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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 40

DAMIAN WINTER

Entrei em casa esfrengando a mão no pescoço sentindo a pressão do dia, senti o cheiro de comida e caminhei até a mesa de jantar. Danian já estava sentado à mesa, mexendo distraidamente no prato, enquanto Sophie permanecia inexpressiva, observando o próprio prato. Danian tentava puxar conversa, mas era como falar com uma parede de gelo.

— Pai, olha o desenho que fiz com a babá! — disse Danian, esticando o papel na minha direção com orgulho.

Sophie lançou apenas um olhar mínimo para mim, quase irritado, e voltou a concentrar-se no jantar.

— Está muito bonito, campeão! — Digo, bagunçando o cabelo dele.

— Não sei o que tem de tão bonito nesse monte de rabiscos. — Disse Sophie se levantando e saindo da mesa.

Vi a decepção no rosto do meu garoto, e meu peito se contraiu. Eu podia ser severo, controlador, mas jamais seria tão distante com meu filho.

— Não liga para a mamãe, ela está cansada do trabalho. — Tento dar uma explicação por ela para amenizar sua tristeza. — Come seu jantar para subirmos.

Após alguns minutos ele acaba de comer e o levanto no colo.

— Vamos para o seu quarto, campeão. É hora da história. — Ele sorriu, ansioso, já sabendo qual livro eu escolheria.

— Pode ler Moby Dick de novo? — perguntou, com os olhos brilhando.

— Certo, vou continua de onde paramos, depois que você escovar os dentes e vestir o pijama. — O ajudo a escovar os dentes e se trocar e o deito na cama ajeitando o coberto.

Abro o livro. A cada palavra que lia, sentia a respiração de Danian se acalmar, seus olhos se fechando lentamente, e aquele momento silencioso se tornava uma pequena bolha de normalidade em meio à tempestade da minha vida. Quando terminei a leitura, coloquei o livro de lado, cubri-o cuidadosamente e fiquei observando até que ele adormecesse profundamente.

Saí do quarto e caminhei para o meu. A casa estava silenciosa e presumi que Sophie já havia se recolhido. Mas quando abri a porta do meu quarto, encontrei-a sentada na minha cama.

— Onde esteve? — perguntou, sem rodeios. — Liguei para a empresa e me disseram que você saiu antes das dezoito horas.

Inclinei-me contra o batente da porta, cruzando os braços.

— Não vejo motivo para responder, já que você provavelmente sabe a resposta.

Sophie arqueou uma sobrancelha, surpresa com a minha resposta.

— Como assim? — questionou, com interesse e irritação.

— Seus capangas não são nada discretos. Deveria pensar em contratar gente mais cautelosa e fiel a você, não ao seu dinheiro.

— Não sei do que está falando. — Sophie disse finalmente, a voz controlada, mas com um pequeno tremor de irritação.

Sorri para ela com deboche.

— Ótimo. — murmurei. — Então, vamos fingir que também não sabe de nada sobre o que estive fazendo. Agora, você pode se retirar do meu quarto. Estou cansado.

Ela se levantou, caminhando em direção a porta mas parou a poucos passos de mim. Aproximou-se, inclinando-se ligeiramente, o rosto quase no meu, com aquele sorriso intimidante que infelizmente para ela, não funcionava em mim.

— Então… você comeu fora hoje? — perguntou, com a voz suave, insinuando algo que não se referia ao jantar.

Quando entrei no meu quarto, a fúria me dominou de vez. Agarrei o abajur da mesa de cabeceira, arremessei-o contra a parede com toda a força que consegui reunir. O estalo seco, seguido do barulho do vidro se despedaçando pelo chão, foi quase um alívio. Apertei os punhos, tremendo de raiva, e me joguei sobre a cama, enterrando o rosto no travesseiro.

— Maldito! — gritei, com a voz abafada. — Maldito, maldito!

O som ecoou dentro de mim até perder força. Aos poucos, minha respiração foi voltando ao ritmo normal, ainda que pesada, e o calor da raiva foi cedendo. Eu não podia me dar ao luxo de perder o controle, não agora. Não quando tudo estava, finalmente, se encaixando.

Rolei na cama e encarei o teto, sentindo um sorriso despontar nos meus lábios. A vadia da Stella tinha aceitado. Pelo menos ela é inteligente o bastante para não pensar que pode se meter na minha vida, no meu casamento, no meu território. Eu não precisava nem tocar nela para vê-la desaparecer. Não precisaria me sujar. Ela iria sumir, da mesma forma que apareceu. No fim, Damian voltaria para o lugar que sempre foi dele: ao meu lado, e de mais ninguém.

Ainda assim, uma parte de mim ponderava que talvez fosse prudente garantir que ela obedeceria até o fim. Pensar à frente sempre foi o que me colocou um degrau acima dos outros. Talvez fosse útil conseguir de novo o número dela para continuar enviando mensagens anônimas. No caso da senhorita Harper decidir ser espirituosa, eu poderia lembrá-la, de forma muito sutil, de onde era o seu lugar.

Mas conseguir o contato dela não seria fácil. Em Connecticut, foi pura sorte e alguns dólares, arrancar aquele número de um funcionário daquele café barato, que obviamente não tinha noção do valor da informação que estava vendendo. Aqui, porém… aqui era diferente. Ela ainda não era próxima de ninguém suficientemente ganancioso para se vender. Mas quem sabe no próximo lugar que ela for morar seja fácil.

Um toque discreto do celular me tirou do fluxo dos meus pensamentos. Peguei o aparelho, e ao ver o número que aparecia na tela, um arrepio de satisfação percorreu meu corpo. Era a ligação que eu esperava.

— Boa noite, senhora Winter. — a voz do médico soou quase nervosa. — Estou ligando para informar que a alteração foi concluída conforme solicitado. A amostra foi trocada.

Fechei os olhos, saboreando aquelas palavras como se provasse um vinho raro.

— Excelente. — respondi, suave como seda.

Desliguei e me recostei contra os travesseiros, sentindo o sorriso se abrir em meu rosto, desta vez livre, quase doce. Tudo estava finalmente indo como eu queria.

Stella Harper e aqueles fedelhos não passavam de um erro da juventude de Damian que logo eu lhe faria o favor de apagar.

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