STELLA HARPER
— Você está louco? — murmurei, com a voz quase se perdendo em um sussurro de incredulidade.
O olhar dele ardeu, feroz, e um meio sorriso se espalhou em seus lábios antes de sua resposta.
— Estou, sim. — murmurou, a voz rouxa e quente. Suas mãos deslizaram até minha cintura com firmeza, puxando-me contra o corpo dele. — Enlouqueci há seis anos, no exato momento em que você foi embora.
Não houve tempo para protestos. A boca dele se colou à minha, quente, exigente, e me roubou todo o ar dos pulmões. Por um segundo fiquei imóvel, incapaz de decidir se o empurrava ou me perdia naquilo. Mas o gosto dele, aquela mistura amarga de café e algo que era unicamente Damian, explodiu em minha memória como se tivesse estado sempre à espreita, esperando por esse momento.
Meus dedos, como se tivessem vontade própria, subiram até o cabelo dele, afundando-se nos fios grossos e macios. Damian gemeu, um som baixo e quase desesperado, como se tivesse esperado por essa resposta durante anos e, agora que a tinha, não pudesse suportar a satisfação que vinha junto.
— Nenhum beijo… — murmurou entre um roçar e outro de lábios, ainda colado a mim. — Nenhum é como o seu. Ninguém… ninguém é como você.
O beijo se aprofundou. A língua dele invadiu minha boca com uma urgência voraz, e eu correspondi, perdida, presa entre o ódio pelo homem que destruiu tantas certezas em mim e o desejo escondido que meu corpo não conseguia negar nesse momento. Minhas costas se arquearam contra o mármore frio da bancada enquanto o calor do corpo dele me envolvia por inteira.
As mãos dele apertavam minha cintura, descendo pela curva dos quadris, como se quisessem gravar na memória cada centímetro de mim que ele havia perdido por seis anos. O roçar de nossos corpos, colados e tensos, só aumentava o turbilhão de excitação. Cada respiração entrecortada era combustível para mais, cada gemido abafado contra minha boca intensificava o fogo que eu lutava para apagar. Logo comecei a senti-lo endurecer contra a minha barriga. Deus, ele já estava excitado com um beijo?
Meu coração batia acelerado demais, e a cada movimento de seus lábios contra os meus, era impossível ignorar que eu ainda queria Damian Winter, mesmo quando jurava odiá-lo. E por alguma razão ele também parecia me querer, por alguma razão não esqueceu de mim. Meu corpo queria pertencer a ele, eu queria ir para a cama dele, mesmo que não pudesse.
Foi quando uma voz infantil cortou o ar.
— Mamãe, pode mudar o jogo para nós! — Eu me afastei bruscamente, ofegante, ainda com os lábios formigando, e soltei quase num grito:
— Estou indo, Apollo!
Damian respirava pesado, os olhos escuros cravados em mim, e arqueou uma sobrancelha curiosa.
— Como sabe que é o Apollo que está te chamando? — perguntou, demonstrando um pouco de curiosidade e provocação.
Tentei recompor o fôlego, alisando os cabelos desalinhados.
— Eu simplesmente sei. — respondi, firme, embora minha voz ainda tremesse. — Mas para os outros eles podem ser diferenciados pelo sinal que Apollo tem no ombro.
Ainda estava com o coração acelerado quando caminhei para a sala, tentando recuperar o mínimo de equilíbrio. Damian veio atrás de mim, silencioso como uma sombra, mas eu sentia sua presença queimar minhas costas.
— Que tipo de sinal? — ele perguntou, demonstrando interesse de verdade.
Sorri para os meninos fingindo naturalidade, mesmo que meu peito ainda subisse e descesse rápido.
— Um sinal de nascença. — respondi, tentando soar prática. — Apollo tem um pequeno no ombro, é assim que outros, além de mim, podem saber facilmente quem é quem.
Ele franziu levemente o cenho, mas não disse nada enquanto eu me agachava ao lado do sofá para ajudar Apollo, que estava mexendo no controle do videogame, frustrado.
— Ei, querido, qual jogo você quer colocar? — perguntei, passando a mão com carinho nos cabelos dele.
— O do carrinho vermelho! — respondeu empolgado, esticando o controle para mim.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!