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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 42

STELLA HARPER

— E então...? — pergunto sem conseguir conter a curiosidade, minhas mãos soavam de nervosismo. — Qual foi o resultado?

Damian baixou os olhos para o papel mais uma vez antes de soltá-lo sobre a mesinha. O sorriso ainda curvava seus lábios quando ele ergueu o olhar para mim.

— Negativo.

Senti meus ombros relaxarem no mesmo instante, o ar escapando dos meus pulmões em um suspiro longo de alívio.

— Eu já tinha dito para você... — murmurei, tentando conter o tremor da minha voz.

— Sim, você disse. — respondeu, e um riso irônico acompanhou suas palavras. Engoli em seco quando ele inclinou a cabeça, a intensidade do olhar me prendendo. — Sabe o que você não disse, Stella?

Meu coração disparou, e minhas mãos começaram a suar de nervosismo.

— O quê? — perguntei, minha voz quase saindo em um sussurro.

— Que a Sophie veio vê-la.

Meu corpo inteiro congelou.

— Como... como você sabe disso?

Ele senrou e recostou-se no sofá, cruzando as pernas com calma.

— Diferente do que ela pensa, eu só mantenho do meu lado funcionários fiéis. — disse, cada palavra como se quisesse me orientar até onde ele queria chegar. — O meu guarda apenas fingiu que estava sendo comprado por ela, ele foi instruido a deixá-la entrar se viesse.

— Isso é alguma brincadeira de casal de vocês? — soltei, cruzando os braços no peito, tentando esconder o quanto meu coração batia descompassado. — Ficar investigando e testando um ao outro?

O sorriso dele se manteve, frio, quase cruel.

— Não estava testando a Sophie. — respondeu, rindo divertido. — Estava testando você.

Minhas pernas quase cederam, mas firmei os pés no chão e ergui o queixo, como se conseguisse enfrentar aquele olhar que parecia despir cada pensamento meu.

— Por que eu? — perguntei, soando mais frágil do que gostaria.

— Porque eu já sei até onde Sophie pode ir. — disse, encostando-se ainda mais no sofá, relaxado demais para alguém que acabava de destruir meu equilíbrio. — O que eu não sabia era até onde você iria. Queria saber se o desejo de se livrar de mim era tão grande a ponto de embarcar no plano dela.

Senti um frio percorrer minha espinha. Ele sabia de tudo. Ou pensava que sabia. Mas até onde?

Forcei um sorriso irônico, tentando parecer calma, tentando não entregar nada.

— Que plano? — perguntei, franzindo as sobrancelhas com inocência fingida.

Ele inclinou o corpo para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, e a intensidade do olhar me fez prender a respiração.

— Não brinque comigo, Stella. — disse em tom baixo, com um olhar ameaçador. — Você sabe exatamente de que plano eu estou falando.

— Esse que estou segurando agora, Jonas levou pessoalmente a amostra. Pegou o resultado também, só para garantir que Sophie não tivesse como intervir. — explicou, exibindo sua esperteza por ter pensado em cada detalhe. — O teste que acabamos de ver era só uma distração para ela não focar no verdadeiro.

Nesse instante, uma lembrança me atingiu: a enfermeira que veio à minha casa. Ela havia colhido amostras dos dois, tanto de Apollo quanto de Orion, quando bastava apenas uma. Eu não tinha questionado na hora, estava nervosa demais, mas… agora fazia sentido.

Meu corpo entrou em negação imediata. Não, não podia ser. Não podia.

— Vamos ver qual vai ser o resultado desse. — disse Damian, levantando o envelope, como se fosse um troféu.

— Não é necessário! — Meu instinto foi avançar, com a mão estendida para arrancar aquele maldito papel dele. Mas ele se moveu mais rápido, afastando-se um passo com um sorriso frio.

— Ah… — murmurou, com um sorriso satisfeito. — Agora você está preocupada. Acredito que esse é o teste verdadeiro.

Fiquei paralisada, a respiração entrecortada, sentindo o calor subir para o rosto e o desespero corroer minhas defesas. Ele rompeu o lacre, sem tirar os olhos de mim. O som do papel rasgando fez meu corpo inteiro estremecer.

— Não… — murmurei, quase sem voz, enquanto via seus dedos deslizando pela folha.

Ele leu. A expressão dele mudou devagar, a seriedade deu lugar a um sorriso lento e vitorioso. O olhar voltou para mim, ardente, triunfante, como se tivesse acabado de ganhar uma guerra.

— Positivo. — disse, com orgulho. — Os gêmeos são meus.

Senti o chão desaparecer sob meus pés. O sangue sumiu do meu rosto, a respiração falhou. Era como se todas as paredes estivessem se fechando sobre mim.

Nada mais seria igual depois daquelas palavras.

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