STELLA HARPER
O carro deslizou pelas ruas quase vazias, mas dentro dele a sensação era de estar presa numa caixa sem ar. Apollo e Orion se inclinavam contra mim, ainda confusos, sem saber se estavam num passeio ou num pesadelo.
Quando Damian estacionou, meu coração deu um salto. Sim, eu já conhecia esse lugar… e nunca imaginei que voltaria aqui. Foram noites que eu nunca poderia apagar, por mais que quisesse.
— Por enquanto, você pode ficar no quarto principal. — disse ele, abrindo a porta e esperando que eu saísse. — Os meninos ficam no quarto ao lado.
Olhei para ele como se tivesse acabado de ouvir uma piada de péssimo gosto.
— Eles vão dormir comigo. — respondi, sem piscar.
Ele arqueou a sobrancelha, claramente avaliando se valia a pena discutir ou não.
— Como preferir.
Guiei os meninos para dentro, segurando firme suas mãos pequenas, e caminhei direto para o elevador. Damian entrou em seguida e sorriu para os meninos antes de apertar o botão do seu andar. Entramos e levei os meninos para o quarto deixando que eles descansassem.
Quando ouvi os passos dele no corredor, respirei fundo.
— Eu já vou indo. — Ele parou na porta, pronto para se despedir. Mas antes que desse um passo para trás, minha mão agarrou o braço dele.
Ele olhou para onde eu o tocava, depois para o meu rosto, e aquele olhar fez meu estômago se contrair. Soltei-o imediatamente.
— Nós vamos ficar sozinhos? — perguntei, tentando soar neutra. Não era como se eu quisesse que ele ficasse, era só para saber quais eram minhas chances de sair.
— Tem alguém vigiando na porta. — respondeu com calma, como se estivesse me avisando para não ser… estúpida. — Então é melhor você não ter ideias.
O recado foi recebido, alto e claro.
— E as nossas coisas? — insisti, lembrando que as malas ficaram no aeroporto.
— Meus funcionários pegaram. Vou mandar subir suas roupas. — falou, já se virando para sair. — Mas o seu telefone fica comigo até o resultado do teste.
A indignação subiu quente na minha garganta.
— Está confiscando meu telefone?
— Estou garantindo que ninguém interfira. — disse, sem se importar com meu tom. — E, por garantia, o telefone da sala vai ficar desligado também.
Ele se afastou da porta, mas ainda me deixava sentir a presença dele no corredor. Não consegui resistir e o segui até a sala.
— Isso é pela minha segurança e claro, a de vocês também. — disse ele, pegando o aparelho e desligando com um movimento rápido. — Assim não há interferências.
Senti meu estômago apertar, e ele apenas continuou andando até a porta principal do corredor, como se estivesse assumindo o controle de todo o espaço. Parou, apoiando as mãos no batente e me observando.
— Amanhã alguém vem coletar a amostra de um dos meninos para o teste de DNA. Então você será liberada em dois dias, até lá… nada de escapadas.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!