STELLA HARPER
O beijo dele me consumia, roubando todo o ar dos meus pulmões. Era como se estivesse presa em uma onda que não permitia retorno. Cada vez que pensava em empurrá-lo, minha boca se abria ainda mais para recebê-lo, minha língua respondia à dele como se tivesse sido treinada para isso e eu me entregava em suas mãos.
E então, como se não bastasse o beijo, senti quando Damian começou a me guiar, a passos lentos mas decididos, até a cama. O quarto parecia se encolher ao nosso redor, e cada movimento dele me cercava mais, me prendia mais, me confundia mais. Quando minhas pernas bateram na beira do colchão, ele aproveitou para me pressionar contra os lençóis brancos.
A boca dele não desgrudou da minha, e o peso do corpo forte contra o meu me deixou sem defesa. Eu sentia o contorno de cada músculo mesmo por cima das roupas. Sentia o calor que emanava dele. Sentia, principalmente, a dureza entre suas pernas roçando contra mim, num atrito torturante que fez meus quadris se erguerem instintivamente, buscando mais.
Ele gemeu baixo contra a minha boca. Um som rouco, que vibrou pelo meu corpo inteiro.
— Você não faz ideia de como me sinto agora… — sussurrou entre beijos. — Eu esperei tanto por isso, Stella.
Eu arfava, tentando puxar ar. Minhas mãos estavam presas contra o peito dele, mas em vez de empurrá-lo, se fechavam na camisa, apertando como se eu precisasse dele para continuar respirando. Era dificil admitir, mas eu também esperava por isso.
Quando ele começou a se mover contra mim, em um vaivém lento mas contínuo, mesmo com as roupas entre nós, não consegui conter o gemido que escapou da minha garganta. Era errado. Tão errado. E ainda assim meu corpo traía minha mente e clamava por mais daquela sensação gostosa. Eu preciso ser racional.
Volte a razão Stella!
— Damian… — forcei entre fôlegos curtos. — Você é casado…
Ele afastou apenas o rosto, mantendo nossos corpos colados, a respiração dele quente contra a minha boca. Os olhos intensos me queimavam.
— Casado só no papel. — respondeu, sem hesitar. — Não somos marido e mulher de verdade.
A franqueza com que ele falou me desarmou por um instante. Mas a realidade bateu de novo, e a dor me apertou o peito.
— Como é só no papel se você tem um filho… — falei, a voz falhando, porque ele ainda se movia contra mim, roubando o controle da situação.
Ele fechou os olhos por um segundo, respirou fundo, e então disse algo que me fez congelar.
— Sophie me drogou para conseguir dormir comigo.
Eu parei de respirar. Afastei o rosto, procurando os olhos dele para confirmar se aquilo não passava de manipulação.
— Você está falando sério? — sussurrei, sem acreditar no que tinha ouvido.
O olhar dele ardeu, sério, sombrio, cheio de mágoa e raiva ao mesmo tempo.
— É isso mesmo. Aquela mulher… — pronunciou as palavras como se fossem veneno. — É capaz de tudo. Você não faz ideia das coisas que já fez. Ela sabia o que queria, e conseguiu. Eu passei os últimos seis anos infeliz, preso a ela, por sua culpa, Stella.
Meus olhos se arregalaram.
Por um momento, não consegui pensar. Não consegui respirar. Só podia encarar aquele homem em cima de mim, que tinha acabado de desmontar tudo o que eu acreditava saber sobre nosso passado.
— Você… — minha voz falhou, como se não reconhecesse a mim mesma. — Você fez o quê?
Ele não respondeu de imediato. Apenas passou os dedos fortes pela linha do meu maxilar e depositou um beijo demorado no canto do meu lábio. Depois, murmurou:
— Eu não planejava cumprir esse contrato e nunca quis que você fosse embora. Você era minha, Stella. Era assim que deveria ter continuado. Minha familia queria netos e que eu tivesse uma esposa. Deveria ter sido você, eu planejei que fosse com você e então de repente você sumiu. Eu tentei te encontrar, Deus como eu tentei... Só recentemente descobri que Sophie também estava interferindo nisso. Mas é você quem eu queria, Stella. Ainda quero.
Meu peito se apertou de uma forma quase insuportável. O choque, a raiva, a confusão e o desejo se misturavam, criando um turbilhão que eu não sabia como suportar.
— Sai de cima de mim. — Ordenei séria.
— Stella...
— Sai, agora Damian.
Ele me atendeu, sentando ao meu lado e me encarando com... medo? Receio? Culpa? Nem sei se ele era capaz de sentir essa coisas e nem importava.
Só o que importava é que ele tinha dito as coisas mais absurdas e revoltantes que já ouvi. Agora eu também sabia que ele não só desejava aquela gravidez, como também manipulou tudo do seu jeito para acontecer e eu… eu não sabia o que fazer com aquilo. Isso mudava alguma coisa?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!