DAMIAN WINTER
Entrei em casa esfrengando a mão no pescoço sentindo a pressão do dia, senti o cheiro de comida e caminhei até a mesa de jantar. Danian já estava sentado à mesa, mexendo distraidamente no prato, enquanto Sophie permanecia inexpressiva, observando o próprio prato. Danian tentava puxar conversa, mas era como falar com uma parede de gelo.
— Pai, olha o desenho que fiz com a babá! — disse Danian, esticando o papel na minha direção com orgulho.
Sophie lançou apenas um olhar mínimo para mim, quase irritado, e voltou a concentrar-se no jantar.
— Está muito bonito, campeão! — Digo, bagunçando o cabelo dele.
— Não sei o que tem de tão bonito nesse monte de rabiscos. — Disse Sophie se levantando e saindo da mesa.
Vi a decepção no rosto do meu garoto, e meu peito se contraiu. Eu podia ser severo, controlador, mas jamais seria tão distante com meu filho.
— Não liga para a mamãe, ela está cansada do trabalho. — Tento dar uma explicação por ela para amenizar sua tristeza. — Come seu jantar para subirmos.
Após alguns minutos ele acaba de comer e o levanto no colo.
— Vamos para o seu quarto, campeão. É hora da história. — Ele sorriu, ansioso, já sabendo qual livro eu escolheria.
— Pode ler Moby Dick de novo? — perguntou, com os olhos brilhando.
— Certo, vou continua de onde paramos, depois que você escovar os dentes e vestir o pijama. — O ajudo a escovar os dentes e se trocar e o deito na cama ajeitando o coberto.
Abro o livro. A cada palavra que lia, sentia a respiração de Danian se acalmar, seus olhos se fechando lentamente, e aquele momento silencioso se tornava uma pequena bolha de normalidade em meio à tempestade da minha vida. Quando terminei a leitura, coloquei o livro de lado, cubri-o cuidadosamente e fiquei observando até que ele adormecesse profundamente.
Saí do quarto e caminhei para o meu. A casa estava silenciosa e presumi que Sophie já havia se recolhido. Mas quando abri a porta do meu quarto, encontrei-a sentada na minha cama.
— Onde esteve? — perguntou, sem rodeios. — Liguei para a empresa e me disseram que você saiu antes das dezoito horas.
Inclinei-me contra o batente da porta, cruzando os braços.
— Não vejo motivo para responder, já que você provavelmente sabe a resposta.
Sophie arqueou uma sobrancelha, surpresa com a minha resposta.
— Como assim? — questionou, com interesse e irritação.
— Seus capangas não são nada discretos. Deveria pensar em contratar gente mais cautelosa e fiel a você, não ao seu dinheiro.
— Não sei do que está falando. — Sophie disse finalmente, a voz controlada, mas com um pequeno tremor de irritação.
Sorri para ela com deboche.
— Ótimo. — murmurei. — Então, vamos fingir que também não sabe de nada sobre o que estive fazendo. Agora, você pode se retirar do meu quarto. Estou cansado.
Ela se levantou, caminhando em direção a porta mas parou a poucos passos de mim. Aproximou-se, inclinando-se ligeiramente, o rosto quase no meu, com aquele sorriso intimidante que infelizmente para ela, não funcionava em mim.
— Então… você comeu fora hoje? — perguntou, com a voz suave, insinuando algo que não se referia ao jantar.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!