele falou?
— Que eram muito parecidos com ele, que a idade deles batia com o tempo que estivemos juntos. — engoli seco. — E deixou claro que vai voltar. Leah, o jeito como ele olhou pra mim… não era de quem vai desistir. Era aquele olhar de que vai fazer tudo pra conseguir o que quer.
— Então você tem que sair daí. Hoje. — a decisão na voz dela foi imediata. — Antes que ele tenha chance de provar que é pai deles.
Fechei os olhos por um segundo. Eu já tinha considerado isso, mas ouvir Leah dizer em voz alta transformou o medo em realidade.
— Eu sei… Eu sei. — parei de andar e olhei para a janela, as cortinas fechadas, mas com aquela sensação de estar sendo observada. — E eu vou. Hoje à noite.
— E pra onde você vai?
— Canadá. — respondi, sem hesitar. — Vou pegar o primeiro voo da madrugada.
— Certo. — ela falou com aquele tom prático que sempre me acalmava. — Eu vou falar com o Alex e vamos aí mais tarde. A gente planeja tudo e te levamos.
Suspirei aliviada.
— Obrigada, Leah. Não sei o que faria sem vocês.
— Você vai fazer as malas discretamente. Só o essencial. E quando eu e Alex chegarmos, vamos planejar como vamos fazer.
— Entendido.
Desliguei, mas meu corpo continuou em modo alerta.
Por um instante, fiquei parada no meio da sala, tentando organizar meus pensamentos. Depois, respirei fundo e fui para o quarto, abrindo o armário com mãos trêmulas. O som dos cabides batendo uns nos outros parecia alto demais, como se cada ruído denunciasse que eu estava prestes a fugir.
Peguei minha mala média. Coloquei-a em cima da cama e comecei a empilhar roupas rapidamente. Jeans, blusas, casacos mais grossos, o Canadá não era exatamente caloroso. Evitei perder tempo escolhendo combinações bonitas. O objetivo era praticidade.
Enquanto dobrava uma das camisetas, me peguei imaginando a expressão dele quando voltasse e descobrisse que eu tinha desaparecido. Meu estômago revirou. Ele não ia parar. Eu sabia. Minha fuga só o faria ter mais certeza.
Deixei minhas roupas separadas e fui até o quarto dos meninos. A visão dos brinquedos espalhados pelo chão me fez pausar por um segundo. Ali, naquela bagunça inocente, estava tudo o que eu queria proteger.
Abri a cômoda deles e comecei a escolher as roupas mais necessárias: calças, camisetas, agasalhos, pijamas. Coloquei também as pequenas meias coloridas e as jaquetas que usariam no frio. Enfiei tudo na mala grande que ficava guardada no armário, e em seguida fui para a prateleira de cima pegar as mochilas escolares. Elas serviriam para carregar coisas de fácil acesso, água, lanches, um ou dois brinquedos para distraí-los durante a viagem.
Meu coração disparava cada vez que eu pensava no tempo que tinha. Olhei para o relógio na parede: ainda havia algumas horas antes de Leah e Alexander chegarem. Talvez eu devesse procurar casas para alugar na internet ou ficamos um dia no hotel e procuro pessoalmente.
Voltei ao meu quarto e tirei do armário uma caixa pequena com documentos. Ali estavam nossas identidades, certidões de nascimento, passaportes, tudo. Termino de preparar tudo rapidamente e começo a organizar a casa e preparar algo para comer.
Pouco depois das 16 horas, Leah e Alexander chegaram. Alexander veio com Apollo e Orion logo atrás, ainda com as mochilas nas costas e um ar de cansaço típico de fim de aula. Quando me viram, os dois correram para me abraçar, e eu me abaixei para envolvê-los, tentando transmitir uma calma que eu definitivamente não sentia.
Leah chegou logo depois e me abraçou forte, como se a força dela pudesse me manter de pé.
— Me conta de novo, palavra por palavra. — pediu, sem me soltar por completo.
Contei tudo, bem... ocultei pequenas parte como o jeito como Damian se aproximou, a forma como bloqueou a porta e suas mãos em mim.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!