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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 41

DAMIAN WINTER

O dia seguinte amanheceu cinzento. Eu estava na Winter rodeado por pilhas de relatórios, telas de tablets e o computador acesas exibiam números e gráficos, e a sala parecia respirar a mesma disciplina rígida que eu exigia de todos que trabalhavam ali.

Inclinei-me para trás na cadeira, massageando as têmporas. O beijo de Stella ainda rondava meus pensamentos nos momentos mais inoportunos, deixando-me irritado comigo mesmo pela distração, tendo barganhar comigo mesmo para ter paciência, pois vou vê-la esta tarde, mas não funciona.

A porta do meu escritório se abriu sem sequer uma batida.

Lizzy entrou com o salto arrastando pelo chão e um sorriso exausto estampado no rosto, embora a manhã tenha apenas começado. Jogou-se na poltrona em frente à minha mesa como se estivesse na sala de estar da casa da família, não no coração de uma empresa bilionária.

— Você sabe... — comecei, erguendo uma sobrancelha para ela — uma líder de equipe de marketing não deveria aparecer com o cabelo verde.

Ela passou a mão pelos fios recentemente pintados, completamente despretensiosa.

— O WW vai levar um susto quando a vir. — completei, soltando um suspiro pesado.

Lizzy riu.

— Ah, por favor. O papai tem sorte de eu ainda estar aqui agora. Se não fosse isso, já estaria fazendo um mochilão no Paraguai.

Recostei-me na cadeira, deixando escapar uma risada incrédula.

— Você já tem vinte e seis anos, Lizzy. Quando, exatamente, pretende amadurecer?

Ela ergueu o queixo e pousou o indicador na bochecha como se estivesse pensando seriamente.

— Talvez aos trinta. Até lá, deixa eu viver.

Sim, ela podia viver mais à vontade do que eu. A pressão em cima dela é muito menor e Lizzy concluiu a faculdade de administração por algum milagre, mas continuava fazendo o que queria, quando queria, na maior parte do tempo.

— Então me diga — voltei a me concentrar, encarando-a diretamente — afinal, o que você veio fazer na minha sala? Duvido que tenha vindo jogar conversa fora.

— Por que acha que não é só para conversar com meu irmão favorito? — Arqueei uma sombrancelha questionadora para ela e Lizzy franziu as dela em resposta.

— Nesse caso... — Digo fechando a cara para ela e vejo sua expressão alegre se desfazer também. — Se manda daqui. Se não tem nada para fazer, não me atrapalhe, porque eu tenho.

— Tá, tá... — murmurou, erguendo as mãos em rendição. — Na verdade eu recebi uma mensagem do papai e vim trazer um recado, já que você está ignorando as ligações dele.

Revirei os olhos e voltei a focar na tela do computador.

— Estou ocupado.

— Não ligo para as briguinhas de vocês. Ele só mandou dizer para você levar o Danian no almoço de domingo, porque está com saudade do neto.

— Hum. — Murmuro sem dar importância. — Por que ele não pede para a nora perfeita dele fazer isso? Não tenho certeza se vou estar disponível no domingo.

Lizzy bufou.

— Que se dane. O recado está dado. Agora, vou sair do trabalho mais cedo, maninho.

Olhei para o relógio confuso e voltei meu olhar para ela.

— O turno só começou há duas horas.

Ela abriu um sorriso orgulhoso.

— Tudo isso? Uau... isso é uma diferença de uma hora e quarenta e cinco minutos de ontem. — Deu duas batidinhas no peito, parabenizando a si mesma. — Eu estou ficando tão responsável. Acho que conviver mais frequentemente com você está me afetando.

Sorri em agradecimento. Era difícil impor limites, mas eu me obrigava. Eles precisavam de estrutura, de rotinas, de saber até onde podiam ir. Eu não podia lhes oferecer estabilidade perfeita, mas ao menos poderia dar disciplina e amor.

Quando o tempo acabou, cumpri a promessa. Desliguei o console em meio aos protestos de Orion, mas bastou lembrá-los do lanche para que corressem animados até a cozinha. Orion comeu o bolo falando sobre o dragão que derrotou no jogo, Apollo corrigindo a narrativa com detalhes, ambos rindo alto enquanto eu observava e ouvia atentamente.

Depois brincamos um pouco, rimos até ficarmos ofegantes.

Por volta das quatro da tarde, o cansaço finalmente venceu meus meninos. Levei-os para o quarto, ajeitei as cobertas e dei um beijo em cada testa. Ficaram tranquilos, respirando no ritmo suave do sono. Fechei a porta devagar, prendendo um suspiro no peito.

Tentei me distrair arrumando a cozinha, dobrando roupas, mas era inútil. O tempo parecia se arrastar e, ao mesmo tempo, acelerar. Quando me dei conta, o relógio já marcava seis da tarde.

Foi nesse momento que Damian entrou, e seus olhos caíram imediatamente em mim.

— Onde os meninos estão? — perguntou de imediato, enquanto largava a pasta sobre o sofá.

— Estão tirando um cochilo. — respondi, tentando soar natural, mas a tensão na minha garganta era impossível de disfarçar.

Ele apenas assentiu, mas seus olhos já estavam percorrendo o espaço como se procurassem algo. Eu sabia o que ele buscava. Sem dizer nada, estendi a mão para a mesinha, peguei o envelope e entreguei a ele.

Os dedos dele rasgaram o lacre com calma, sem a menor pressa, como se o resultado não tivesse tanta importância. O silêncio na sala se tornou quase insuportável. Observei cada movimento dos olhos dele.

E então, ele sorriu.

Não era um sorriso triste, nem feliz. Era um sorriso enigmático, sombrio, que fez um arrepio percorrer minha espinha.

Meu coração bateu forte contra as costelas, sufocando-me. Ele ergueu os olhos para mim, mantendo o sorriso.

— E então...? — pergunto sem conseguir conter a curiosidade, minhas mãos soavam de nervosismo. — Qual foi o resultado?

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