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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 37

STELLA HARPER

A batida na porta me despertou de um sono leve e inquieto. Eu ainda estava deitada, os cabelos bagunçados e a mente turva, quando Apollo e Orion se remexeram ao meu lado. Levantei devagar, piscando pesadamente. Damian dificilmente bateria antes de entrar… então quem seria?

Abri a porta apenas o suficiente para espiar e quase não consegui disfarçar o choque.

Sophie Pósitron Winter. A esposa de Damian.

O vestido branco perfeitamente alinhado, os saltos caros, o batom impecável. Ela parecia ter saído de uma revista de luxo, e o contraste com o meu pijama amarrotado só tornava a situação mais surreal. Talvez eu ainda esteja dormindo.

— Subornei o guarda da entrada. — disse ela, como se estivéssemos falando do tempo. — Jonas é o único que não consigo comprar, então tive que esperar a troca de turno.

A naturalidade com que ela falava sobre isso me deixou muda por alguns segundos.

— Enfim… você quer fugir, não quer? — perguntou, empurrando a porta e entrando sem esperar convite.

Pisquei algumas vezes, tentando entender aonde aquilo ia dar.

— Eu… — minha voz morreu na garganta. Eu só consegui assentir, confusa.

— Fugir não vai dar certo. — continuou, ajeitando a bolsa no ombro. — O que precisa ser feito é simples: provar que eles não são filhos do Damian. Quando ele tiver certeza disso, vai deixar você em paz.

As palavras dela ficaram pairando na minha mente ainda enevoada.

— Espera aí… — ergui a mão, interrompendo-a. — Como você sabia de mim e dos meus filhos? Como sabia que estávamos aqui? E também o turno do Jonas?

Sophie apenas sorriu, aquele sorriso calculado e ligeiramente venenoso que parecia dizer que ela sabia muito mais do que eu poderia imaginar.

— São poucos os passos do Damian que eu desconheço. — respondeu, como se fosse um fato óbvio.

Meu estômago revirou. O que exatamente ela queria? Me ajudar… ou me usar?

O perfume doce e penetrante de Sophie ficou ainda mais forte quando ela atravessou a sala como se fosse dona do lugar. O salto fino produzia um som irritante na minha cabeça. De alguma forma, sua postura e maneira de falar me lembravam o Damian.

Ela parou diante do sofá e, com um gesto elegante e quase imperioso, indicou que eu me sentasse.

— Sente-se, Stella. — disse, como quem dá uma ordem disfarçada de gentileza.

Fiz um movimento hesitante, mas acabei obedecendo, acomodando-me na beirada da almofada. Sophie, por outro lado, sentou-se com postura impecável, cruzando as pernas e apoiando o braço no encosto, como se estivéssemos prestes a ter uma conversa casual de amigas, embora a tensão que eu sentia no ar dissesse exatamente o contrário.

— Já sei onde será o laboratório do teste. — começou, a voz baixa, como quem confidencia um segredo perigoso. — Então, se você ficar quieta e estiver de acordo… — inclinou-se ligeiramente em minha direção. — …eu mesma vou cuidar para que o teste dê o resultado que nós queremos.

Eu fiquei olhando para ela, tentando decifrar cada nuance do que estava dizendo. Ela está sugerindo cometer um crime?

— Nós? — perguntei, ainda sem entender onde deveríamos chegar.

— Ótimo. Sabia que você seria esperta.

Cruzei os braços, sustentando o olhar dela.

— A maioria das pessoas diria que essa é uma decisão estúpida… já que meus filhos teriam direito a uma herança tão grande como os bens dos Winter.

O sorriso de Sophie se manteve, mas agora havia um brilho diferente nos olhos dela. Um brilho frio e perigoso.

— A maioria não sabe do que eu sou capaz quando se metem no meu caminho. — disse, sem alterar o tom suave.

Por um segundo, senti um arrepio percorrer minha espinha. Eu sabia que aquela mulher não estava exagerando. Ela exalava poder e confiança, do tipo que não vinha apenas do sobrenome ou do dinheiro, mas da certeza de que podia manipular qualquer situação a seu favor.

E então, num contraste quase perturbador, ela abriu um sorriso alegre, como se a conversa tivesse sido sobre um convite para um chá da tarde.

— Então estamos combinadas. Até logo, Stella.

Levantou-se com a mesma elegância com que chegou, ajustou a bolsa no ombro e seguiu até a porta sem sequer olhar para trás. Eu a acompanhei com os olhos, ainda absorvendo tudo o que tinha acabado de acontecer.

Quando a porta se fechou, fiquei imóvel por alguns segundos, sentindo a estranha mistura de alívio e inquietação se espalhar pelo meu corpo. Sophie Winter acabara de me oferecer uma saída… mas a que custo?

O silêncio da sala voltou a se instalar, e eu percebi que, mesmo aceitando o acordo, uma parte de mim sentia que estava entrando num jogo muito maior e muito mais perigoso do que eu imaginava.

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