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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 36

STELLA HARPER

O carro deslizou pelas ruas quase vazias, mas dentro dele a sensação era de estar presa numa caixa sem ar. Apollo e Orion se inclinavam contra mim, ainda confusos, sem saber se estavam num passeio ou num pesadelo.

Quando Damian estacionou, meu coração deu um salto. Sim, eu já conhecia esse lugar… e nunca imaginei que voltaria aqui. Foram noites que eu nunca poderia apagar, por mais que quisesse.

— Por enquanto, você pode ficar no quarto principal. — disse ele, abrindo a porta e esperando que eu saísse. — Os meninos ficam no quarto ao lado.

Olhei para ele como se tivesse acabado de ouvir uma piada de péssimo gosto.

— Eles vão dormir comigo. — respondi, sem piscar.

Ele arqueou a sobrancelha, claramente avaliando se valia a pena discutir ou não.

— Como preferir.

Guiei os meninos para dentro, segurando firme suas mãos pequenas, e caminhei direto para o elevador. Damian entrou em seguida e sorriu para os meninos antes de apertar o botão do seu andar. Entramos e levei os meninos para o quarto deixando que eles descansassem.

Quando ouvi os passos dele no corredor, respirei fundo.

— Eu já vou indo. — Ele parou na porta, pronto para se despedir. Mas antes que desse um passo para trás, minha mão agarrou o braço dele.

Ele olhou para onde eu o tocava, depois para o meu rosto, e aquele olhar fez meu estômago se contrair. Soltei-o imediatamente.

— Nós vamos ficar sozinhos? — perguntei, tentando soar neutra. Não era como se eu quisesse que ele ficasse, era só para saber quais eram minhas chances de sair.

— Tem alguém vigiando na porta. — respondeu com calma, como se estivesse me avisando para não ser… estúpida. — Então é melhor você não ter ideias.

O recado foi recebido, alto e claro.

— E as nossas coisas? — insisti, lembrando que as malas ficaram no aeroporto.

— Meus funcionários pegaram. Vou mandar subir suas roupas. — falou, já se virando para sair. — Mas o seu telefone fica comigo até o resultado do teste.

A indignação subiu quente na minha garganta.

— Está confiscando meu telefone?

— Estou garantindo que ninguém interfira. — disse, sem se importar com meu tom. — E, por garantia, o telefone da sala vai ficar desligado também.

Ele se afastou da porta, mas ainda me deixava sentir a presença dele no corredor. Não consegui resistir e o segui até a sala.

— Isso é pela minha segurança e claro, a de vocês também. — disse ele, pegando o aparelho e desligando com um movimento rápido. — Assim não há interferências.

Senti meu estômago apertar, e ele apenas continuou andando até a porta principal do corredor, como se estivesse assumindo o controle de todo o espaço. Parou, apoiando as mãos no batente e me observando.

— Amanhã alguém vem coletar a amostra de um dos meninos para o teste de DNA. Então você será liberada em dois dias, até lá… nada de escapadas.

Fiquei parada por um instante, sentindo a presença dele desaparecer pelo corredor. O silêncio tomou conta da casa, e eu me virei lentamente, voltando para o quarto principal onde os meninos me esperavam.

Respirei fundo e me sentei na cama, os puxando para perto de mim.

— Mamãe… — Apollo quebrou o silêncio, olhando para mim com aqueles olhos que refletiam tanto medo quanto curiosidade. — A gente vai ficar bem, não vai?

— Vamos sim, querido. — respondi, forçando um sorriso, enquanto meus dedos passavam pelo cabelo dele. — Mamãe vai cuidar de vocês. O Damian é uma boa pessoa e está cuidando da gente do jeito dele.

Eu precisava manter o controle. Não era como se essa possibilidade de Damian descobrir nunca tivesse passado pela minha cabeça. Na verdade, acho que pensei mais nas versões dele descobrindo do que vivendo o resto da vida sem encarar esse problema. Meu maior medo era que Damian tirasse meus filhos de mim, mas parece que não é essa a intenção dele. Confesso que tenho medo de descobrir quais as intenções dele, mas desde que eu continue com meus filhos, posso suportar qualquer coisa.

Eu não podia me distrair, nem um instante, e ao mesmo tempo precisava fingir normalidade para os meninos. Eles mereciam sentir algum tipo de segurança, mesmo que fosse temporária.

— Vamos dormir um pouco. Amanhã será um dia longo. — digo, ajudando eles a deitarem. — Boa noite, meus anjinhos.

— Boa noite, mamãe. — Respondeu Orion me abraçando.

— Boa noite, mamãe. Se nós não vamos mais fazer a viagem, então vamos para a escola amanhã?

— Não, querido. Só semana que vem. — Ele assente, deitando a cabeça no travesseiro.

Deitei a cabeça no travesseiro, pensando quais eram minhas chances de sair dessa e não conseguia pensar em nenhuma. Estranhamente, minha solução bateu na porta pela manhã e veio da última pessoa que eu poderia pensar...

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