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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 38

STELLA HARPER

Depois que Sophie Pósitron foi embora, levantei e caminhei até a cozinha, liguei a cafeteira e comecei a preparar algo simples para o café da manhã: ovos mexidos, pão e suco de laranja. Precisava mostrar aos meninos que a manhã seria normal, apesar de tudo.

Quando tudo estava pronto, fui até o quarto acordar eles.

— Bom dia, meus anjinhos. — disse, com um sorriso que tentava ser tranquilo. — É hora de acordar.

Orion abriu os olhos primeiro e piscou, ainda sonolento.

— Bom dia, mamãe… — murmurou.

— Vamos tomar café da manhã antes de brincar um pouco, ok? — respondi, puxando-os devagar para fora da cama. Eles se queixaram com pequenos gemidos, mas logo seguiram para o banheiro e escovaram os dentes.

Sentamos à mesa, e enquanto comiam, fiquei observando-os. Estavam assustados? Sim. Confusos? Sem dúvida. Mas não pareciam perceber a extensão de nossa situação e talvez isso fosse melhor assim.

Assim que terminaram de comer, os ajudei a tomar banho, se vestir e espalhamos seus brinquedos no apartamento.

Por volta das dez horas, a campainha tocou. Meu coração deu um salto. Mas era apenas a enfermeira que Damian havia enviado.

— Bom dia. Sou a enfermeira Carla. — disse ela, sorrindo de maneira controlada. — Vim para coletar algumas amostras das crianças.

— Certo… — murmurei. — Vamos lá.

Guiei os meninos para o sofá, e Carla começou a explicar rapidamente o procedimento de maneira simples, como se fossem atividades normais.

— Vocês vão fazer algo bem fácil, só para a mamãe saber se vocês estão saudáveis, tudo bem? — ela disse, inclinando-se para Orion, que assentiu com a cabeça, ainda curioso.

Enquanto Carla preparava o material, meus pensamentos dispararam. Sophie tinha dito que poderia manipular o resultado do teste… mas como? Ela pretende comprar a clinica ou essa enfermeira que parece tão gentil?

— Stella, podemos começar? — a voz de Carla me trouxe de volta à realidade.

— Claro. — assenti. — Apollo, Orion, vamos lá, pessoal. É só um testinho rápido.

Primeiro, Carla usou pequenos cotonetes, pedindo que os meninos esfregassem levemente na bochecha. Apollo fez careta, mas cooperou; Orion estava mais curioso do que assustado. Ela etiquetou cuidadosamente cada amostra, explicando que os resultados estariam prontos no dia seguinte, possivelmente à tarde.

— Assim que estiverem prontos, o laboratório irá avisar o senhor Winter.

Depois que Carla terminou, dei um suspiro de alívio e a agradeci. Ela saiu, deixando a casa silenciosa, exceto pelo som dos meninos correndo pela sala.

— Mamãe, podemos assistir desenho agora? — perguntou Apollo, já se esticando no tapete.

— Sim, meus amores, mas primeiro precisamos arrumar a sala. — respondi, sorrindo.

O resto da manhã foi preenchido pela televisão, jogos de encaixe, desenhos e leitura de livros ilustrados. Eu me sentava entre eles, participando, guiando e monitorando. Pelo menos por algumas horas, conseguimos manter a normalidade.

Quando o relógio marcou quase seis horas da tarde, ouvi o som familiar da chave na porta. Antes mesmo de olhar, meu corpo reagiu. Ele entrou no apartamento trazendo uma energia surpreendentemente leve. Nas mãos, trazia sacolas cheias e uma caixa grande com o que parecia um novo vídeo game.

Sorri para mim mesma, confiante de que o teste não poderia dar outro resultado. Eu sabia o que estava fazendo, e havia certeza nas palavras de Sophie. Era improvável que Damian descobrisse qualquer coisa que pudesse comprometer seus planos.

Damian, então, deu um passo ao redor do balcão e ficou de frente para mim. A proximidade era intensa; ele apoiou as mãos no mármore, um movimento que não tocava meu corpo, mas que me aprisionava a ele.

— Stella… Você parece bem segura que o resultado vai dar negativo para alguém que tentou fugir. — murmurou, com um sorriso torto, quase desafiador.

— Eu… — comecei nervosamente. — Já disse que essa viagem não tinha nada a ver com você.

Ele inclinou-se um pouco em minha direção, os lábios próximos aos meus, e esfregou-os nos meus de forma provocativa.

— É mesmo? — murmurou, contra meus lábios.

— Você não deveria fazer isso, Damian… — disse, tentando afastá-lo. — Não quero estar perto de você e além disso você é um homem comprometido.

Ele então deslizou os lábios para o canto da minha boca e depositou um beijo demorado ali, provocando um arrepio que percorreu minha espinha. A mistura de raiva, medo e desejo me confundia de forma incontrolável.

— Acredite no que irei dizer agora, Stella. Basta uma palavra sua… — murmurou ele, com a respiração quente perto do meu rosto. — E eu posso deixar de ser…

Fiquei congelada, o coração batendo acelerado, incapaz de processar totalmente o que ele estava me dizendo.

— Você está louco? — murmurei, com a voz quase se perdendo.

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