DAMIAN WINTER
Jonas me ligou às 00h47.
Eu já estava deitado, mas não dormindo. Sophie dormia a dois quartos de distância, e Danian, no quarto ao lado. Fiquei acordado porque imaginava que essa ligação viria.
— Fala. — atendi, sem cumprimentos.
— Ela vai sair. — a voz de Jonas veio baixa e direta. — Aqueles dois chegaram na casa dela novamente. Levaram ela e os meninos. Não vi malas grandes, mas as mochilas estão cheias e tinha uma mala média também. Eles estão a caminho do aeroporto.
Sentei na cama num movimento rápido. Não podia acreditar que uma pequena chance de eu descobrir que eram meus filhos a fez fugir assim. Nem se importava em mudar a vida de duas crianças pequenas abruptamente e tirá-las da escola?
— Tem certeza?
— Absoluta. Eu segui de longe. Já estão quase chegando.
Olhei para o relógio de pulso. Não havia tempo para vestir um terno. Peguei a primeira calça escura que vi, uma camisa preta e um casaco. Sophie não precisava saber de nada agora, e não era como se eu fosse pedir permissão para ir atrás da mãe dos meus filhos.
Peguei a chave do carro e saí sem fazer barulho. A estrada estava quase vazia, e eu dirigia rápido, o velocímetro subindo enquanto buscava rotas e horários de voos. Eu sabia que Stella era inteligente, mas o pânico a fez agir rápido demais, sem medir todas as variáveis. Ela achou mesmo que poderia me enganar duas vezes? Quão ingênuo ela acha que sou para cair nessa de novo?
Me engane uma vez, a culpa é sua. Me engane duas vezes, a culpa é minha.
Jonas me mandou uma mensagem enquanto eu entrava no estacionamento do aeroporto:
"Estão no setor internacional. Voo para Toronto, portão três. Ela está sentada com os meninos, tome cuidado no caminho, acho que o homem e a mulher estão vigiando".
Parei o carro e entrei no prédio. O cheiro de café requentado e perfume barato se misturava ao ar condicionado gelado. Pessoas passavam apressadas, malas rodando pelo chão apressadamente, era como ver trânsito em um lugar fechado.
Foi quando, de relance, vi Alexander e Leah sentados mais afastados, observando discretamente. Não me viram. Continuei andando, desviando o rosto como se fosse mais um viajante qualquer.
O alto-falante anunciou o pré-embarque, e foi nesse momento que a vi. Stella, de pé, com as mochilas nos ombros, cada mão segurando um dos gêmeos.
Te encontrei querida.
Me aproximei pela lateral, até estar perto o bastante para ela ouvir minha voz.
— Vai a algum lugar, senhorita Harper?
Ela congelou, reconhecendo minha voz no mesmo momento. Lentamente, virou o rosto. Os olhos azuis dela, dilatados pelo susto, encontraram os meus.
— Damian… — sua voz era quase um sussurro de desapontamento.
Dei um meio sorriso, nada caloroso, trocando olhares entre ela e os meninos.
— Imaginei que faria isso. — falei baixo, e fiz sinal para vir até mim. — Agora, é melhor você seguir calmamente. Sem nenhum escândalo.
Vi o conflito estampado no rosto dela. Parte queria correr, parte queria gritar. Mas ela sabia que nenhum dos dois funcionaria nessa situação.
— Não é o que você está pensando, estamos apenas indo fazer uma viagem, isso não tem nada a ver com você.
Jura? Essa vai ser a desculpa que ela vai usar, sinto que minha inteligência foi insultada severamente.
— Vamos logo, Stella. — indiquei com um movimento de cabeça.
Eles não responderam. Não esperava que respondessem. Estavam assustados, e eu podia sentir o corpo tenso de Stella no banco de trás, o que não ajudava nada a acalmá-los.
— Para onde está levando a gente? — ela perguntou, finalmente quebrando o silêncio.
— Para meu apartamento, você já o conhece. — respondi, mantendo os olhos na estrada.
— Isso é sequestro. — ela cuspiu as palavras.
Olhei para ela pelo espelho. Era impressionante como ela não notava o tamanho da sua hipocrisia.
— Posso te dizer a mesma coisa sobre essa tentativa de sair do país. Além disso, é temporário. — Falo voltando meus olhos para a estrada. — Só até o teste ser feito.
Ela soltou uma risada seca, sem humor.
— E se der negativo?
— Você volta para a sua casa ou para onde quiser. — falei, embora não tivesse certeza se isso mudaria o fato de que a quero para mim. — Mas se der positivo… — pausei, pensando nos meus próximos passos. — Você três vão para um lugar melhor. Onde tenham mais comodidade e principalmente mais segurança.
Não posso permitir que herdeiros Winter fiquem em qualquer lugar correndo todo tipo de perigo e eles merecem o conforto que nasceram para ter.
Ela apertou a mão de cada um dos meninos, com o olhar perdido na janela. Eu sabia que ela estava pensando em rotas de fuga, em maneiras de me enfrentar, mas vou garantir que não tenha nenhuma chance.
Stella pode me odiar o quanto quiser agora, mas eu tenho o direito de ter meus filhos comigo e ela nunca os deixaria para trás.
E isso era tudo o que eu precisava. É só uma questão de tempo até que ela seja minha.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!