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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 39

STELLA HARPER

— Você está louco? — murmurei, com a voz quase se perdendo em um sussurro de incredulidade.

O olhar dele ardeu, feroz, e um meio sorriso se espalhou em seus lábios antes de sua resposta.

— Estou, sim. — murmurou, a voz rouxa e quente. Suas mãos deslizaram até minha cintura com firmeza, puxando-me contra o corpo dele. — Enlouqueci há seis anos, no exato momento em que você foi embora.

Não houve tempo para protestos. A boca dele se colou à minha, quente, exigente, e me roubou todo o ar dos pulmões. Por um segundo fiquei imóvel, incapaz de decidir se o empurrava ou me perdia naquilo. Mas o gosto dele, aquela mistura amarga de café e algo que era unicamente Damian, explodiu em minha memória como se tivesse estado sempre à espreita, esperando por esse momento.

Meus dedos, como se tivessem vontade própria, subiram até o cabelo dele, afundando-se nos fios grossos e macios. Damian gemeu, um som baixo e quase desesperado, como se tivesse esperado por essa resposta durante anos e, agora que a tinha, não pudesse suportar a satisfação que vinha junto.

— Nenhum beijo… — murmurou entre um roçar e outro de lábios, ainda colado a mim. — Nenhum é como o seu. Ninguém… ninguém é como você.

O beijo se aprofundou. A língua dele invadiu minha boca com uma urgência voraz, e eu correspondi, perdida, presa entre o ódio pelo homem que destruiu tantas certezas em mim e o desejo escondido que meu corpo não conseguia negar nesse momento. Minhas costas se arquearam contra o mármore frio da bancada enquanto o calor do corpo dele me envolvia por inteira.

As mãos dele apertavam minha cintura, descendo pela curva dos quadris, como se quisessem gravar na memória cada centímetro de mim que ele havia perdido por seis anos. O roçar de nossos corpos, colados e tensos, só aumentava o turbilhão de excitação. Cada respiração entrecortada era combustível para mais, cada gemido abafado contra minha boca intensificava o fogo que eu lutava para apagar. Logo comecei a senti-lo endurecer contra a minha barriga. Deus, ele já estava excitado com um beijo?

Meu coração batia acelerado demais, e a cada movimento de seus lábios contra os meus, era impossível ignorar que eu ainda queria Damian Winter, mesmo quando jurava odiá-lo. E por alguma razão ele também parecia me querer, por alguma razão não esqueceu de mim. Meu corpo queria pertencer a ele, eu queria ir para a cama dele, mesmo que não pudesse.

Foi quando uma voz infantil cortou o ar.

— Mamãe, pode mudar o jogo para nós! — Eu me afastei bruscamente, ofegante, ainda com os lábios formigando, e soltei quase num grito:

— Estou indo, Apollo!

Damian respirava pesado, os olhos escuros cravados em mim, e arqueou uma sobrancelha curiosa.

— Como sabe que é o Apollo que está te chamando? — perguntou, demonstrando um pouco de curiosidade e provocação.

Tentei recompor o fôlego, alisando os cabelos desalinhados.

— Eu simplesmente sei. — respondi, firme, embora minha voz ainda tremesse. — Mas para os outros eles podem ser diferenciados pelo sinal que Apollo tem no ombro.

Ainda estava com o coração acelerado quando caminhei para a sala, tentando recuperar o mínimo de equilíbrio. Damian veio atrás de mim, silencioso como uma sombra, mas eu sentia sua presença queimar minhas costas.

— Que tipo de sinal? — ele perguntou, demonstrando interesse de verdade.

Sorri para os meninos fingindo naturalidade, mesmo que meu peito ainda subisse e descesse rápido.

— Um sinal de nascença. — respondi, tentando soar prática. — Apollo tem um pequeno no ombro, é assim que outros, além de mim, podem saber facilmente quem é quem.

Ele franziu levemente o cenho, mas não disse nada enquanto eu me agachava ao lado do sofá para ajudar Apollo, que estava mexendo no controle do videogame, frustrado.

— Ei, querido, qual jogo você quer colocar? — perguntei, passando a mão com carinho nos cabelos dele.

— O do carrinho vermelho! — respondeu empolgado, esticando o controle para mim.

A naturalidade com que ele se incluía, como se sempre tivesse pertencido àquele espaço, era desconcertante. Mais ainda porque, ele tinha acabado de me beijar. Seria melhor se ele fosse embora para me dar chance de organizar meus pensamentos.

— Eu… — pigarreei, tentando recuperar o controle da voz e da situação. — Ainda não fiz nada. Seria melhor se você jantasse na sua casa.

— Imagina, posso te ajudar e terminamos mais rápido e estarei em casa antes das oito para colocar o Danian para dormir. — É claro... Como pude esquecer que Damian tem um filho? O que eu estava pensando? Em destruir uma família e o lar de uma criança?

— Tudo bem, você pode fazer o que eu pedir. — Andamos lado a lado e paro quando chegamos ao balcão. — Por favor, não volte a fazer o que fez hoje, se você não se sente culpado por trair sua esposa, eu sinto.

— Eu nunca traí a Sophie antes e não existe nada entre mim e ela. Nosso casamento acabou faz muito tempo, na verdade, nunca teve início. — Não pude segurar o riso de zombaria.

Essa era a desculpa mais clichê de um traidor. "nosso casamento está acabado", "não temos intimidade", "vou me separar logo" e eu achei que filmes eram enganosos.

— Claro, claro. Agora se concentre em cortar vegetais para que você possa colocar seu filho na cama.

— Você não está acreditando em mim. — Ele murmura passando as mãos no cabelo frustrado.

— Damian, será que pode parar de falar de coisas inúteis que eu não preciso ouvir e se concentrar em cozinhar. Depois de amanhã pretendo nunca mais te ver.

— Acho difícil isso acontecer, temos uma ligação para sempre, duas na verdade. — Sei que ele está se referindo aos gêmeos, mas amanhã irá se decepcionar e me deixar em paz.

— Cozinhe. — Ordenei impaciente.

Ele apenas assentiu, os olhos fixos em mim por um segundo a mais do que deveria. E naquele instante, encarando aquelas pupilas escuras, tive a sensação de que Damian Winter não ia embora da minha vida tão cedo.

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