STELLA HARPER
Depois que Sophie Pósitron foi embora, levantei e caminhei até a cozinha, liguei a cafeteira e comecei a preparar algo simples para o café da manhã: ovos mexidos, pão e suco de laranja. Precisava mostrar aos meninos que a manhã seria normal, apesar de tudo.
Quando tudo estava pronto, fui até o quarto acordar eles.
— Bom dia, meus anjinhos. — disse, com um sorriso que tentava ser tranquilo. — É hora de acordar.
Orion abriu os olhos primeiro e piscou, ainda sonolento.
— Bom dia, mamãe… — murmurou.
— Vamos tomar café da manhã antes de brincar um pouco, ok? — respondi, puxando-os devagar para fora da cama. Eles se queixaram com pequenos gemidos, mas logo seguiram para o banheiro e escovaram os dentes.
Sentamos à mesa, e enquanto comiam, fiquei observando-os. Estavam assustados? Sim. Confusos? Sem dúvida. Mas não pareciam perceber a extensão de nossa situação e talvez isso fosse melhor assim.
Assim que terminaram de comer, os ajudei a tomar banho, se vestir e espalhamos seus brinquedos no apartamento.
Por volta das dez horas, a campainha tocou. Meu coração deu um salto. Mas era apenas a enfermeira que Damian havia enviado.
— Bom dia. Sou a enfermeira Carla. — disse ela, sorrindo de maneira controlada. — Vim para coletar algumas amostras das crianças.
— Certo… — murmurei. — Vamos lá.
Guiei os meninos para o sofá, e Carla começou a explicar rapidamente o procedimento de maneira simples, como se fossem atividades normais.
— Vocês vão fazer algo bem fácil, só para a mamãe saber se vocês estão saudáveis, tudo bem? — ela disse, inclinando-se para Orion, que assentiu com a cabeça, ainda curioso.
Enquanto Carla preparava o material, meus pensamentos dispararam. Sophie tinha dito que poderia manipular o resultado do teste… mas como? Ela pretende comprar a clinica ou essa enfermeira que parece tão gentil?
— Stella, podemos começar? — a voz de Carla me trouxe de volta à realidade.
— Claro. — assenti. — Apollo, Orion, vamos lá, pessoal. É só um testinho rápido.
Primeiro, Carla usou pequenos cotonetes, pedindo que os meninos esfregassem levemente na bochecha. Apollo fez careta, mas cooperou; Orion estava mais curioso do que assustado. Ela etiquetou cuidadosamente cada amostra, explicando que os resultados estariam prontos no dia seguinte, possivelmente à tarde.
— Assim que estiverem prontos, o laboratório irá avisar o senhor Winter.
Depois que Carla terminou, dei um suspiro de alívio e a agradeci. Ela saiu, deixando a casa silenciosa, exceto pelo som dos meninos correndo pela sala.
— Mamãe, podemos assistir desenho agora? — perguntou Apollo, já se esticando no tapete.
— Sim, meus amores, mas primeiro precisamos arrumar a sala. — respondi, sorrindo.
O resto da manhã foi preenchido pela televisão, jogos de encaixe, desenhos e leitura de livros ilustrados. Eu me sentava entre eles, participando, guiando e monitorando. Pelo menos por algumas horas, conseguimos manter a normalidade.
Quando o relógio marcou quase seis horas da tarde, ouvi o som familiar da chave na porta. Antes mesmo de olhar, meu corpo reagiu. Ele entrou no apartamento trazendo uma energia surpreendentemente leve. Nas mãos, trazia sacolas cheias e uma caixa grande com o que parecia um novo vídeo game.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!