DAMIAN WINTER
DIAS DEPOIS
O domingo tinha começado como qualquer outro dias. Café da manhã em silêncio, a leitura rápida dos relatórios que eu havia levado para casa, algumas ligações respondidas e o pensamento constante em Stella. Tenho visitado os meninos todos os dias depois do trabalho, não consegui vê-los ontem porque passei o dia todo com Danian e o levei a vários lugares. Posso dizer que me aproximei muito deles, Stella no entanto, está me evitando completamente desde a noite da ligação.
Minha vida sempre foi pautada por controle. Controle sobre os negócios, sobre meu nome, sobre as pessoas que trabalhavam para mim. Nunca tolerei perder. Nunca aceitei me ver vulnerável diante de alguém. Mas com ela… estava diferente. Ela mexia em lugares dentro de mim que nem eu sabia que existiam e tê-la me evitando era irritante. Por isso vou acabar com isso hoje.
Depois do café, levei meu filho à casa dos meus pais. Sophie tinha ido para a casa dos pais dela e eu nem sabia se voltava hoje. Danian estava animado, falando sem parar no banco de trás sobre desenhos. Sorri em alguns momentos, atento a cada palavra, por mais estranha ou confusa que fosse.
Na porta da casa, quando estacionamos, ele agarrou minha mão. Minha mãe veio recebê-lo com aquele sorriso cheio de doçura que só ela tinha. Eu me abaixei diante dele, ajeitei a gola da camiseta e passei a mão pelos cabelos lisos e escuros.
— Se comporte, ouviu? — falei baixo, encarando seus olhos castanhos.
— Eu sempre me comporto, papai. — respondeu, antes de me abraçar com força.
Segurei-o contra o peito, inspirando fundo. Ele me dava algo que nenhuma vitória empresarial poderia me dar. Beijei o alto de sua cabeça antes de soltá-lo. Minha mãe se aproximou, afagando o ombro do neto e depois me olhou.
— Não vai ficar para o almoço? — perguntou, esperançosa.
— Não. Tenho coisas a resolver. — respondi o mesmo de sempre.
O sorriso dela diminuiu, mas não insistiu. Já meu pai, sentado na varanda, largou o jornal apenas para soltar sua provocação habitual.
— Espero que essas coisas a resolver envolvam sua esposa. Está na hora de me dar mais netos, Damian. Nosso Danian não pode ficar sozinho.
Permaneci em silêncio. Nem desviei o olhar. Apenas caminhei até o carro, ouvindo o riso abafado dele e o comentário sussurrado da minha mãe pedindo para não falar aquilo na frente da criança. Entrei no carro, bati a porta e respirei fundo.
Esposa. Netos. Família perfeita. Eles não faziam ideia da realidade. Se soubessem de Stella, dos meninos… Talvez nem acreditassem. Mas uma coisa era certa: a opinião deles não mudaria absolutamente nada. O futuro que eu vejo para mim é muito diferente do que eles querem.
Foi por isso que, segui meus planos e em vez de voltar para casa, peguei o volante e segui para outro endereço. O endereço que ninguém conhecia, exceto eu e a equipe que havia contratado para preparar tudo.
A nova casa estava pronta.
Dois andares, fachada bonita mas discreta, localizada em uma rua tranquila. Eu não tinha pensado nela para mim, mas para nós. Para Stella. Para os meninos. Para o que eu queria construir, mesmo que ainda não pudesse dar nome a isso. Meus maiores obstáculos agora eram: Reconquistar Stella, conseguir o divórcio de Sophie e a guarda do Danian. Depois disso, todo o resto será simples.
[...]
Bati na porta da casa dela quase ao meio-dia. Stella abriu com a expressão surpresa e desconfiada. Os gêmeos correram até mim, cada um dizendo meu nome ao mesmo tempo. Apollo me mostrou um carrinho, Orion me puxou pela mão, querendo me levar até a sala.
— Arrumem-se garotos. Vamos sair. — anunciei, com um sorriso.
Stella ergueu as sobrancelhas.
— Sair? Para onde?
— Você vai ver.
Ela bufou, mas obedeceu e seguiu para se arrumar e ajudei os meninos. Pouco depois estávamos no carro. Os meninos animados, cochichando entre si, imaginando onde iríamos. Stella em silêncio, me lançando olhares rápidos que eu fingi não perceber.
A viagem não foi longa, logo adentramos os portões automáticos. Quando estacionei em frente à casa, os gêmeos praticamente colaram o rosto nas janelas.
— Uau… — Apollo sussurrou.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!